quinta-feira, 7 de julho de 2011

Transformers - O Lado Oculto da Lua (Transformers - The Dark of The Moon)


A franquia “Transformers” até que começou bem. Em seu primeiro longa, Bay garante um teor emocional interessante ao incorporar à história uma bonita amizade entre o menino (Labeouf) e seu amigo alienígena (bumblebee) em meio à guerra entre Autobots e Decepticons, ou seja, o filme tinha “alma” e não era dotado somente de explosões por todos os lados ou ainda piadas sem graças repletas de clichês. Infelizmente o que “Transformers” conseguiu através de seu carisma e simplicidade, foi jogado no lixo com suas duas sequências, atingindo seu auge de mediocridade em “Transformers (3): O Lado Oculto da Lua”.
“Transformers (3): O Lado Oculto da Lua” é um tipo de filme na qual as pessoas que adentram a sala escura precisam “desligar” seus cérebros, e se contentem somente com a técnica. Porque não há nada além de bom a ser apreciado na continuação da já fracassada franquia de Michael Bay.
Não que se esteja cobrando uma história inteligente, que intrigue e provoque reflexões. Mas uma trama plausível, minimamente interessante, que ao menos respeite um fato histórico, é o recomendável. Este ano, “X-Men: Primeira Classe” provou que isso é sim possível. No entanto, as pretensões de Bay fogem de qualquer interesse intelectual. Jogar seus robôs contra prédios, fazê-los se atracarem e se perseguirem pelas ruas, e ainda tentar tirar alguma graça disso tudo, é o medíocre e único objetivo do longa. Se você se satisfaz só com o que foi citado, “sorte” a sua. “Transformers 3” é a sua melhor opção nos cinemas.
Não que ela interessa, mas a sinopse gira em torno da já batida rivalidade entre Autobots e Decepticons. Desta vez, o roteiro (que até começa surpreendente, mas depois...deixa pra lá) de Ehren Kruger ousa utilizar em seu favor (o que acaba virando um boicote) a badalada ida do homem à lua, causada aqui pela queda de uma espaçonave vinda de Cyberton, o planeta dos robôs. Décadas depois, então, uma série de estranhos acontecimentos levam a inteligência americana, Optimus Prime e companhia a resgatar a espaçonave, que na verdade é Sentinel Prime. Mas tudo não passa de uma estratégia dos Decepticons. Para quê? Uma breve olhada no currículo do diretor dá o spoiler por si próprio(Uma dica: tátátátátátátátátátátátá pra todo lado, kkkkk).
Cineasta que melhor representa o lado negro de Hollywood (entenda como aquele preocupado exclusivamente com bilheteria), Michael Bay entrega um trabalho no padrão que vem estabelecendo desde “Os Bad Boys” (1995): correria seguida de correria, a qual coloca em jogo a vida de muita gente, quando não de toda a humanidade. Aqui ele surge mais descontrolado do que nunca. E o roteiro de Kruger coopera para tanto. É megalomaníaco ao extremo, ao ponto de trazer um dos mais longos e torturantes clímax finais dos últimos anos, encerrado da maneira mais óbvia possível. Quase 1 hora de clímax conclusivo, com uma poluição visual estenuante e que deve cansar até mesmo os admiradores ferrenhos de efeitos especiais e visuais, ou seja, até mesmo a parte técnica do filme é cansativa.
Se tiros, tiros e mais tiros não forem suficientes para você, satisfaça-se com lutas com alto grau de agressividade (entre robôs, claro) e estranhos vôos humanos. Sim, temos personagens humanos que voam entre prédios destruídos, escapando, claro, por um triz de um trágico destino. O triz, aliás, repete-se recorrentes vezes na película. Experimente contar quantas vezes o inimigo fica a um passo de sair vencedor. O “inesperado”, porém, faz questão de salvar os heróis. Na verdade, o trágico só acomete os infelizes coadjuvantes, com os quais pouco temos contato, evitando qualquer grande decepção emocional por parte do espectador. Ou seja, clichês, clichês e mais clichês, indefinidamente.
Em termos narrativos, o roteiro pode até surpreender inicialmente com a pretensiosa inclusão da histórica missão de Apollo 11, com reconstituições do espaço lunar e de pronunciamentos presidenciais que não fazem feio. O passar dos minutos, no entanto, revela que o uso do fato que deu início à corrida espacial foi feito em vão, sendo um mero utensílio comercial que não encontra diálogo com o restante da trama. Um verdadeiro desrespeito para com os envolvidos com esse reelevante fato da história americana. Um desperdício deixar de lado um fato tão marcante da história mundial em detrimento à premissa baseada nos sinônimos da palavra ação: correria, pancadaria, mortes e destruição.
Ao protagonista Sam (Shia LaBoeuf) é concedida uma participação menos relevante do que a das produções anteriores. Ele continua a se arriscar por seus amigos robôs, mas nada pode fazer, além de correr, quando toda a pirotecnia de Michael Bay toma conta do filme. Na verdade, Sam até possui alguma importância no primeiro ato, nos melhores momentos do filme, quando o roteiro exibe seus esforços para conseguir o primeiro emprego, enquanto a apaixonada namorada se sai bem melhor financeiramente do que ele. Por sinal, Rosie Huntington-Whiteley substitui sem prejuízos Megan Fox, porém, assim como Megan, não convence no papel de namorada do protagonista.
O elenco tem ainda um time de respeito, que costumava ser bem seletivo em suas escolhas até aceitarem participar de “Transformers 3”. Frances McDormand, John Turturro e John Malkovich escolhem as mais exageradas caricaturas para encarnarem seus personagens. Todos têm uma função cômica embaraçosa, tom que o roteiro insiste em incluir em demasia. Já Patrick Dempsey (o vilão humano protagonista) é responsável por um dos piores e, certamente, o mais previsível personagem do filme.
A única e obrigatória menção honrosa do filme se refere ao uso da tecnologia 3D nas cenas de ação, sendo este o filme já lançado que melhor explora tal tecnologia Nesse quesito, “O Lado Oculto da Lua” não só supera seus antecessores, como traz os mais embasbacantes efeitos já produzidos, que ficam ainda mais impressionantes em 3D. Destruindo Washington e, principalmente, Chicago, Bay usa e abusa da câmera lenta, a mesma velocidade de raciocínio que exige de seu público.
Tecnicamente irrepreensível, mas terrível como experiência cinematográfica, “Transformers – O Lado Oculto da Lua” conta com personagens demais, muitas subtramas, alívios cômicos toscos em excesso e um roteiro sem envolvimento emocional. É um ótimo comercial para os usos efetivos do 3D, nada mais que isso. Nota 5!