Com o fim de ano chegando e com a oportunidade de ter assistido a alguns filmes, aproveito pra postar aqui, na minha visão, a lista dos melhores de 2010:
1-A Origem (Inception)
Cristopher Nolan nos deixa mais uma obra prima, trabalhando com maestria em sua temática predileta: A mente humana e o subconsciente. Uma história complexa, um roteiro profundo, uma direção impecável. Atuações brilhantes, com Leonardo di Caprio inspiradíssimo, e efeitos especiais espetaculares. “A origem” é, na minha opinião, o melhor filme do ano.
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2-A Rede Social (The Social Network)
David Fincher é um diretor genial (vide Seven, Clube da Luta e Zodíaco). Em seu mais novo projeto, Fincher expõe de maneira crítica a vida de Mark Zuckerberg, tratando-o como um “gênio do mal” não só pela forma como criou um dos maiores sites de relacionamento do mundo (Facebook), mas também como o conduziu. A Rede Social conta com atuações brilhantes, diálogos afiados e uma direção impecável de Fincher.
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3-Tropa de Elite 2 – O inimigo agora é outro (Idem)
José Padilha havia mostrado todo seu talento ao dirigir Tropa de Elite, através de seu segundo filme, pudemos perceber claramente porque está sendo cogitado para dirigir longas em Hollwoody. Através de uma direção certeira, Padilha “cutuca” a ferida de todas as classes de nossa sociedade, onde todo o sistema é revelado como “podre” e corruptível. O melhor filme brasileiro já produzido, uma pena não ter sido o indicado para representar o Brasil no Oscar.
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4- A Ilha do Medo (Shutter Island)
Martin Scorsese nos mostra o lado obscuro da personalidade humana através de uma obra prima doentia, psicótica e cruel. Um filme que se utiliza do terror psicológico como forma de despertar uma emoção primária no telespectador: O medo. Ao construir um ambiente “pesado”, através de uma narrativa complexa, Scorsese mostra que é um gênio, um ícone no mundo Hollywodiano.
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5- Toy Story 3 (Idem)
Impressionante o que a Pixar é capaz de proporcionar aos seus espectadores. A cada novo longa, esta empresa nos mostra que uma animação pode ser dirigida não somente às crianças, que por trás do “engraçadinho”, há mensagens fortes e intensas na qual devemos nos apoiar e assim refletir. Toy Story 3 é o melhor filme de animação já produzido: engraçado e ao mesmo tempo sério e cativante. É da pixar, portanto, sem mais.
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6- Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 ( Harry Potter and the Deathly Hallows: Part I)
David Yates assumiu a direção dos filmes da franquia em “A ordem da Fênix” e não decepcionou. Fez um excelente trabalho em “Enigma do Príncipe” e um trabalho excepcional em “As Relíquias da Morte”. Uma direção tranqüila de Yates, com uma história de grande fidelidade ao livro, aliando momentos de ação e cunho dramático na medida certa. Preparou em grande estilo o terreno para o Gran Finale (parte 2).
PS: Há outros filmes que estão sendo vistos de forma muito positiva e incluídos em listas de melhores do ano, mas como não tive oportunidade de vê-los, fico com a lista acima mencionada. Entre os mais falados estão: Kick Ass-Quebrando Tudo, Scott Pilgrin contra o Mundo, O Cisne Negro, O Vencedor e o Discurso do Rei. Fiquem a vontade para comentar, sugerir ou ainda criticar, e fiquem a vontade também para elaborar suas listas dos melhores de 2010!! Obrigado!!
sábado, 18 de dezembro de 2010
Tron - O Legado ( Tron - Legacy)

PS: Não tive a oportunidade de ver o filme de 1982: “Tron-Uma Odisséia Eletrônica”, porém, a fim de enriquecer minha crítica e comentário sobre “Tron-O Legado”, procurei ver trailers e ler diversos artigos e comentários sobre o primeiro filme.
Em “Tron-O Legado”, Sam Flynn (Garret Hedlund), especialista em tecnologia, filho de Kevin Flynn (Jeff Bridges), investiga o desaparecimento do pai e se vê preso no mesmo mundo povoado por programas ferozes e jogos fatais onde seu pai vive há 25 anos. Junto com sua fiel confidente Quorra (Olivia Wilde), pai e filho embarcam em uma jornada de vida e morte por um universo cibernético.
Filmes são fruto de um tempo, da época em que foram produzidos e lançados. Nada muito diferente, na verdade, do que qualquer outro produto cultural (álbuns, novelas, livros, histórias em quadrinhos, etc), que reflete anseios, dúvidas, atitudes, moda ou seja lá o que for que esteja em voga durante seu lançamento. Alguns sobrevivem ao tempo; outros se perdem na poeira da História.
Dito isso, “Tron-Uma Odisséia Eletrônica” envelheceu muito mal. Lançado em 1982, o filme marcou época ao fazer uso de efeitos especiais inovadores e que abriram caminho para o futuro da imagem digital. Antes de “Tron”, os filmes usavam trucagens visuais. Depois de seu lançamento, os efeitos digitais viraram coqueluche e regra. A trama da produção, entretanto, era boba; as atuações dignas de peça infantil e a direção de Steven Lisberger beirava o amadorismo. O resultado é um longa sem ritmo ou coerência e que coloca o visual acima de tudo, inclusive de qualquer lógica narrativa.
Nesse sentido, “Tron-O Legado” não se difere muito de seu antecessor e privilegia a plasticidade das imagens em detrimento do conteúdo, apesar de ser bem melhor dirigido e despertar um interesse maior pela trama, contada com mais empenho e lucidez. Claro que visualmente o filme deve dar um banho nos efeitos especiais apresentados pelo longa de 1982. O visual retro e quadrado que pude ver em alguns trailers do filme de 82 e que remete claramente a videogames como o Atari, ficou na década de 1980, e “Tron-O Legado” segue outro caminho, mais moderno e arrojado, ainda que o neon azul e vermelho prevaleçam e reforcem o maniqueísmo da luta entre o bem e o mal.
O clichê da história (homens versus máquinas) é uma mera desculpa para o desfile do que de melhor as imagens digitais podem nos oferecer. O filme é quase um remake do primeiro, na verdade. A maior diferença é que, se no primeiro, o vilão era um humano, e as máquinas apenas refletiam seus desejos; na continuação, o mal é representado pela máquina que se rebela contra o homem.
É aqui que reside um dos maiores problemas de “Tron-O Legado”, uma questão que o primeiro até enfrentou, mas com quase 30 anos a menos de referências cinematográficas. O embate entre homens e máquinas não é nenhuma novidade e a temática já foi usada e desgastada por uma leva de filmes, todos bem melhores: de “Blade Runner”, passando por “O Exterminador do Futuro” e chegando, claro, a “Matrix”, a referência mais óbvia aqui, sendo a dicotomia entre o mundo real e o virtual a base de todo o longa.
Assistindo à produção, fica claro que o tempo passa, o tempo voa, mas a gente continua sempre a ver as mesmas histórias. Isso até não seria um problema se o filme apresentasse novidades, o que não é o caso. A embalagem aqui pode ser mais neon e iluminada, mas falta a “Tron-O Legado” o vigor e a ação desenfreada de uma produção de James Cameron (“O Exterminador do Futuro”) ou a aura enigmática e filosófica de um longa dos irmãos Wachowski (“Matrix”).
Tron-O Legado foi filmado pelo diretor estreante Joseph Kosinski, e de uma coisa este merece elogio: a parte técnica é simplesmente espetacular, capaz de deixar qualquer espectador boquiaberto. O filme traz cenas de ação de qualidade, cheio daqueles clichês que todos adoram, como muito slow motion (tipicamente “Matrix”), profundidades de 3D bem trabalhadas e um quesito que pode se dizer ser o mais interessante de todos: a brutalidade da morte suavizada em forma de cubos. Outro ponto mais que positivo, sendo uma evolução que faz jus ao nome Tron, é a qualidade digital de Clu, personagem vilão que é uma cópia exata de Jeff Bridges nos anos oitenta. Seu realismo é incrível e talvez até confunda os mais desavisados. Os efeitos especiais e visuais, aliado à trilha sonora do Daft Punk compõe uma química perfeita, nos reservando um espetáculo de encher os olhos e digno de aplausos. Tron-O Legado é, literalmente, um colírio para os olhos (e ouvidos).
Um outro elogio que deve ser feito à Kosinski se refere à manutenção de uma série de elementos do primeiro filme, inclusive alguns atores (Jeff Bridges e Bruce Boxleitner reprisam seus papéis), e dar continuidade à história, mesmo que quase 30 anos depois, prestando homenagem a um filme que marcou uma geração e hoje estava praticamente esquecido. O clima futurista também é bem vindo, mas, como dito anteriormente, parte do mérito disso vai para a eficiente (e brilhante) trilha musical do Daft Punk.
No final das contas, “Tron-O Legado” é entretenimento bastante eficaz. Um desses blockbusters que faz uso de toda a tecnologia à mão para proporcionar uma experiência sensorial ágil e em alto e bom som, um espetáculo digno de ser acompanhado 1, 2, 3 vezes, porém, apesar de visualmente encantador, ao contrário do longa de 82, não deixará marca alguma na história do cinema. Em suma, uma temática batida, com uma enormidade de clichês, mas com efeitos sensacionais e muito bem utilizados. Vale sim conferir, principalmente pelo terceiro aspécto.
Nota 8
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
A Rede Social (The Social Network)

