quinta-feira, 9 de junho de 2011

X-Men: Primeira Classe (X-Men: First Class)


Mutação é a chave para a evolução (esse tema é bacana, kkkk). O problema é que nem todas as mutações são benignas, as variações genéticas dos organismos podem promover adaptações destes ao ambiente em que encontram ou levá-los à extinção. O viés desta introdução não é porque sou fascinado no assunto, mas simplesmente porque tem tudo a ver com a temática da franquia X-Men. Quando a franquia “X-Men” migrou para os cinemas, o talentoso cineasta Bryan Singer entregou aos fãs e ao público em geral dois ótimos filmes. O terceiro capítulo foi dirigido por Brett Ratner (o mesmo de “A Hora do Rush”) e não foi um longa ruim, mas focou demais em entregar coisas que apenas os fãs desejavam ver. Em seguida veio “X-Men Origens-Wolverine” e o clima sério que permeava as películas anteriores ficou em segundo plano e o resultado foi um pouco aquém do esperado, com qualidade inferior aos capítulos iniciais.
Chega agora às telas este “X-Men-Primeira Classe”, com Singer assumindo a posição de produtor e com o também talentoso Matthew Vaughn (do excelente“Kick-Ass - Quebrando Tudo”) na cadeira de diretor e co-roteirista. Respeitando (ao menos parcialmente) o que foi mostrado na trilogia original e basicamente jogando no limbo a fita-solo do Wolverine, esta nova produção recoloca, de modo surpreendente, os mutantes na linha.
Misturando ficção e fatos históricos, a trama nos conta como, em meio à crise dos mísseis em Cuba em 1962, Charles Xavier (James McAvoy) e Erik Lensherr (Michael Fassbender) vieram a se tornar os rivais Professor X e Magneto. Enquanto o jovem Lensherr não conheceu nada em sua infância além de horrores nas mãos dos nazistas, crescendo com nada além de vingança contra seus algozes em sua mente, Xavier foi criado em um ambiente abastado, podendo explorar seus dons e, a despeito de compreender o preconceito, abraça uma doutrina pacifista.
As jornadas dos dois acabam se cruzando de maneira explosiva enquanto caçam, por motivos distintos, um aristocrata chamado Sebastian Shaw (Kevin Bacon), que deseja começar a Terceira Guerra Mundial com a ajuda de seu “Clube do Inferno”. Contando com um auxílio instável vindo da CIA, Charles e Erik começam a reunir (e em conseguinte recrutar) outros mutantes ao redor do mundo com o objetivo de deter Shaw. No entanto, o modo de pensar dos dois amigos poderá colocá-los em uma rota de colisão.
James McAvoy faz um trabalho excepcional em afastar Xavier da aura de santo que o personagem tinha quando vivido por Patrick Stewart, mostrando-o como um jovem excepcionalmente inteligente e compassivo, mas também muito humano, gostando de se divertir e paquerar, em uma nova e interessante visão do Professor X.
No entanto, o filme é realmente de Michael Fassbender, que transforma o seu Erik na figura mais fascinante da franquia, respeitando o trabalho de Ian McKellen, mas acrescentando um rancor e uma ira que comovem a platéia, nos compadecendo com o sofrimento que este experimenta e tornando compreensível o ódio no coração do futuro Magneto. Impossível não notar o paralelo entre as ações de Erik no começo do filme com as dos Bastardos Inglórios de Quentin Tarantino, principalmente em uma cena em um bar na Argentina (é Tarantino fazendo história, aliás, essa cena do bar é mto bacana).
Mesmo com o destaque dado aos dois principais jogadores da saga, os demais personagens não estão em cena como mero enfeite, cada um exercendo seu papel dentro da narrativa. A indicada ao Oscar Jennifer Lawrence hipnotiza o público com sua Raven, com seu desejo de aceitação sendo algo palpável para o público e sua vontade de se relacionar com alguém que a compreenda sendo fundamental para a mensagem do filme.
O arco de Raven bate de frente com o do jovem Hank McCoy, vivido com intensidade por Nicholas Hoult. Hank nos é apresentado como um jovem brilhante, mas que não se vê como um indivíduo realizado justamente por conta de sua mutação, que lhe passa uma imagem animalesca. O fruto do desejo de normalidade do rapaz não deixa de ser tragicamente irônico.
Outro destaque no elenco é Rose Byrne, como uma intrépida e visionária agente da CIA que age como contato de Charles e Erik com a agência. O ótimo Oliver Platt também participa do longa como um dos aliados de Charles, sendo uma pena que apareça tão pouco haja visto seu talento diante das câmeras.
Do outro lado da cerca, os destaques são obviamente o Sebastian Shaw (de Kevin Bacon) e sua Rainha Branca, Emma Frost (January Jones). Bacon vive Shaw como um perfeito vilão de James Bond, megalomaníaco, audaz e com uma presença forte. O ator nos dá uma interpretação energética como Shaw, nos mostrando exatamente o sadismo e a loucura do vilão.
Apesar de não ser um filme desprovido de senso de humor, em nenhum momento a fita tende para piadinhas ou situações irônicas, Vaughn leva seus personagens a sério, conseguindo criar um clima de tensão constante, mostrando na tela o drama daquelas pessoas especiais (se aliar aos humanos ou enfrentá-los? É bom ou não sermos “diferentes”? essa minha mutação deturpa minha identidade como ser humano? minha mutação é ou não benéfica a mim e ao próximo?), sem esquecer de entregar cenas de ação fantásticas, com destaque para a invasão de Erik a uma casamata Soviética e o ataque do Clube do Inferno a uma instalação do governo americano. Todo esse contexto culmina num desfecho plenamente satisfatório e emocionante.
É importante salientar também que há duas pontas no filme referentes à personagens dos filmes anteriores que farão com que os fãs soltem um: óóóóóóó!!! Quando estas cenas apareceram à tela, ouviu-se um murmurinho na sala (que estava lotada por sinal).
Inteligente, divertido e empolgante, “X-Men-Primeira Classe” é um recomeço arrebatador para a franquia, com essa mutação se mostrando uma bela evolução para a série. Na minha visão, o melhor filme da franquia.
Nota 10!!!