Em uma noite do outono de 2003, o universitário de Harvard e programador genial Mark Zuckerberg senta-se em seu computador e começa, inspirado, a trabalhar em uma nova idéia. O que tem início em seu dormitório se transforma em uma rede social global que vai revolucionar a comunicação mundial.
Filmes sobre gênios que acabam despontando em suas faculdades e criam grandes empreendimentos sempre os apresentam como pessoas deslocadas e que vivem escondidas pela própria genialidade. Este é o caso de Mark Zuckerberg, o criador do Facebook, que é o tema do filme “A Rede Social” do diretor David Fincher. Acertadamente, Fincher abre a sua narrativa com um diálogo espetacular entre Mark e a sua namorada Erica Albright. Nesta cena, o diretor e o roteirista do filme deixam claro como é a personalidade de Mark e como a maneira péssima que esta conversa termina acaba sendo o ponto de partida para a sua criação do Facebook e para a sua popularidade dentro da Universidade de Harvard.
Para os calouros que entram em universidades americanas o que eles mais querem é também entrar nas chamadas fraternidades, nos grupos secretos que outros estudantes famosos e competentes também fizeram parte. Mark queria ser um desses caras. No anexo em que ele morava com outros colegas, incluindo o seu melhor amigo Eduardo Saverin, todos queriam ser aceitos para fazerem parte das festas privativas e viverem de forma popular. Porém, o término do namoro entre Mark e Erica é o seu momento de fraqueza e a partir dali ele (com o auxílio de Saverin) cria, completamente bêbado, um site chamado FaceMash em que os estudantes de Harvard votam nas mulheres mais bonitas (e gostosas). Apenas durante uma madrugada em que ficou no ar, o site teve um total de 22 mil acessos e derrubou a rede de internet de uma das maiores Universidades dos Estados Unidos e do mundo.
Mark achou que, com isso, atrairia popularidade e seria reconhecido pela invenção que teve. Mas ao perceber que os estudantes não reagiram muito bem à sua criação, Mark passa a ser mal visto dentro dos corredores da universidade. É assim que ele aceita a idéia dos irmãos Winklevoss, que pretendiam realizar um site cujos estudantes de Harvard poderiam se registrar e criar perfis próprios. Mark viu um potencial muito maior para a idéia dos irmãos e fez com que ela não ficasse apenas no campus da universidade em que eles estudavam, mas fosse expandido para outras regiões. É aí que entra a importância do brasileiro Eduardo Saverin, responsável por injetar o primeiro capital que dava aluguel de servidores e estabilidade de conexão para os visitantes que começaram a se cadastrar no site.
O livro escrito por Ben Mezrich (na qual o filme se baseia), a partir do que foi relatado pelo próprio Eduardo Saverin, ilustra e entra na questão se Mark Zuckerberg havia roubado a idéia dos irmãos Winklevoss e questiona a originalidade do Facebook. Mark era um gênio e disso ninguém duvida, mas o próprio roteiro de Aaron Sorkin tenta se manter imparcial neste sentido, não o julgando como vilão, mas o apresentando como um jovem que se tornou bilionário a partir da criação de um site que vem crescendo ano após ano e expandindo as suas atividades para outros países. O roteiro de Aaron Sorkin, extremamente inteligente por sinal, constrói o filme entre o julgamento de Mark Zuckerberg em ações que são movidas por Eduardo Saverin e pelos irmãos Winklevoss, além de percorrer os momentos mais importantes e tensos da criação até o sucesso.
A tensão realmente começa quando Eduardo passa a procurar por anunciantes para o site com o objetivo de torná-lo também uma máquina de dinheiro e lucro. Mark, no entanto, entra com uma nova idéia ao marcar uma reunião com Sean Parker, o criador do Napster e também o responsável por ter mudado a indústria fonográfica para sempre. É bem verdade que o programa desenvolvido por ele durou pouco tempo e ele logo declarou falência, mas a relevância que o Napster teve se deu por ele ser o principal responsável pelo fechamento de algumas gravadoras e o agravamento da crise sentida por outras, já que os usuários não queriam mais comprar CDs porque encontra estas músicas em mesma qualidade por meio do Napster. Eduardo Saverin e Sean Parker não se dão bem e isso acaba sendo um dos fatores para que a amizade entre Mark e Eduardo fique estremecida e completamente abalada.
“A Rede Social” é um filme sobre a criação do Facebook, mas vai muito além disso. A história acaba sendo também sobre as relações cada vez mais vazias que começaram a ser criadas a partir da internet e das suas redes sociais. Em um determinado momento do filme, Sorkin apresenta a expressão “me adicione no facebook” como um bordão que havia se tornado sucesso entre os estudantes de Harvard e de outras Universidades. A própria namorada de Eduardo Saverin se comporta de uma maneira completamente psicótica quando ele muda o “status do seu relacionamento” para solteiro no Facebook. As pessoas passaram a dar mais importância a conhecer outras pessoas e a se conectarem a elas, não mais pelo convívio pessoal, mas sim em estarem ligadas na internet. Dentro do Facebook,(ou mesmo do Orkut), você pode ter 300, 400, 500 amigos. Mas quantos deles são realmente próximos a você? Quantos deles você realmente pode chamar de amigo?
Por esta razão é emocionante a cena em que Eduardo Saverin, já movendo uma ação contra Mark Zuckerberg quando o brasileiro vê as suas ações sendo diluídas de 33% para 0.03%, pergunta a Mark por que ele havia feito aquilo com o único amigo que ele tinha. Eles eram amigos, por mais que Eduardo não conseguisse chamar a sua atenção e que Mark estivesse concentrado nos planos de expansão de Sean Parker. E a mesma emoção sentida nesta cena pode também ser sentida em outro momento, quando uma das advogadas de defesa diz a Mark que ele não é um babaca como as pessoas comentam ou falam, mas que ele vive se esforçando para se tornar um e deixar esta impressão nos outros. É por isso que “A Rede Social” vai muito além do que apenas relatar a trajetória destes jovens que, com uma criação deste tamanho, conseguem se ver envoltas em muito dinheiro e se tornarem bilionárias de uma hora para a outra.
As atuações como um todo estão muito seguras, com interpretações de impacto, em especial a de Zuckerberg (Eisenberg), que taxado como nerd, tem a fama de não conseguir se relacionar com outras pessoas. Neste sentido, a atuação de Jesse Eisenberg é excepcional, porque ele mantém a sua personagem com um olhar sempre perdido e também preso em suas próprias limitações de não conseguir socializar com outras pessoas. Quando o seu relacionamento com Erica termina, a pessoa mais próxima que ele conseguiu se relacionar verdadeiramente, parece que a sua vida perdeu sentido e ele parte em busca de encontrar um novo significado e acaba achando isso na criação do Facebook.
É por isto que a cena que encerra a narrativa de “A Rede Social” é tão emblemática e impressionante, fechando um arco dramático que foi conduzido com a inteligência do roteiro de Aaron Sorkin e a agilidade e competência da direção de David Fincher. O longa não condena Mark. Pelo contrário: o filme faz com o seu espectador até sinta compaixão pela personagem pelo carisma que Jesse Eisenberg transmite.
Apesar de um pouco difícil, “A rede social” é um longa altamente recomendável, com roteiro e direção espetaculares, diálogos afiados e atuações brilhantes. Posso dizer que “A rede social” está, na minha visão, entre os 5 melhores filmes do ano.
Nota 10
sábado, 20 de novembro de 2010
Harry Potter e as Relíquias da Morte : Parte 1 ( Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 1)

“Harry Potter e as Relíquias da Morte” é um excelente filme de guerra. Isso mesmo. Filme de guerra. Inúmeras serão as críticas e artigos que avisarão que este é o longa mais sombrio da série. Os jornalistas não estão enganados, porém não podiam ser mais óbvios. O adjetivo “sombrio” é usado para descrever a série desde “O Prisioneiro de Azkaban”. À medida que Harry foi crescendo, os perigos e as perdas que enfrentou também foram se tornando maiores. Voldemort, o vilão eterno, ganhou força e, nesse sétimo capítulo, se tornou um mal mais do que ameaçador.
Claro, os filmes da saga foram se tornando cada vez mais sombrios. Nada, entretanto, se compara a esse. Nessa aventura, Harry, Ron e Hermione se tornam heróis plenos, responsáveis não apenas por salvar a escola de magia e bruxaria de Hogwarts, mas por salvar o mundo.
O grande mérito, não apenas de J.K. Rowling, que construiu a história até esse ponto, mas também de todos os cineastas responsáveis por levar os livros à tela, é fazer com que os espectadores acompanhem os sete anos da vida desses pequenos bruxos. Vimos Harry sofrer vivendo com os tios, descobrir a magia dentro de si, fazer amigos, aprender feitiços, se apaixonar, perder entes queridos… Foram sete episódios com muita história que prepararam leitores e audiência para o grande final. A apresentação dos personagens e o desenrolar de suas vidas é essencial para emocionar nessa primeira parte do encerramento da série.
Em seu último ano em Hogwarts, Harry decide não voltar à escola, mas partir para encontrar as sete horcruxes, pedaços de alma de Voldemort. É sua função encontrar todos os objetos que ainda faltam (quatro) e destruí-los. Só assim o lorde das trevas será derrotado. Claro que Harry não vai sozinho. Ron e Hermione são parte fundamental da aventura (e de sua vida). O cenário para a jornada do trio não poderia ser pior. Nenhum dos três tem idéia de por onde começar e, enquanto isso, família e amigos correm riscos.
As primeiras cenas desse longa metragem mostram Hermione apagando a memória dos pais. Para garantir que eles sobreviverão à guerra, a feiticeira apaga seu rosto em cada uma das fotos de sua casa. Emma Watson faz a cena brilhantemente. Se antes a atriz abusava das caretas, nesse filme ela está fantástica. Sua atuação é sutil e, nos pequenos gestos no decorrer do filme, ela demonstra o pesar de quem abandonou a família e não sabe ao certo se terá um futuro com Ron. A cena de “Mione” apagando a memória dos pais já é capaz de emocionar, preparando terreno para muitas outras cenas que também geram este sentimento.
O romance entre Rony e Hermione, aliás, é algo que finalmente transparece. Nos filmes anteriores, Harry, por ser o herói da saga, sempre ganhava a atenção de Hermione. Aqui é visível o interesse dela em Ron, assim como o ciúme dele por Harry, um mérito de Rupert Grint. Grint, aliás, é, na minha opinião, o grande destaque do filme. Um personagem que, de forma convincente, é por um lado o grande trunfo de Harry em sua busca pelas horcruxes, mas por outro um íntimo “inimigo” vamos dizer assim, quando se remete ao triângulo que o envolve com o mesmo Harry e Hermione.
Todos os três astros de “Harry Potter e as Relíquias da Morte” amadureceram. É impressionante vê-los carregando toda essa dor ao longo do filme. Uma dor que, com certeza, foi acumulada após cada uma das perdas narradas no decorrer da aventura. A grande atuação dos três, entretanto, ganha ainda mais peso com o elenco de apoio. Além dos já conhecidos personagens que voltam para proporcionar alívio cômico e dar ainda mais vida à realidade mágica, conhecemos outras figuras, como Mundungus Fletcher (excelente). Se o mundo mágico tivesse jogo do bicho, Mundungus seria bicheiro. As correntes de ouro, a careca mal cuidada, a vaidade cafona. O personagem transparece a charlatanice até no jeito de falar.
Xenófilo Lovegood, pai de Luna, é outro achado. Tão perdido quanto a filha, o personagem, interpretado muito bem por Rhys Ifans, mistura a comédia e o drama em uma única cena. É irresistível assistir à construção da cena e do personagem. Há tantos momentos fantásticos de atuação que é difícil comentar cada um deles. Jason Isaacs como Lúcio Malfoy, James e Oliver Phelps como os irmãos gêmeos de Ron e Julie Walters como Molly Weasley são alguns dos nomes que com certeza arrancarão soluços. Se não nessa primeira parte de “Relíquias da Morte”, com certeza na segunda.
Os dramas e interações entre os personagens são tão bem construídos que não dá para esquecer por um minuto o que aqueles momentos significam. Há tensão ali. A tensão de uma guerra iminente. As cenas de ação fazem jus à atmosfera construída. O texto, convenhamos, não era lá dos mais ricos nesse aspécto. No livro, Harry, Ron e Hermione ficam mais tempo acampados e decidindo o que fazer do que com a mão na massa de fato. A falta de ação na história fez com que os fãs ganhassem ainda mais com a divisão da trama em dois filmes. Essa é, com toda a certeza, a mais fiel das adaptações. Com mais tempo, roteirista e diretor puderam trabalhar em cada um dos detalhes da trama.
“As Relíquias da Morte” foi feito também para emocionar. Algumas cenas já são marcantes e entrarão para a história do cinema. Aquela citada anteriormente envolvendo Hermione e seus pais tem um tom de melancolia que chega a “asfixiar”, outra cena tocante é aquela em que Harry está se despedindo de sua antiga moradia observando o sótão onde viveu durante anos e parece que neste instante pensava: Eu era feliz e não sabia...isso baseado no que ele iria enfrentar de ali em diante, é até incoerente pensar em tal situação, mas a expressão de Harry demonstra que este personagem preferiria passar tudo o que passou de sofrimento até ali, do que enfrentar o que viria pela frente, um momento marcante da trama e também cativante. A cena da morte de Dobby não tem como não se emocionar, dava pra se escutar os murmurinhos do público. São situações que preparam terreno para muita emoção que ainda virá e um grande finale que promete mexer com a sensibilidade de todo público.
O diretor David Yates fez um trabalho fantástico. Ele foi responsável pelo amadurecimento não apenas dos atores, mas também da trama. Compare o primeiro filme da série, dirigido por Cris Columbus, e esse último. São completamente diferentes. Uma obra que vai da ingenuidade ao pesar. Pesar combina mais com a história triste de Harry Potter. Desde que assumiu a saga, Yates tem conduzido o drama com qualidade. A cada filme o diretor colocava Harry Potter um passo a frente para alcançar os grandes épicos.
A prova do desafio enfrentado por Yates foi dividir a última parte da saga em dois. O diretor conseguiu incluir, no ponto de corte, drama e ação. O final dessa primeira parte não é nada brusco. Faz sentido e nos deixa com vontade de mais.
Não tenho dúvidas de que “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, partes 1 e 2, estarão entre os filmes mais marcantes da história do cinema, seja pela contribuição de Harry Potter na formação da cultura pop, pela qualidade dramática do longa metragem ou pelas excitantes cenas de ação. Assistimos ao desenrolar dessa guerra, que ainda não terminou e que, com certeza, renderá momentos ainda mais marcantes em sua segunda parte. Um filme tenso, sombrio, com uma temática “fria e pesada” destacada pela fotografia e obscuridade das cenas, um grande elenco (em número e qualidade) e uma direção primorosa de Yates garantem a Harry Potter – As Relíquas da Morte, primeira parte, o melhor filme da franquia, nos deixando com um gostinho de “quero mais” e a seguinte sensação: preparem-se, o final (segunda parte) será épico, emocionante e cativante! E pra concluir tudo isso: Uma sessão lotada, que termina com aplausos calorosos, resume o que o público achou deste “início do fim”!
Filmaço, sem dúvidas, nota 10
sábado, 13 de novembro de 2010
RED - Aposentados e Perigosos (RED)

Diversão à toda a prova, da primeira à última cena. Precisa mais? Se não precisar, a dica é “RED - Aposentados e Perigosos”, deliciosa comédia policial dirigida pelo alemão Robert Schwentke, o mesmo de “Plano de Vôo” e “Te amarei para sempre”. Divertido e saboroso, “RED” é um filme que merece ser visto e certamente irá agradar a todos.
A trama fala de um grupo de agentes aposentados da CIA que, sem motivo aparente, começa a ser mortalmente perseguido. E pior: quem está por trás deste processo de eliminação é a própria CIA. Queima de arquivo? Vingança? Alguma inexplicável teoria da conspiração? Quem sai em busca da explicação é o agente aposentado Frank Moses (Bruce Willis, em grande forma), que carrega a tiracolo um punhado de velhos colegas de espionagem e o seu mais recente amor, Sarah (Mary-Louise Parker), que nada tem a ver com a situação.
“RED” é um jogo de caça que faz um mix de comédia e ação para entreter. O filme brinca com a condição dos aposentados que ainda buscam uma solução para a transição da vida perigosa para a calmaria do lar sendo desajeitados no amor e na vida social, aliado a isso, temos o termo “perigosos” do título fazendo jus à cada personagem, com alguns requintes de crueldade e principalmente ironia próprios de agentes que trabalham nesta instituição (CIA). O roteiro, apesar de irregular, é ótimo e temos uma trama focando mais no humor durante a primeira parte, deixando a resolução do caso para o final, embora o desfecho não seja tão satisfatório quanto o resto do filme.
Agora o grande barato e diferencial do longa está mesmo no seu estrelado elenco. É um prazer para o público ver em cena nomes como Bruce Willis, Morgan Freeman, John Malkovich, a dama Helen Mirren (empunhando uma metralhadora, momento único em Hollywood, hehe) e Brian Cox, todos extremamente confortáveis em seus papéis e aparentando estarem se divertindo enquanto atuam juntos. Ainda temos a pequena participação de Richard Dreyfuss (que pecado, poderia ter sido explorado bem mais, talentoso). As estrelas ainda contam com a ajuda da hilária e adorável Mary-Louise Parker, conhecida por seu brilhante trabalho no seriado Weeds, além do sólido Karl Urban, o Bones de Star Trek. A muito tempo não presenciei uma atuação tão marcante de um elenco como um todo, é a famosa “química” perfeita, um elenco brilhante que faz jus à sua fama.
O resultado da trama é um agradável e nostálgico retorno à era dos “velhos espiões”, com ótimos e afiados diálogos, muito bom humor, produção das mais caprichadas e efeitos especiais de primeira linha. Tudo isso aliado ao elenco espetacular e sua ação brilhante, garante um filme pra lá de empolgante, com a sensação de “quero mais”, ou seja, de “vou ver novamente”.
Além do elenco, o grande ponto positivo de “RED” está em seu sarcasmo inteligente com o qual comanda a ação, com direito a irônicas referências à era da Guerra Fria. O título, por exemplo, num primeiro momento remete ao Comunismo (Red, vermelho, termo que na época designava os socialistas), porém uma mais que bem-vinda participação do veterano Ernest Borgnine esclarece que na verdade trata-se da sigla para Retired Extremely Dangerous, ou, Aposentado Extremamente Perigoso. Ou seja, o diretor Robert Schwentke “brinca” com a temática da Guerra Fria, proporcionando uma diferente visão do contexto deste evento simplesmente através do título da trama. Robert Schwentke, assim como seu elenco estelar, se mostra a vontade e através de sua direção “desleixada” e despreocupada, garante um resultado altamente satisfatório.
Vale salientar que “RED” é baseado na “graphic novel” de Warren Ellis e Cully Hamner, o filme é fiel à estética HQ, com cortes ágeis, enquadramentos elaborados e situações de ação no limite do impossível (eu não li o HQ, mas antes de expor minha crítica, procurei saber sobre sua produção e pelo que li sobre ele, o filme foi fielmente adaptado à história). Outro ponto positivo para Schwentke.
“RED” é um filme que não deve ser levado a sério, aquele filme feito para divertir, aquele filme produzido para todo tipo de público e que garante plena satisfação ao seu final. Um elenco estelar em nomes e em atuação, efeitos especiais espetaculares, e uma palavra pra definir e resumir o filme: correto!
Imperdível: nota 9,5
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Jogos Mortais - O Final (Saw 3D)

Em 2004, o serial killer Jigsaw (Tobin Bell) surgiu nos cinemas criando armadilhas mortais para pessoas que “mereciam” estar nelas. A idéia era testar a vontade de viver das vítimas por meio de escapes mirabolantes. O que mais encantava em Jigsaw era a inteligência de seus jogos e o fato de que, mesmo sendo um assassino, ele era acessível ao público e, de certa forma, simpático (hoje temos algo parecido em “Dexter”, apesar das diferenças). Nos quatro primeiros exemplares, foi possível presenciar diversos tipos de abordagem que os roteiristas ofereciam ao público. O inesquecível segundo filme, uma espécie de reality show forjado, talvez seja o melhor da série justamente por dar a sensação de que Jigsaw e seus jogos estão à frente até do próprio espectador.
Até o quarto filme, foi possível ver algo substancial na franquia. As armadilhas de Jigsaw realmente transformavam quem conseguia se livrar delas. É tanto que Amanda (Shawnee Smith) foi uma fiel seguidora, porém seu descontrole fugiu dos princípios de seu mestre: as armadilhas que ela criava eram praticamente impossíveis de escapar. Então, até por um princípio lógico do argumento da série, ela não seria a pessoa mais adequada para substituir Jigsaw após sua morte. Então apareceu Hoffman, um policial violento que entra no comando dos jogos mortais. A falta de carisma o transformou em um assassino sem muito atrativos. O que podemos ver neste sétimo filme é que ele, assim como Amanda, não é uma pessoa adequada para orgulhar Jigsaw, já que ele é apenas mais um assassino que não vê problemas em matar.
Hoffman monta os jogos baseado nos princípios de Jigsaw, mas ainda assim mata aleatoriamente. Talvez isso tenha prejudicado essa tão desgastada franquia que, em “Jogos Mortais 7”, prova que não tem mais para onde ir (apesar de que bilheteria alta sempre faz surgir mais um novo filme). Em Jogos Mortais 7, Hoffman se vê ameaçado por Jill (Betsy Russell), que o denuncia para a polícia. Em paralelo, ele monta um jogo sequencial, assim como utilizado anteriormente, para Bobby Dagen (Sean Patrick Flanery), que atingiu fama e fortuna após lançar um livro mentiroso sobre ter sobrevivido aos jogos de Jigsaw. É possível destacar que mesmo tendo uma franquia já desgastada, podemos notar que certos aspectos ainda tornam a franquia atrativa, as armadilhas são as mais violentas e inteligentes da série, a sacada de colocar no jogo um falsário e mentiroso que quis ganhar a vida em nome de Jigsaw também foi eficaz, e o final do filme nos garante uma surpresa, um personagem “esquecido” nos longas anteriores e que volta de maneira inesperada, proporcionando um final com gostinho de satisfação. Um outro destaque da trama é a adaptação para o formato 3D, onde obviamente temos sangue e pedaços de corpos jorrando na cara do espectador, e, apesar de pouco utilizado, o resultado de sua utilização foi bastante eficaz. Aqui é interessante ressaltar que vemos um bom trabalho na criação das perspectivas dos cenários e dos efeitos visuais de determinadas cenas, ainda que a tecnologia não tenha sido muito explorada no longa.
É notável também que o diretor Kevin Greutert está mais familiarizado com o cargo, apesar de ainda não ter momentos muito inspirados e que possa dar um novo fôlego à franquia. As atuações, como sempre, são expressivas apenas por exigir dos atores um pouco de pânico quando estes forem vítimas de uma armadilha. Tobin Bell (Jigsaw) faz uma ponta até interessante, mas não causa, assim como nos últimos filmes, aquela sensação de nostalgia e competência que demonstrou nos primeiros filmes e neste aspecto acho que o filme falhou, pois seu principal protagonista teve uma atuação rasa e pouco significativa.
Ao final deste final, que talvez não seja o final mesmo, o que nos resta é lamentar que não haja mais fôlego para a franquia. O público “vouyer” que gosta de ver armadilhas bizarras e muitos miolos na tela é o que impulsiona a boa bilheteria que, de qualquer forma, a série acaba arrecadando. Entretanto as grandes surpresas e reviravoltas mirabolantes já não existem mais. Resta apenas aos fãs de Jigsaw a melancolia de que um dia já foi muito bom assistir “Jogos Mortais”. Hoje a franquia busca fôlego somente na bilheteria do longa, pois aquele “boom” ou surpresa inicial já não existem.
Em suma, Jogos Mortais 7 pode ser considerado um bom filme se visto isoladamente, pois ainda assim nos oferece alguma surpresa ao longo da projeção, porém, se visto na visão da franquia como um todo e consequentemente uma continuação, podemos considerá-lo como inferior aos 3 primeiros. É até superior ao 4, 5 e 6, mas não mais impressiona pelas subtramas e seu desfecho, impressionando-nos somente pela criatividade no quesito armadilhas. Mesmo assim, vale uma conferida. Eu gostei, pra quem é fã da franquia, viu os filmes anteriores e tem estômago forte, é recomendável sim.
Nota 8
sábado, 30 de outubro de 2010
Piranha 3D (Idem)

No cinema existe uma grande diferença quando um diretor acredita fielmente que está filmando uma obra-prima e o resultado acaba sendo um filme trash ou quando o mesmo cria uma obra sem pretensão e tentando realmente ser trash. O segundo exemplo é o que acontece com o divertido Piranha 3D, remake do filme dos anos 70, que agora ganha uma nova versão tridimensional nas mãos do sanguinário diretor francês Alexandra Aja (Viagem Maldita, Espelho do Medo).
Em Piranha 3D temos como pano de fundo para o ataque das piranhas uma combinação perfeita que envolve sol, música, cerveja e mulheres de biquíni, aliado à estes aspectos, um feriado à margem de um lago. Até aí tudo bem, tudo perfeito, porém, um terremoto abaixo da superfície liberta um cardume de piranhas famintas, e quando o perigo vem por debaixo d'água não há como se prevenir. Agora, a policial Julie Forester (Elisabeth Shue) terá que fazer de tudo para interditar o lago e impedir que toda a galera se transforme em comida de peixe.
Desde a cena inicial após a participação especial do ator Richard Dreyfuss com o primeiro ataque (“mal feito”) das piranhas e o conseguinte surgimento do logo do filme que parece ter sido produzido na mesma época do original de tão tosco, já nos levam a pensar que tudo isso é realizado a fim de deixar claro que estamos à frente de um novo clássico trash.
A história se divide em duas situações, por um lado temos o filho da xerife local, Jake (Cody Kennedy) que deixa seus irmãos menores sozinhos, para poder auxiliar um diretor (Jerry O’ Connell) de filme pornô e suas modelos interpretadas pelas sensuais (impossível classificá-las de outra maneira) Kelly Brook e a atriz pornô Riley Steele, além da desnecessária personagem Kelly (Jessica Szohr), o amor adolescente de Jake. Em uma das cenas Jake presencia Kelly Brook e Riley Steele dançando e nadando peladas no mar, com direito a música clássica na trilha sonora, cena que já entrou para a história do cinema, seja para o bem ou para mal, dependendo da sua visão.
Por outro lado a xerife Julie (Elisabeth Shue) está ao lado de uma equipe de pesquisadores tentando encontra no mar o local que aconteceu um estranho terremoto subterrâneo. Ao longo das investigações, Julie descobre com o auxílio de Goodman, interpretado por Christopher Llyod (De Volta Para o Futuro), que por causa do terremoto um cardume de piranhas pré-históricas foram liberadas no Lago Havasu. A xerife agora precisa esvaziar o lago lotado de jovens bêbados que estão curtindo suas férias antes que os banhistas virem comida para as piranhas.
Com tudo isso, temos um filme que vira uma mistura de terror com comédia, com uma longa (e impressionante) cena dos jovens sendo atacados pelas piranhas, com direito a muitas cenas de nudez (os adolescentes vão pirar), sangue e mutilações violentas e absurdas, como a de um pênis, na cena mais engraçada do filme.
Piranha 3D é diversão picareta e garantida, assumidamente vagabunda, porém talentosa. Alexandre Aja simplifica absolutamente tudo ao máximo: há uma explosão interminável de clichês sendo trabalhados e a história se justifica meramente como um embuste (há uma festa louca à beira da praia e uns malucos fazendo filme erótico num barco e uma policial tentando evitar que a galera vire comida de peixe,e é só isso) qualquer jogado em tela para montar uma narrativa que conecte as diversas cenas e imagens-chave, que vão desde as criativas e bem maquiadas mortes, cheias de sangue, triturações e desmembramentos, até nudez; pornografia; beijos lésbicos debaixo do mar; brincadeiras envolvendo bebidas derramadas em barriguinhas saradas em alto mar; beijos lésbicos em alto mar; personagens fazendo filmes pornôs enquanto bebem e se drogam ao redor de um monte de mulheres semi-nuas e bêbadas; festas a beira-mar; tragédias a beira-mar; beijos lésbicos a beira-mar; e um romance mais picareta que o próprio filme.
Tirando tudo isso, é verdade, não sobra nada. E nem precisava. Piranha 3D assume-se como um genuíno filme trash e Aja é extremamente habilidoso em lidar com todos estes elementos, fazendo um filme objetivo e dinâmico e que consegue divertir com facilidade àqueles que embarcarem na brincadeira. Não alça vôos maiores justamente por se minar de tantos elementos cômodos do cinema trash, mas faz justiça contra aqueles que sempre enxergaram o original como sendo um produto superficial de segunda linha com as muitas “pancadas” que recebeu.
Piranhas 3D não foi rodado e sim convertido para 3D, obtém com essa opção o pior resultado possível e isso é realmente uma pena. Apesar das cenas terem sido criadas obviamente para causar impacto quando em 3D, por causa da péssima conversão em alguns momentos as imagens parecem embaçadas. Para tornar o filme ainda mais cômico a cena que funciona melhor em 3D é na cena das mulheres nuas.
Piranha 3D é uma mistura dos filmes de terror do passado e do presente, ao mesmo tempo que mantém seu lado cômico na medida certa, diversão certa para quem for assistir sem expectativa de ver um grande filme e tiver estômago forte. Posso dizer que Piranhas 3D foi um dos filmes mais violentos que assisti e certamente foi feito pra impressionar objetivando assim fazer jus à sua temática trash, por isso o recomendo somente a quem tiver “estomago de ferro”.
Uma ótima pedida, Aja se mostra mais uma vez um diretor talentoso, conseguindo alcançar ótimo resultado no trabalho que se propôs a realizar, gostei, nota 9!
domingo, 24 de outubro de 2010
Atividade Paranormal 2 ( Paranormal Activity 2)

O primeiro filme da agora franquia “Atividade Paranormal” veio com uma idéia bacana, uma produção simplória e uma realização que funcionou muito bem. O longa atingiu um nível claustrofóbico interessante, que obrigou o espectador a necessariamente embarcar na experiência proposta pelo mesmo. Ainda assim, tivemos um bom material para trabalho que foi desperdiçado com uma duração desnecessária da projeção, e os quase inexistentes sustos, para uma produção que ao menos se vendia como assustadora. Mesmo assim, os poucos momentos de sustos são compensados pelos momentos de tensão e medo e a conexão entre essa tríade garante um filme surpreendente e que chama a atenção do público aficcionado à filmes do gênero.
Após uma boa aceitação do público e uma imensa rentabilidade, obviamente se providenciou a continuação do filme, que aparentemente seria uma história independente daquela mostrada no primeiro longa. Justamente aí que reside um grande ponto positivo desse segundo filme: A forma como ele se relaciona com o antecessor. Ainda que seja uma sequência “avulsa”, com outro foco e outros protagonistas, o “link” que é construído paralelamente à história previamente apresentada é feito minuciosamente e acresce de maneira interessante a ambos os filmes. Somente aí já temos uma construção narrativa respeitável. A ligação entre os dois filmes é muito bem descrita e articulada, e explica de maneira simples, porém detalhada, o que são as “atividades” e porquê acontecem.
O longa ainda investe em uma das questões mais pertinentes em filmes do gênero: A identificação com o espectador. Ele traz uma história bastante crível que discute os famigerados jogos envolvendo contatos com espíritos, amplamente difundidos entre o público mais jovem. E toda a história que precede a cronologia da trama, é contada por meio de diálogos deslocados que exigem do espectador a mínima capacidade para interpretar a tal história prévia em questão. Portanto, é fundamental que o público assista ao primeiro filme.
Mas o grande trunfo da sequência é justamente o seu foco principal. “Atividade Paranormal 2″, assim como o primeiro, aposta no medo e na expectativa, e não no susto em si. Aqui temos também um material bem mais aterrorizador que no primeiro. É interessante ver a reação das pessoas na sala de projeção. Os sustos e gritos vinham nas horas adequadas, mas em outros momentos algumas risadas deslocadas eram ouvidas. Galhofa? Talvez. Mas prefiro imaginar que era a maneira que o público tinha para expressar tamanho nervosismo e suspense. E ainda que os possíveis sustos tenham sido frustrados por diversas vezes, o que exemplifica um dos grandes defeitos dos dois filmes, em especial o primeiro, esse segundo nos compensa com um olhar acerca da reação dos personagens, traçando um paralelo direto com as próprias pessoas da sala de cinema.
O longa conta com uma boa equipe de atores, na qual curiosamente todos os personagens têm o nome dos seus respectivos intérpretes. Essa equipe tem uma dinâmica interessante, que transmite para as telas grande naturalidade nas cenas, o que torna mais crível as discussões e dilemas das personagens. Defendo ainda que o longa seja dividido em duas partes: A primeira seria como as pessoas evitam afirmar esses acontecimentos, analisando a incredulidade, medos, e até mesmo questões religiosas, e em segundo seria como elas reagem quando comprovam a existência efetiva dos mesmos, discutindo inclusive os limites da integridade moral dos personagens em questão.
O filme não tem recursos fotográficos rebuscados e sua técnica visual é “rasteira”. Destaque para uma sequência onde uma “handycam” assume a primeira pessoa, e anda à noite pela casa; além de uma cena no final, que usa novamente na técnica utilizada em “O Silêncio dos Inocentes” e o mais recente “REC”. Conivente com a narrativa, temos seis câmeras estáticas que captam grande parte dos acontecimentos, o que funciona por justificar as algumas gravações do filme, mas que acabam sendo por vezes, repetitivas. No entanto, esta repetição não chega a ser cansativa e é até importante para garantir o clima de terror, medo e tensão que crescem a cada minuto.
A edição e montagem seguem a lógica da direção, que preza por frustrar os sustos durante grande parte da projeção com planos que são inúteis se analisados de maneira emergencial, mas que gradativamente são responsáveis por introduzir as cenas que exigem mais técnica, que aparentemente são construídas sem o auxílio de qualquer tecnologia digital. O quesito sonoro auxilia bastante no clima que se pretende criar e a simples inserção do som ambiente já é grande responsável pela tensão criada, que acaba evidenciando cada pequeno ruído presente na claustrofobia da residência.
Bem provavelmente eu tenha observado muitos aspectos que talvez não se encontrem tão efetivos quanto são, como quando analisamos minuciosamente as entrelinhas da história. Mas se conseguimos obter tantas camadas de interpretação, é porque ainda que indiretamente, o filme dá vazão para tal. Mas o mais interessante é o seguinte: Quando a projeção terminou, os créditos rolaram com sons e ruídos bastante peculiares, mas os espectadores começaram a especular o porquê que as luzes não acenderam. Fui até um funcionário do cinema e perguntei o motivo, e ele me avisou que foi uma exigência da distribuidora, bacana né? Isso significa que o filme se leva e é levado a sério. E só nisso ele merece, ao menos, respeito.
“Atividade Paranormal” 2 é filme feito para aqueles que gostaram do original. Recria o formato sem inovar em nada, mas novamente conseguindo gerar tensão e principalmente medo (muito mais comparado ao primeiro). É um filme de espera, onde os pequenos movimentos incomodam mais pela expectativa do que está por vir do que propriamente pelo que acontece. Além disto, sua história é melhor desenvolvida do que no primeiro filme, que possuía diversas cenas que passavam a impressão de ali estarem apenas para ocupar espaço. Um ótimo filme, que acrescenta dados importantes e coerentes para a franquia como um todo e deixa um final predispondo à novas sequências. Se a qualidade dos futuros filmes for mantida, que venham novas continuações!
Bastante recomendável, principalmente aos fãs do gênero suspense/terror. Por outro lado, não recomendável à pessoas que se impressionam facilmente e tem medo de assuntos envolvendo espíritos!
Nota 9
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Tropa de Elite 2 - O Inimigo agora é outro

Lançado em 2007, “Tropa de Elite” se tornou um dos maiores ícones da cultura pop brasileira no século XXI. Vítima de uma polêmica sem precedentes envolvendo a pirataria no país, o longa conquistou uma legião de fãs, que repetiam nas ruas jargões que viram no cinema (ou, infelizmente, no computador), como “pede pra sair”, "nunca serão", “faca na caveira”, "o sr. é um fanfarrão" e muitos outros.
"Apesar de possíveis coincidências com a realidade, este filme é uma obra de ficção". É desta forma que inicia “Tropa de Elite 2”, fenômeno antes mesmo de estrear. Em parte pela popularidade do filme original, que eternizou personagens e bordões no inconsciente coletivo nacional, mas não apenas isto. O grande atrativo de “Tropa de Elite” era a denúncia ao “status quo”, à corrupção que permeia a polícia e faz com que ela aja de forma ineficiente e truculenta. Somado a isto, há a criação de um salvador, um ícone que surge para "limpar a cidade": (grande)Capitão Nascimento. Os meios brutais os quais usa nada mais são do que reflexo da sociedade atual, que os aceita por não mais crer em soluções pacíficas. É dentro desta realidade, e sabendo explorá-la, que o diretor José Padilha conduz a história de seu novo filme.
Padilha aprendeu muito desde o primeiro “Tropa de Elite”. Ousado ele é desde “Ônibus 174”, o corajoso documentário que dá um caráter sociológico ao sequestro ocorrido no Rio de Janeiro em 2000. Acusado de fascista, ele agora brinca transferindo a acusação ao personagem principal da série. Só que, mais do que rebater as críticas que recebeu, Padilha as amplia. Deixa o reduto carioca do BOPE para tratar de política, partindo do Estado do Rio de Janeiro para alcançar o país ( oooo maraviha, Padilha: VC É O CARA, hehe). É exatamente neste ponto que Tropa de Elite 2 atinge sua grandiosidade.
O filme começa situando o espectador em relação aos personagens sobreviventes. Nascimento (Wagner Moura, mais uma vez incorporando de forma brilhante o personagem) permaneceu no BOPE, mas logo o deixa para cumprir uma função na Secretaria de Segurança Pública do Estado. Acreditando ser esta sua grande chance de "quebrar o sistema", como o próprio diz, embarca com unhas e dentes na difícil empreitada de derrotar o tráfico de drogas. Consegue. Só que a realidade brasileira, como bem dizia Tom Jobim, não é para iniciantes. Mesmo uma “raposa” experiente como ele não podia contar com as “mutações” do sistema para que tudo permanecesse como está. E é justamente a revelação destas “mutações”, em caráter muito mais amplo do que simplesmente a questão de segurança pública, que faz de “Tropa de Elite 2” algo muito maior do que um mero filme.
Padilha conseguiu tratar de assuntos complexos e delicadíssimos (acredito que até para sua própria segurança) de forma coesa e coerente. Não há como não reconhecer vários dos personagens e situações retratados a partir do que se vê na vida real. “Tropa de Elite 2” é, em vários momentos, um documentário rodado com atores, o que lhe dá uma importância ainda maior. É o cinema denúncia, expondo uma situação calamitosa a qual se prefere fechar os olhos por comodismo ou interesse.
A corrupção da polícia, assim como no primeiro filme, ainda é abordada, mas agora é vista como ferramenta de um jogo de poder muito mais complexo. O lançamento do filme em período eleitoral (outubro de 2010) é sintomático, uma vez que podemos ver que os políticos retratados na produção não são muito diferentes dos que foram eleitos para cargos públicos recentemente. Alguns dos personagens, inclusive, são praticamente cópias de candidatos reais, mas não nos cabe aqui dar nome aos bois.
Em meio a questões sobre direitos humanos, política eleitoral e o impacto dos atos de Nascimento junto à população, “Tropa de Elite 2” traz de volta o sarcasmo do primeiro filme. Desde provocações como chamar o esquerdista Fraga (Irandhir Santos, impecável) de "Che Guevara" até constatações diretas e secas, como "os chefes do tráfico em Bangu I não foram mortos porque tinham grana para perder", o filme é repleto de belas sacadas que já fizeram a alegria dos fãs do filme original. Se não tem a mesma quantidade de frases marcantes, trata de forma coerente e realista todos os personagens, dos mais importantes aos de menor destaque no filme original. Méritos para Bráulio Mantovani, “monstro” em matéria de roteiro no cinema nacional.
Mantendo os mesmos acertos do primeiro longa no que diz respeito à fotografia, edição e trilha sonora, “Tropa de Elite 2” possui ainda a qualidade de se provar complexo. O filme, e o problema da violência no Rio de Janeiro e outras grandes cidades no Brasil, não pode ser explicado em poucas linhas e, por isso, a opção de fazer uma continuação para mostrar outra vertente da questão é absolutamente memorável.
É claro que algumas sequências, em especial as de ação, irão lembrar “Tropa de Elite”, mas este segundo filme tenta ao máximo evitar a redundância. Busca-se inclusive modificar um pouco as sequências de tiroteio e invasão de favelas para não parecerem mais do mesmo.
“Tropa de Elite 2” não é um documentário sobre o sistema ou um filme panfletário de denúncias, mas coloca o dedo na ferida em algumas questões importantes e se isso for o suficiente para estimular a reflexão o filme já terá cumprido seu propósito. É claro que o filme pode ser visto apenas como um thriller político de ação, mas é muito mais do que puro entretenimento.
“Tropa de Elite 2” é um excelente filme. Só isto já é motivo mais do que suficiente para assisti-lo, mas desta vez José Padilha foi mais longe. Conseguiu, a partir de um mero filme, convidar o espectador a rediscutir o Brasil como sociedade, como proposta viável de país. Sem apresentar soluções, apenas retratando a realidade. Talvez não seja tão bom quanto o original, mas com certeza é mais importante, pelo que representa para o cinema brasileiro e, acima de tudo, para o país.
Uma exibição lotada, uma platéia inflamada que durante vários momentos aplaudiu à sessão calorosamente e um parágrafo resumitivo para retratar o que achei sobre “Tropa de Elite 2”:
Um filme corajoso, audacioso e muito, mais muuuuuuuito polêmico... como eu queria que todo o sistema assistisse a este filme.... sei que é uma obra de ficção e pouca coisa mudará na vida real no que diz respeito à “máfia” que envolve nossa sociedade e principalmente nossa política, porém, a ferida foi cutucada e isso já é algo importante e significativo!!
Junto de "A origem", "Tropa de Elite 2" é o melhor filme do ano!
Nota 10!!
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
O Último Exorcismo ( The Last Exorcism)

Filmes de terror são os meus prediletos e não pensei duas vezes para assistir “O Último Exorcismo” em sua estréia, até porque está recebendo boas críticas e trata-se de uma temática sempre muito polêmica e muitas vezes oculta em nossa sociedade. “O Último Exorcismo” é filmado através de uma câmera rústica de mão, com o intuito de fazer de conta que há veracidade naquilo que está sendo mostrado, proporcionando maior realismo à situação e provocando mais medo e sustos ao público alvo. O filme até consegue provocar momentos de medo e sustos, porém, falha nos quesitos explicação dos fatos e roteiro, oferecendo-nos um resultado final previsível e decepcionante.
O reverendo Cotton Marcus (Patrick Fabian) decide filmar seu último exorcismo. A escolhida para a última prática dele é a inocente Nell Sweetzer (Ashley Bell), filha de Louis Sweetzer (Louis Herthum), um perturbado senhor e fanático religioso. Inicialmente, Marcus propõe revelar as mentiras que envolvem a prática tantas vezes feitas por ele, mas logo a situação que ele achava ter domínio sai de controle ao ponto de causar dúvidas sobre a existência de demônios até mesmo no experiente reverendo. Apesar do enredo previsível, vemos que este se encaixa direitinho com o tom da história e até consegue envolver, porém, alguns furos no decorrer da história acabam estragando tudo.
A direção é do desconhecido Daniel Stamm, que tem um desempenho superior a sua popularidade. Ele usa e abusa das técnicas de filmagem e as utiliza de forma ousada e oportuna. Além da câmera nervosa que treme exaustivamente, temos traços amadores utilizados de forma pensada que, dentro do contexto da obra, acrescentam muito ao trabalho. Uma das cenas mais interessantes é a que a menina tomada pelo demônio pega a câmera e saí desesperada. O efeito da cena é aterrorizantemente válido principalmente pelos sustos causados. Assim, o longa utiliza a seu favor um fato que o prejudicaria inicialmente.
O artifício de se utilizar a câmera caseira é um recurso que definitivamente funciona bem no filme. Fica a sensação de que o susto pode surgir a qualquer momento e isso acontece até mesmo quando a câmera não está captando as imagens mais aterradoras que deveria captar. A rusticidade na imagem muitas vezes desfocada, aliada aos “closes” no rosto de Nell, geram momentos de tensão e sustos em alguns (poucos) momentos. Poucos momentos de sustos? Sim. Eis outro aspécto negativo do filme. O orçamento de “O Último Exorcismo” girou em cerca de 1,8 milhões, valor ínfimo comparado a outras produções do mercado cinematográfico mundial, sendo assim, observamos um trabalho com poucos recursos no quesito efeitos especiais, visuais ou ainda sonoros e na minha visão, os momentos de tensão, sustos ou medo, não foram maiores por isso. Não que esses aspéctos sejam essenciais para se fazer um bom filme, mas no caso de “O Último Exorcismo” fizeram falta, pois estão praticamente ausentes e os poucos momentos de tensão que a película nos oferece está exclusivamente associado à maneira com que a câmera é conduzida, através de seus closes, fechamentos e “tremeliques”. Deste parágrafo dá pra se tirar uma crítica positiva: o mérito de gerar medo e tensão através da ação exclusiva de uma câmera de “baixa qualidade”, e uma crítica negativa: o pouco recurso financeiro destinado ao filme, e a conseqüente ausência de maiores recursos técnicos que poderiam proporcionar ainda mais momentos de sustos, advindos do medo e tensão.
Do desconhecido elenco destacam-se três integrantes cruciais para a história. O primeiro é Patrick Fabian, que encarna o falso reverendo e lhe dá uma esperteza bem interessante à proposta do personagem. A segunda é a menina “endemoniada” (Ashley Bell). Ela inicialmente é frágil e meiga, depois é inescrupulosa e cínica. Quando boazinha, ela não convence, mas no lado ruim ela se supera. O terceiro é o pai (Louis Herthum) da menina que é cercado por seu fanatismo e por um mistério que perdura toda a obra. E ainda tem a produtora da filmagem feita por Iris Bahr que, embora esteja em quase todas as cenas, aparece em poucas e nada acrescenta à trama.
O roteiro (de Huck Botko e Andrew Gurland) é um tiro no pé do filme. Até se constrói um ambiente pensado e realista que impressiona por sua eficiência quanto ao gênero, porém, logo em seguida, a dupla de roteiristas estraga tudo com a história do “666” nas paredes e com o desfecho que não merece nem comentários. Percebe-se a frustrada tentativa de repetir os finais de outros filmes que deram certo, no entanto tal estratégia não funcionou.
A fotografia do longa é boa à medida que explora o lado obscuro da história, além de utilizar o baixo orçamento a seu favor. É mais válido explorar com detalhes uma casa caindo aos pedaços situada em um lugar deserto e aterrorizante. Além de ser mais realista, é muito mais econômico. A cena quando o reverendo chega ao local onde praticaria o ato é bem lenta e descritiva. Ela dá uma importante introdução do cenário isolado da obra. Destaque também para o bom aproveitamento das cenas noturnas, das cores escuras e da cor vermelha. Esta última é perceptível na sequência em que a menina sai com a câmera.
O tom metalinguístico da película se inspira em uma tendência nas obras de terror mais bem sucedidas nos últimos anos. O fato de ser filmada dentro de uma filmagem é estranho, mas até que funciona. O maior exemplo disso é “Atividade Paranormal”, que muita gente acredita até hoje que são cenas reais. Em determinada cena, a imagem do espelho mostra o câmera que é totalmente descartado da história. Ele a filma, mas não fala. Já a produtora aparece em poucas cenas apenas para o público não esquecer a contextualização da obra. Algo que não caiu muito bem, diga-se de passagem.
“O Último Exorcismo” impressiona por sua beleza visual perante a um baixo orçamento. Um filme que utiliza sua deficiência como uma oportunidade e, embora cause alguns (poucos e bons) sustos durante toda sua exibição, o andamento da história deixa uma impressão aquém do que merecia. Destaques para o aspécto visual e pela maneira com que a “filmagem caseira” foi conduzida, como críticas negativas (e pra mim são as principais) coloco o roteiro e o desfecho, amplamente previsível e decepcionante.
Nota 6
terça-feira, 21 de setembro de 2010
REC 2 - Possuídos (REC 2)

Fui ao cinema ver “REC 2” com muita expectativa, até porque o primeiro filme foi uma surpresa pra lá de agradável, com uma história original, muito bem articulada e construída. Apesar de “REC” ser muito bem feito, a origem de todos os eventos era apenas intuída, e não explicada, e imaginei que iria ficar por isso mesmo, porém, para minha surpresa, fui deliciosamente enganado. “REC 2” se não é melhor que o primeiro, é tão bom quanto e o melhor: explica várias pontas abertas do primeiro filme.
“REC 2” acompanha a entrada de uma equipe da força policial no prédio cenário do filme anterior, alguns minutos após sua famosa última cena. Na tentativa de solucionar o mistério que envolve o prédio e deter a proliferação do vírus para as ruas de Barcelona, a polícia tenta, sob os comandos de um padre pouco ortodoxo, capturar amostras de sangue daquela que seria a primeira infectada do lugar. E então entendemos que a agressividade dos mortos-vivos não é resultado de experimentos falhos, mas sim da possessão demoníaca de uma das moradoras do local.
O filme tem alguns furos no roteiro e isso pode atrapalhar um pouco o andamento da trama. Por exemplo: É colocado que a possessão é transmitida via sangue ou outros fluídos, através de um vírus. Como poderíamos imaginar que uma pessoa poderia “transmitir o demônio” à outra via contato sanguíneo através de um vírus? Apesar de ser um pouco incoerente de se imaginar tal ponto de vista, é importante destacar que o desfecho da trama dá uma explicação plausível para o que acontece dentro da casa e o furo citado anteriormente não é algo que derruba ou atrapalha totalmente o filme.
Os mesmos Jaume Balagueró e Paco Plaza, diretores do anterior, trazem mais uma vez o formato de filmagem em primeira pessoa e dão uma boa explicação sobre como, na história, esse formato se sustenta. Mas a sensacional sacada é justamente a origem das criaturas. Sem estragar a surpresa, pode-se dizer que é algo totalmente original e que essa revelação não compromete em nada a integridade do roteiro da primeira parte. Pelo contrário, complementa-o.
A tensão chega a reinar absoluta, com atores que esbanjam naturalidade e convencem que estão realmente aterrorizados. Os efeitos especiais permanecem em nível ótimo e a equipe técnica fez um trabalho sem igual de edição para comportar várias câmeras filmando ao mesmo tempo (sim, agora teremos mais de uma câmera) e sempre na cronologia exata dos acontecimentos, tudo muito bem articulado e explicado. Alguns ângulos utilizados pelo cinegrafista, sobretudo nos momentos em que a câmera é lançada ao chão por algum zumbi raivoso, são memoráveis pela originalidade e por acentuar o clima de medo. Em uma das sequências, entre as melhores do filme, acompanhamos o ataque de um zumbi pelas sombras projetadas em uma porta. Ponto positivo para a equipe dos diretores Jaume Balagueró e Paco Plaza. Além disso “REC 2” utilizou recursos, presentes também no primeiro filme, que acentuam a morbidez de algumas sequências: ausência de músicas, o silêncio e a captação de ruídos. Tais aspéctos são determinantes na propagação dos sustos e medos recorrentes.
Agora o grande mérito de “REC 2” é de ter conseguido dar continuidade ao argumento do primeiro filme, e o melhor: complementá-lo. É certo que “REC” é por natureza um filme de entretenimento, onde o grande objetivo é proporcionar ao espectador um leque de emoções fortes, capazes de levar a pessoa mais impressionável a abandonar a sala. No entanto, onde o primeiro se destacava, mais que o entretenimento visual gráfico, violento e extremamente “gore”, era na capacidade de envolvência do argumento. Neste segundo filme, esse setor específico e preponderante, é mais uma vez um triunfo. Balagueró e Plaza conseguem criar uma porção de novos personagens, que tal como no seu antecessor, possuem o dom divinal da ironia, sarcasmo, construindo um humor negro equilibrado com o medo psicológico e com a violência. Portanto, ao contrário de outros filmes do gênero, aqui nada é gratuito. A continuidade dada à história não repete a fórmula do original. “REC 2” transforma de forma inteligente as suspeitas que tínhamos do vírus do primeiro filme, em algo concreto. A ambiguidade sobre o que seria o vírus na primeira parte, oscilava entre o científico e o religioso, tal como muitas das dúvidas que o ser humano tem sobre variados temas ou acontecimentos da vida real. Jaume Balagueró e Paco Plaza metaforizam essa ambiguidade em “REC”, e proporcionam uma resposta igualmente ambígua em “REC 2” , mas ao mesmo tempo objetiva. Como? Misturando a ciência e a religião, transformando-a num elemento simbiótico. Do gênero: e se a ciência e a religião conseguirem ser um só? Eis mais um ponto positivo para Balagueró e Plaza.
“REC 2” não poupa nem as crianças dessa maldição e presenteia o espectador com um espetáculo de 85 minutos de horror, sangue, tripas, sustos, medo, tensão, correria e, o que é melhor, uma excelente história. Eu não esperava que seria tão bom quanto o original e sai do cinema satisfeito, pois trata-se de uma agradável surpresa. Aos fãs do gênero, altamente recomendável!
Nota: 9,5
sábado, 18 de setembro de 2010
Resident Evil 4 - Recomeço ( Resident Evil 4 - Afterlife)

Nunca tive contato com o game “Resident Evil”, mas através de amigos sei que se trata de um jogo bastante divertido e de certo modo, “viciante”. Pois bem, como não tive acesso ao jogo e muito fãs dizem que o filme não tem muito a ver com a sinopse do game, fico um pouco com um pé atrás pra falar sobre os filmes da série, até porque acredito que os fãs ferrenhos do jogo não devam se empolgar tanto com as histórias dos filmes, e portanto, muitos podem não concordar com meus comentários sobre o longa, onde no todo, apesar das falhas, o considero como um resultado positivo.
A sinopse de “Resident Evil 4 - Recomeço” é a seguinte: temos o mundo devastado por um vírus mortal, e Alice continua sua jornada para encontrar e proteger os poucos sobreviventes que restaram. Lutando contra a Corporação Umbrella (a criadora do vírus), a guerra se torna mais violenta e ela recebe ajuda inesperada de uma velha amiga.
Uma das críticas dos fãs do game refere-se à não aceitação do fato da protagonista da franquia ser uma personagem criada apenas para os filmes, mesmo sabendo que os filmes se tratam de adaptações, o que permite a criação e inserção de personagens e elementos que não estavam na trama dos jogos. É compreensível a crítica dos fãs, até porque quem é aficcionado ao jogo certamente espera a maior fidelidade possível no filme, algo que praticamente não acontece.
O roteiro em “Residente Evil 4” é o grande problema da trama, até porque notamos uma queda na qualidade se comparado, principalmente, ao primeiro filme da série, onde teve-se um roteiro mais bem elaborado, com uma boa dose de suspense e algumas cenas de ação, tratava-se de um suspense com zumbis. Os personagens tinham suas motivações expostas, e cada um deles era trabalhado para que houvesse, ou não, identificação com o público. Ao evoluir da franquia, os produtores usaram o clichê “mais é melhor”, e trocaram o gênero suspense por ação, limitando-se a estacionar a trama e o desenvolvimento dos personagens, sendo este aspécto, na minha visão, algo que atrapalhou o desenvolvimento da história. O suspense ficou um pouco pra trás, a ação desenfreada dominou a história, e os personagens, excetuando-se Jovovich, não devem cativar o público em momento algum. Resumindo, o diretor Paul W. S. Anderson, ao tentar entreter os cinéfilos que vão ao cinema em busca de simplesmente uma experiência desenfreada de ação, escreveu um roteiro raso e ainda mais superficial comparado aos outros filmes, com poucos diálogos e muita “adrenalina à flor da pele”.
Analisando ‘Resident Evil’ como filme, nesta quarta edição, podemos perceber que a protagonista vivida por Milla Jovovich é um dos maiores acertos da produção. A atriz conseguiu evoluir a cada filme, e neste se torna um dos melhores pontos da produção. Jovovich está a cada filme da série mais segura no papel e dá um show em cada cena, independente se o momento necessita de um “timing” dramático ou de uma mulher poderosa acabando com 200 zumbis, a cada novo filme da série, Jovovich sente-se mais a vontade em seu papel e com um perfil que denota ao espectador o seguinte pensamento: ninguém exerceria um papel tão perfeito ao contexto da trama como Jovovich. Assim como Jack Sparrow (Jonh Depp) é sinônimo de sucesso em Piratas do Caribe, Alice (Milla Jovovich) é o que fará com que sempre lembremos de “Resident Evil”.
Agora o grande mérito de “Resident Evil 4” diz respeito ao espetáculo visual proporcionado pelo 3d em associação às cenas de ação. A cena inicial, toda protagonizada por Alice e seus clones, é incessante. Logo no começo, percebemos que a ação vai correr solta durante todo o resto da projeção. E a promessa é cumprida: cenas espetaculares para usar o 3D, seja nos diversos slow-motions (acredite no “diversos”), no sangue dos zumbis voando em seu rosto e na luta contra o gigante Axeman, uma das cenas mais legais. Nossa, são cenas impressionantes, que arrepiam e nos fazem pensar que a tecnologia 3d é algo que não somente vislumbra nossos sentidos, mas nos proporciona também um sentimento de satisfação e de querer mais... mais filmes deste estilo.
Apesar dos defeitos no roteiro, principalmente no que se refere à sua superficialidade, “Resident Evil 4” é uma ótima pedida, e posso dizer que foi o filme que melhor assisti no que se refere à utilização do 3-D. Este recurso foi muito bem explorado e certamente irá impressionar ao público. Só pela enorme eficiência na utilização deste recurso, o filme já vale a pena! Gostei, nota 8,5!!
PS: Após os créditos finais, há uma cena adicional.
sábado, 28 de agosto de 2010
Karate Kid (Idem)

A superação, o “chegar lá”, vencer após uma jornada cheia de obstáculos são elementos fundamentais para a sociedade como um todo, sendo esta visão ainda mais importante e clara nos dias atuais diante das barbáries e sofrimentos que nos acometem. Não dá para pensar na cultura mundial sem passar por um sistema político-econômico que vende a idéia de mundo “possível” para todos os cidadãos, basta “apenas” lutar e confrontar todas as barreiras que impedem nosso crescimento e desenvolvimento como pessoas. Baseado nesta premissa, eis que surge o novo “Karate Kid”, remake do sucesso “Karate Kid – A hora da verdade” (de Jonh G. Avildsen, de 1984). Sai o Karate e entra o Kung Fu, então por que “Karate Kid”? Sinceramente não entendi o porquê do título ter se mantido. Não havia necessidade de se manter tal fidelidade, pois isto é obtido com precisão ao longo do filme.
A história base é a mesma do longa oitentista. Garoto se muda com a mãe para uma nova cidade e é ameaçado por valentões locais. Para ajudá-lo, surge um improvável instrutor de artes marciais que lhe ensina não só a lutar, mas também a ter respeito próprio e aos outros. Mas os desafios encarados pelo pequeno Dre (Smith) e seu mestre, Sr. Han (Jackie Chan), são bem mais complicados que as dificuldades enfrentadas por Daniel-san e Sr. Miyagi no original.
Nesta nova versão, Dre e sua mãe se mudam de Detroit para a China, tendo de lidar com o choque cultural e com um idioma bem diferente do seu. A ambientação atualizada também trouxe uma mudança óbvia na arte marcial praticada pelos personagens, agora sendo o Kung-Fu.
O roteiro do remake (de Christopher Murphey) é bem amarrado, equilibrando momentos que homenageiam o original e outros que dão a este filme sua própria identidade, sendo, pra mim, mais inteligente do que o original, tendo a capacidade de aprisionar o espectador em todas as situações emotivas. Por exemplo: quando o personagem Dre (Jaden Smith) finalmente aprende alguns golpes, “Karatê Kid” usa e abusa de um planejamento impecável referente à relação mestre-aprendiz-cenários e trilha sonora, sendo tal relação incapaz de nos deixar indiferente ao longo da trama, onde o sentimento de emoção é garantido em vários momentos. Problemas existem, assim como existiram no filme original, há alguns clichês um tanto inúteis na história, como o fato do romance entre Dre e Meiying (Wenwen Han) ser proibido pelo pai da donzela em dado momento, sendo este romance deveras prolongado, “roubando” momentos que poderiam dedicar-se mais às lutas ou treinamentos de Dre. Mesmo assim, na minha visão, este aspécto não atrapalha o andamento e preciosidade do filme.
O fato de Dre ser bem mais jovem que o protagonista do original nos ajuda a deixar Daniel-San de lado. No personagem, o pequeno Dre ( Jaden Smith) realmente age como uma criança, algo raro em produções norte-americanas. Smith traz carisma e vivacidade e transmite bem toda a inquietação e os problemas que Dre atravessa, mas sem perder o espírito infantil, agindo como um garoto de verdade, seja no seu tratamento com a mãe, com o seu mestre ou mesmo em seu jeito inocente e um tanto quanto inconsequente. Tais “defeitos” tornam fácil a identificação com o personagem, é uma atuação convincente e satisfatória que merece ser lembrada.
O pequeno segura o filme de maneira incontestável, além de ter uma ótima química com Han (Jackie Chan). O astro asiático, por sua vez, jamais tenta emular o amado Sr. Miyagi, transformando Han em uma pessoa de verdade, não em uma caricatura (algo que o próprio Miyagi havia se tornado no último filme da franquia). Chan, mais sisudo que de costume, não apenas passa a credibilidade necessária para o papel, mostrando as suas habilidades em uma curta, porém impactante cena de luta, como também convence nos momentos dramáticos, com seu personagem passando por um ótimo arco narrativo no filme, a atuação de Chan, pra mim, foi a de maior destaque no filme, conseguindo superar até a brilhante atuação de Smith.
As damas do elenco, a indicada ao Oscar Taraji P. Henson e a novata Wenwen Han, pouco têm a fazer, mas surgem bem no filme, sendo os grandes apoios e motivações de Dre. Destaco principalmente Henson, extremamente divertida e carinhosa em cena. Os antagonistas, o jovem arruaceiro Cheng (Zhenwei Wang) e o Mestre Li (Rongguang Yu), são estereotipados ao máximo, mas tal característica cai como uma luva para as intenções da história sendo contada, principalmente honrando o espírito dos “vilões” dos longas dos anos 1980. O elenco como um todo teve grande destaque e por isso coloquei a equipe de atores e atrizes como prioridade.
A produção é super caprichada. O diretor Harold Zwart faz um ótimo trabalho, determinando boas e interessantes transições entre as cenas (vide o corte entre a cena na quadra de basquete e a do apartamento), o diretor ainda utiliza muito bem a câmera de mão em dados momentos, imprimindo urgência em dadas sequências. Sim, existem eventuais exageros, como alguns momentos em câmera lenta, como a surra que Dre leva de Cheng e seus colegas, que simplesmente não funcionam, mas o cineasta acerta muito mais do que erra, também explorando com eficácia as locações em ícones que determinam cartões-postais chineses, como a Grande Muralha e a Cidade Proibida.
É importante ressaltar a fotografia do filme (de Roger Pratt), que acertadamente investe em cores quentes e em uma fotografia mais iluminada, contribuindo para o clima alegre do filme. A montagem é espetacular, conseguindo fazer com que os 140 minutos de projeção “passem voando”, imprimindo um ritmo perfeito à narrativa.
A trilha sonora da fita também é muito bacana, incluindo Lady Gaga e Red Hot Chilli Peppers. Não digo que todas as músicas da película são perfeitas, pois esta acaba com um dueto entre Jaden Smith e Justin Bieber, algo que, ainda bem, só acontece nos créditos. Por falar nos créditos, vale a pena aguentar o showzinho da dupla da escola só para ver as fotos da produção, uma tradição dos anos oitenta, que é honrada aqui.
Com uma história divertida, cativante e emocionante, além de contar com lutas bem coreografadas e atuações excelentes, “Karate Kid” é uma das surpresas do ano e irá agradar tanto aos fãs do original, quanto à nova geração. Confesso que àlgum tempo eu não tinha a sensação de me emocionar tanto no cinema como o fiz no remake de “Karate Kid”, foi difícil conter as lágrimas em pelo menos 3 momentos do filme, que é claro não vou citar aqui, rs. Além disso, após o fim da projeção, a sessão que estava lotada foi aplaudida pelos espectadores, algo que a muito tempo não vejo em salas de cinema, e isso mostra que o longa não só foi bem produzido e dirigido, mas também deve ser unanimidade por parte do público!
Nota 10!!!
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
A epidemia (The crazies)

Zumbis são sempre divertidos. Essa é uma premissa infalível para qualquer gênero de cinema ou época de produção. Seja enquanto rasgam um pescoço a dentadas, nos filmes de horror, ou quando aparecem com um naco de braço pendurado entre os dentes, nas comédias escrachadas; os mortos-vivos ganharam variações técnicas, físicas e intelectuais e tornaram-se garantia de um bom e fiel público.
Partindo de George A. Romero, maior expoente do gênero, os zumbis ganharam popularidade e caíram no gosto comum. Seu “A Noite dos Mortos-Vivos”, de 1961, entrou para a seleta lista de filmes trash cultuados pelo público, e suas características ainda influenciam produções recentes. Prova disso é “A Epidemia”, refilmagem do clássico “O Exército do Extermínio” (1976), quarto filme de Romero. Com roteiro semelhante ao original e exibindo um caráter técnico um tanto antiquado, essa nova versão é fiel ao seu antecessor e, justamente por isso, igualmente divertida
Em “A epidemia”, observamos a tentativa de fuga de quatro moradores de uma cidade do interior dos Estados Unidos. O xerife do local (Timothy Olyphant), sua esposa (Radha Mitchell), um policial (Joe Anderson) e uma adolescente (Danielle Panabaker) tentam escapar de um vírus espalhado pelo sistema de abastecimento de água da cidade. Ao mesmo tempo, precisam fugir dos seus vizinhos, transmutados em zumbis sádicos após a ingestão da água, e de um exército policial enviado pelo Governo para deter a proliferação do vírus para além dos limites da cidade.
Particularmente sou fã de filmes que envolvem zumbis e por isso fui assistir a “A epidemia”, esperando um filme repleto de clichês e situações comuns em filmes que envolvem mortos-vivos, pois bem, o filme é sim repleto de clichês e peca pela falta de inovação, porém, me surpreendeu pela forma em que a abordagem foi discutida e principalmente pela maneira em que a história se decorreu, culminando com um desfecho amplamente satisfatório. “A epidemia” ganha pontos pelas sequências eletrizantes e sustos bem distribuídos e posicionados na trama.
O filme já começa em grande estilo ao retratar em sua primeira cena a ação de um “homem” (pseudo-zumbi) invadindo um jogo de beisebol com uma espingarda, ameaçando as pessoas que ali estavam....não falo mais nada sobre a cena pra não estragar a surpresa que sucede-se. Eu citei esse trecho do longa para mostrar que já de cara, no início da projeção, o diretor Breck Eisner explora a temática “vírus-zumbis” de forma inesperada, através de uma situação que gera tensão e ansiedade no público, e isso continua a acontecer ao longo do filme, com momentos perturbadores e impactantes, através de um jogo de câmeras que em certos momentos apresenta-se de forma desfocada, proporcionando maior realidade à trama, com momentos sufocantes e bastante tensos.
O roteiro é enxuto, sem espaço para ramificações e narrativas paralelas. Vez por outra algum novo personagem ainda não infectado acompanha o grupo do xerife, mas sua participação é sempre limitada a poucos minutos de duração. E se a trama gira em torno de uma história simples e exaustivamente utilizada por outras produções, o que resta ao diretor Breck Eisner é apostar em cenas bem elaboradas de tortura e litros de sangue que escorrem como água, e é neste ínterim que “A epidemia” se destaca, através da criatividade e realismo do jogo e focagem de câmeras em praticamente todas as cenas do filme, principalmente àquelas mais tensas que envolvem fugas, mortes e ataques. É neste momento que Eisner e sua equipe de produção acertam em cheio, caracterizando um projeto que deve agradar aos fãs do cinema de horror.
As opções de enquadramento e ângulos de câmera remetem ao filme original de Romero, com suas sequências tremidas e imagens explícitas dos momentos de morte. Eisner soube conciliar o tradicionalismo técnico que já foi “testado” por Romero, com a atualidade do estilo que consagrou filmes como os da franquia “Jogos Mortais” e “O Albergue”. Por utilizar o que há de melhor nas duas épocas, o hibridismo técnico de Eisner funciona e garante dinamismo durante toda a projeção.
Destaco também a trilha sonora do filme, com a representativa música folk de Johnny Cash em seus minutos iniciais, e os acordes inquietantes elaborados para as sequências de tensão, dão o tom certo para a pacata cidade “caipira” vítima da barbárie de seus próprios moradores. A música também “embala” as fugas e o desespero dos personagens, carentes de uma boa interpretação por parte de alguns atores.
O protagonista Timothy Olyphant (David Dutton) não consegue escapar do amadorismo que permeia algumas atuações do cinema de horror. Embora seu personagem, o xerife da cidade, desperte simpatia imediata no público, sua interpretação não consegue atingir o equilíbrio exigido pela narrativa. Então, o que vemos é um excesso de expressões exageradas e caras retorcidas, que destoam até mesmo do clima naturalmente descomedido da produção, mesmo assim a atuação de Olyphant não chega a comprometer o longa.
O destaque vai para o trabalho seguro de Radha Mitchell (Judy Dutton) e Joe Anderson (Russel Clank). Os dois mostraram versatilidade para assumir papéis importantes em gêneros opostos. Ela já havia conseguido oferecer ao público atuações convincentes na comédia dramática “Melinda e Melinda” e no horror “Terror em Silent Hill”. Anderson, menos conhecido do grande público, participou do recente “Amélia” (filme que não assisti, mas na qual li comentários excelentes sobre a atuação do ator), e agora comprova seu talento em um gênero diferente.
“A epidemia” é uma grande surpresa do gênero, e apesar de mostrar uma temática já batida, oferece meios de intrigar o público através da sucessão de fatos e pela forma como são caracterizados e discutidos. Como um bom filme de zumbis, seu mérito está na caracterização dos mortos-vivos, nas sequências de fuga e nos inúmeros sustos bem espalhados por toda a narrativa, um filme tenso, que assusta, com cenas e mortes criativas, momentos de perversão e violência, situações de desespero e momentos aflitivos.
Um filme que certamente merece ser apreciado pelos fãs do gênero e que compõe uma grata e satisfatória surpresa! Altamente recomendado. Nota 9!
sábado, 21 de agosto de 2010
Os Mercenários (The Expendables)

É uma alegria e satisfação imensa ter vindo de uma sessão onde astros de filmes de ação dos anos 80 estão reunidos, eu simplesmente pirei, dividindo a mesma telinha estão: Sylvester Stallone, Mickey Rourke, Jason Stathan, Jet Li, Dolph Lundgren, e com participações especiais de Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis e por aí vai, uma constelação de astros que certamente nos marcou em alguma época de nossas vidas com seus de filmes de ação, recheados de explosões, tiros e batalhas. Que fã de filmes de ação não gostaria de ver tantas estrelas de filmes deste gênero reunidos em um só? Espetacular e apesar de alguns problemas, “Os mercenários” me emocionou ao me fazer lembrar dos filmes de duas décadas atrás envolvendo tais atores como protagonistas, filmes estes que marcaram minha vida e fizeram com que o gênero ação fosse um dos meus prediletos.
A sinopse é simples, “Os mercenários” conta a história de um grupo de guerreiros (mercenários), com o objetivo de se infiltrarem em um país da América do Sul e lutarem contra um cruel ditador, provocando sua queda, e assim libertando a população local.
Uma coisa que achei muito bacana em “Os mercenários” é o enfoque surpreendente, mas nem tanto, que Stallone dá ao filme: a questão da humanidade. É estranho que alguém faça uma fita de ação tão barulhenta que se preocupa de verdade com o íntimo de seus personagens. Não é estranho, por outro lado, que Stallone seja o diretor e co-roteirista dessa mistura aparentemente incompatível. Os filmes de seu personagem mais célebre, “Rambo”, são exatamente sobre o uso e desprezo de homens transformados em máquinas de guerra, ou seja, “descartáveis”, uma das traduções de “Expendables”.
Aqui, eles não tentam sair dessa vida, evitando apenas perder completamente a sensibilidade perante as atrocidades que acompanham seu ganha pão. O mais interessante arco dramático é o de Christmas (Statham), que culmina em uma cena que é boa não pela sacada bacanuda da bola de basquete, mas porque mostra que resta algo humano dentro do assassino. Mais impressionante ainda é a passagem em que o amigo dos mercenários, Tool (Mickey Rourke), relembra um evento de quando ainda aceitava missões. O monólogo traz uma angústia inimaginável graças à importância que o diretor dá ao instante e à sinceridade dilacerante do ator.
É também pelo senso de humor que os homens tentam provar que não são apenas “monstros”, como se vê nas reivindicações de Ying (Li). Ele não consegue, obviamente, já que quer mais dinheiro por motivos um tanto hilários e, por isso, precisa continuar sendo um mercenário. Poucos conseguem se afastar desse círculo vicioso de violência, e se Stallone realmente se preocupa com os que tentam, também não dá nada para Hale, Toll e Ying além de brutalidade, piadas espirituosas e camaradagem de bar.
Vale um importante destaque e menção às cenas de ação: lutas, tiros e principalmente explosões. São cenas muito bem produzidas e reais, vale mencionar aqui a cena do avião em que primeiro Christmas (Stathan) metralha do alto seus inimigos, e depois, com gasolina e fogo, acabam por dizimar os membros inimigos envolvidos na cena. Algumas cenas são violentas e até nos fazem lembrar do último filme de Stallone “Rambo IV”, mas isso não tira os méritos do filme, até porque a violência não é a prioridade ímpar do longa, pelo contrário, a ação violenta, divertida e ensurdecedora dá espaço para questionamentos muito bem inseridos e interessantes. As pausas são perceptíveis, especialmente na cena de Toll (Rourke) e no clímax, e não dá pra dizer outra coisa menos piegas: o filme prova ter um coração. É uma grata surpresa que uma constatação tão “sentimental” possa ser feita sobre a maior explosão de testosterona e adrenalina do ano.
Apesar de alguns problemas serem observados: As reviravoltas no roteiro são previsíveis, as cenas de ação um pouco aceleradas e “escuras”, os conflitos dos personagens são clichês... não podemos tirar os méritos de “Os mercenários”, até porque problemas como estes estão presentes frequentemente em filmes do gênero e mesmo assim estes filmes nunca deixaram de nos divertir e nos empolgar pela forma como são conduzidos e pelos desfechos, onde um herói derrota seu inimigo e torna-se o “rei” de um povo... isso tudo é clichê? Sim, e daí? Ao longo dos anos fomos crescendo, vendo e nos acostumando a filmes com essa premissa, e eu, pelo menos não tenho preconceito e não tenho do que reclamar, porque é um gênero que gosto muito.
É importante destacar também as cenas de humor, onde Stallone insere momentos engraçados, com declarações cômicas e brincadeiras que fazem o espectador gargalhar. As cenas de diálogos envolvendo Jet Li são quase todas hilárias, e o encontro entre Willis, Schwarzenegger e Stallone é marcante, uma cena séria e ao mesmo tempo provocadora de risos, encerrando-se com um ato (dizer) brilhante. Parabéns a Stallone, que além de explorar muito bem o lado humanitário do filme, nos garantiu também momentos de diversão. Stallone mostrou que filmes do gênero não precisam envolver somente violência, sangue, explosões e morte, uma pitada de humanidade aliado ao senso de humor, trazem grandiosidade maior à produção.
Um filme que recomendo, principalmente às pessoas que gostam do gênero ação. Não tem como perder um filme que envolve todos os astros de ação da década de 80, astros estes que fizeram parte de produções que marcaram nossa adolescência e nosso crescimento. Muuuito boom, é um encontro de heróis, onde a premissa “Um por todos, todos por um” é levada a sério, excelente!
Nota 9!!
sábado, 7 de agosto de 2010
"A origem" ( Inception)

Gosto de fazer minhas críticas logo após ver aos filmes, até porque consigo ter a idéia mais clara em mente para debater as nuâncias que cada história nos oferece. Porém, neste “A origem”, preferi relaxar, descansar e principalmente pensar, pensar muito, deixando assim, a crítica para o dia seguinte, a fim de que eu pudesse raciocinar, refletir e ir “digerindo” aos poucos a complexidade da trama.
Não é a toa que Cristopher Nolan é hoje, na minha opinião, o melhor e mais polêmico diretor de Hollywood, melhor porque em sua lista de filmes, 7 no total, 3 estão entre os maiores de todos os tempos (segundo lista do IMDb), polêmico porque suas temáticas são sempre muito detalhistas, profundas e principalmente “malucas”, são visões e pontos de vista capazes de gerar aquele tipo de sentimento 8 ou 80 no espectador, ou seja, ame ou odeie, os filmes de Nolan não tem o “meio termo”.
“A origem”, novo longa do diretor, é um filme que segue a premissa acima, mas acredito que a maioria do público vai amá-lo. É um filme não recomendado àquelas pessoas que buscam somente entretenimento, até porque a história é complexa e envolve extrema atenção a todos os detalhes, a ponto de que uma pequena distração pode nos levar a ter problemas de interpretação e entendimento. Sendo assim, recomendo extrema atenção ao filme, em cada detalhe e reviravolta.
E por que “A origem” é um filme difícil? Justamente porque é nele que Nolan expõe sua temática predileta de forma intensa, profunda e complexa: A temática da mente humana. Em outros filmes do diretor (Amnésia, Insônia e O Cavaleiro das Trevas) essa temática já havia sido explorada, porém, de maneira superficial. Em “A origem”, Nolan “esmiúça”, detalha e aprofunda a temática da mente humana e do inconsciente, inserindo o espectador em um universo completamente desconhecido e alternativo, uma viagem ao profundo do pensamento humano, a uma realidade subjetiva do protagonista da trama, ao mundo dos sonhos, ou ainda mais, ao sonho dentro de um outro sonho, como se fosse um reflexo de espelhos.
A sinopse é mais ou menos a seguinte: Cobb (Di Caprio) é um ladrão incomum, pois rouba os sonhos de suas vítimas. Os sonhos não no sentido de anseios e desejos, mas desses que se têm quando as pessoas dormem, pensamentos que repousam no inconsciente. Por meio de um aparato tecnológico, ele é capaz de invadir as mentes e tomar posse das idéias mais íntimas das vítimas. O personagem é contratado por um grande empresário (interpretado por Ken Watanabe) para, no lugar de roubar, implantar uma idéia durante os sonhos de seu adversário, vivido pelo ator Cillian Murphy. Para essa empreitada, Cobb recruta uma equipe de alta competência no assunto, a fim de construir as realidades oníricas e fazer o que bem entender com a mente adormecida de sua vítima.
A partir daí galera, a palavra de ordem é manter-se atento ao que acontece na telona, não só para não perder os detalhes da história, mas também pela tremenda experiência visual proporcionada pelo filme. Experiência visual? Já que estamos falando dela, então aqui vai minha primeira crítica positiva ao novo filme de Nolan. Sabemos que no mundo dos sonhos tudo é possível, a realidade do inconsciente humano é capaz de criar situações ou ambientes inimagináveis, e Nolan explora muito bem esta premissa, através da criação de cenários surreais, impecáveis e vislumbrantes. O fantástico design de produção se encarrega de dar vida a ambientes que, mesmo trazendo uma aparência sólida de realidade, freqüentemente surpreendem ao revelar níveis de insuspeita complexidade, como a “escadaria infinita”, o limbo arquitetado por Cobb ou a luxuosa edificação que abre a narrativa. É uma experiência fascinante, onde nossos olhos “agradecem”.
Um dos aspectos mais fascinantes deste intrigante conceito de invasão de sonhos ou ainda viagem ao inconsciente humano reside na idéia, perfeitamente explicada pela neurologia, que a identifica como um mecanismo de proteção do sono, de que fatores externos à mente possam influenciar os eventos presentes no universo onírico. Assim, sons, cheiros e movimentos detectados pela pessoa em repouso podem ser traduzidos em detalhes dos sonhos exatamente como o toque de um despertador muitas vezes é absorvido e transformado num som “reconfigurado” pela mente adormecida, algo que Nolan emprega ativamente no filme, por exemplo, ao trazer uma chuva torrencial como conseqüência da vontade do “sonhador” de ir ao banheiro ou, num dos melhores momentos da trama, ao enfocar um hotel que deixa de respeitar as leis da gravidade em função da situação caótica na qual se encontram as pessoas em cujos sonhos aquele prédio se encontra. E eis que neste ínterim, é válido novamente destacar a grandiosidade dos efeitos visuais do filme.
Outro grande mérito de “A origem” está no fato de não simplificar sua narrativa para o espectador, fazendo com que este conecte os fatos e fique atento aos detalhes. O longa envolve níveis diferentes de sonhos-dentro-de-sonhos (algo que fica claro na seqüência que abre o filme), também descobrimos que o tempo tem duração diferente dependendo da profundidade na qual os personagens se encontram. É uma obra complexa, porque além de manter a ação num ritmo constante e frenético, enfoca ações paralelas que se passam em ambientes com regras próprias quanto à duração dos eventos que abrigam. Mesmo assim, Nolan e sua equipe de produção esmiuçaram cada situação e detalhe, fazendo com que apesar de complexa, a narrativa se tornasse clara à medida que os eventos sucediam-se. Aliado à magnitude e grandeza do roteiro e efeitos, é importante destacar também a trilha sonora do filme, que confere uma atmosfera sinistra e sombria à trama, desde suas cenas inicias.
Contando com um elenco admirável, Nolan extrai de seus atores os atributos necessários para que cada personagem desempenhe um papel preciso e importante na história: DiCaprio (brilhante), surge tenso e gradualmente mais angustiado e inseguro à medida em que a projeção avança, ao passo que Joseph Gordon-Levitt, como Arthur, exibe uma firmeza de ação que mantém o público sempre convencido de sua competência e de sua importância para os planos do parceiro. Marion Cotillard, por sua vez, encarna, uma femme fatale que poderia ter saído diretamente de um noir, enquanto Ellen Page, como uma jovem que ganha a oportunidade de realizar o sonho de qualquer arquiteto (literalmente, neste caso), evita se tornar apenas a personagem “novata” que, como tal, é usada exclusivamente como recurso expositivo para esclarecer conceitos para o espectador; em vez disso, ela se torna peça importante ao fazer jus ao nome e auxiliar os demais em suas trajetórias dentro dos sonhos.
Outro fato curioso a se ressaltar é que Nolan faz inúmeras referências que precisam ser pensadas cuidadosamente. Um exemplo é o nome da personagem de Ellen Page, Ariadne, que é a responsável pela arquitetura dos sonhos. Na mitologia grega, Ariadne ajuda Perseu a vencer o Minotauro, auxiliando-o a se localizar em um labirinto. Ou seja, há uma agregação entre o mundo real, o mundo dos sonhos e o mundo das fábulas, tornando o universo do filme ainda mais complexo e intrigante.
Respeitando o espectador ao não insistir em interromper a narrativa periodicamente para mastigar os acontecimentos, Christopher Nolan mantém esta confiança até o instante final da projeção, evitando um desfecho auto-explicativo que simplifique e resolva tudo para o público que, assim, sairá do cinema discutindo ativamente o significado do que acabou de testemunhar (incluindo, claro, a cena final). Isto não quer dizer, porém, que “A Origem” não se resolva; a diferença é que, graças à complexidade de sua narrativa, o filme permite múltiplas conclusões igualmente satisfatórias.
A Origem junta-se ao seleto grupo dos filmes que exploraram com primor a mente e/ou universos paralelos e realidades alternativas, como “Matrix” e “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”. É um filme cheio de conceitos e passível de inúmeras leituras. É bem verdade que muitas dúvidas foram plantadas na minha cabeça depois de assistir ao filme, mas não tem problema, irei assistí-lo novamente para sanar estas questões (eis uma desculpa esfarrapada para ver mais uma vez esta obra-prima, este filme grandioso em todos os sentidos). O melhor filme do ano, um dos melhores que assisti em minha vida, um cult. “A origem” já entrou para a história como um dos maiores filmes de todos os tempos!
Nota mil? Como essa notação não existe, então dou dez! Brilhante, simplesmente: sensacional!
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