segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O Último Exorcismo ( The Last Exorcism)


Filmes de terror são os meus prediletos e não pensei duas vezes para assistir “O Último Exorcismo” em sua estréia, até porque está recebendo boas críticas e trata-se de uma temática sempre muito polêmica e muitas vezes oculta em nossa sociedade. “O Último Exorcismo” é filmado através de uma câmera rústica de mão, com o intuito de fazer de conta que há veracidade naquilo que está sendo mostrado, proporcionando maior realismo à situação e provocando mais medo e sustos ao público alvo. O filme até consegue provocar momentos de medo e sustos, porém, falha nos quesitos explicação dos fatos e roteiro, oferecendo-nos um resultado final previsível e decepcionante.
O reverendo Cotton Marcus (Patrick Fabian) decide filmar seu último exorcismo. A escolhida para a última prática dele é a inocente Nell Sweetzer (Ashley Bell), filha de Louis Sweetzer (Louis Herthum), um perturbado senhor e fanático religioso. Inicialmente, Marcus propõe revelar as mentiras que envolvem a prática tantas vezes feitas por ele, mas logo a situação que ele achava ter domínio sai de controle ao ponto de causar dúvidas sobre a existência de demônios até mesmo no experiente reverendo. Apesar do enredo previsível, vemos que este se encaixa direitinho com o tom da história e até consegue envolver, porém, alguns furos no decorrer da história acabam estragando tudo.
A direção é do desconhecido Daniel Stamm, que tem um desempenho superior a sua popularidade. Ele usa e abusa das técnicas de filmagem e as utiliza de forma ousada e oportuna. Além da câmera nervosa que treme exaustivamente, temos traços amadores utilizados de forma pensada que, dentro do contexto da obra, acrescentam muito ao trabalho. Uma das cenas mais interessantes é a que a menina tomada pelo demônio pega a câmera e saí desesperada. O efeito da cena é aterrorizantemente válido principalmente pelos sustos causados. Assim, o longa utiliza a seu favor um fato que o prejudicaria inicialmente.
O artifício de se utilizar a câmera caseira é um recurso que definitivamente funciona bem no filme. Fica a sensação de que o susto pode surgir a qualquer momento e isso acontece até mesmo quando a câmera não está captando as imagens mais aterradoras que deveria captar. A rusticidade na imagem muitas vezes desfocada, aliada aos “closes” no rosto de Nell, geram momentos de tensão e sustos em alguns (poucos) momentos. Poucos momentos de sustos? Sim. Eis outro aspécto negativo do filme. O orçamento de “O Último Exorcismo” girou em cerca de 1,8 milhões, valor ínfimo comparado a outras produções do mercado cinematográfico mundial, sendo assim, observamos um trabalho com poucos recursos no quesito efeitos especiais, visuais ou ainda sonoros e na minha visão, os momentos de tensão, sustos ou medo, não foram maiores por isso. Não que esses aspéctos sejam essenciais para se fazer um bom filme, mas no caso de “O Último Exorcismo” fizeram falta, pois estão praticamente ausentes e os poucos momentos de tensão que a película nos oferece está exclusivamente associado à maneira com que a câmera é conduzida, através de seus closes, fechamentos e “tremeliques”. Deste parágrafo dá pra se tirar uma crítica positiva: o mérito de gerar medo e tensão através da ação exclusiva de uma câmera de “baixa qualidade”, e uma crítica negativa: o pouco recurso financeiro destinado ao filme, e a conseqüente ausência de maiores recursos técnicos que poderiam proporcionar ainda mais momentos de sustos, advindos do medo e tensão.
Do desconhecido elenco destacam-se três integrantes cruciais para a história. O primeiro é Patrick Fabian, que encarna o falso reverendo e lhe dá uma esperteza bem interessante à proposta do personagem. A segunda é a menina “endemoniada” (Ashley Bell). Ela inicialmente é frágil e meiga, depois é inescrupulosa e cínica. Quando boazinha, ela não convence, mas no lado ruim ela se supera. O terceiro é o pai (Louis Herthum) da menina que é cercado por seu fanatismo e por um mistério que perdura toda a obra. E ainda tem a produtora da filmagem feita por Iris Bahr que, embora esteja em quase todas as cenas, aparece em poucas e nada acrescenta à trama.
O roteiro (de Huck Botko e Andrew Gurland) é um tiro no pé do filme. Até se constrói um ambiente pensado e realista que impressiona por sua eficiência quanto ao gênero, porém, logo em seguida, a dupla de roteiristas estraga tudo com a história do “666” nas paredes e com o desfecho que não merece nem comentários. Percebe-se a frustrada tentativa de repetir os finais de outros filmes que deram certo, no entanto tal estratégia não funcionou.
A fotografia do longa é boa à medida que explora o lado obscuro da história, além de utilizar o baixo orçamento a seu favor. É mais válido explorar com detalhes uma casa caindo aos pedaços situada em um lugar deserto e aterrorizante. Além de ser mais realista, é muito mais econômico. A cena quando o reverendo chega ao local onde praticaria o ato é bem lenta e descritiva. Ela dá uma importante introdução do cenário isolado da obra. Destaque também para o bom aproveitamento das cenas noturnas, das cores escuras e da cor vermelha. Esta última é perceptível na sequência em que a menina sai com a câmera.
O tom metalinguístico da película se inspira em uma tendência nas obras de terror mais bem sucedidas nos últimos anos. O fato de ser filmada dentro de uma filmagem é estranho, mas até que funciona. O maior exemplo disso é “Atividade Paranormal”, que muita gente acredita até hoje que são cenas reais. Em determinada cena, a imagem do espelho mostra o câmera que é totalmente descartado da história. Ele a filma, mas não fala. Já a produtora aparece em poucas cenas apenas para o público não esquecer a contextualização da obra. Algo que não caiu muito bem, diga-se de passagem.
“O Último Exorcismo” impressiona por sua beleza visual perante a um baixo orçamento. Um filme que utiliza sua deficiência como uma oportunidade e, embora cause alguns (poucos e bons) sustos durante toda sua exibição, o andamento da história deixa uma impressão aquém do que merecia. Destaques para o aspécto visual e pela maneira com que a “filmagem caseira” foi conduzida, como críticas negativas (e pra mim são as principais) coloco o roteiro e o desfecho, amplamente previsível e decepcionante.
Nota 6

terça-feira, 21 de setembro de 2010

REC 2 - Possuídos (REC 2)


Fui ao cinema ver “REC 2” com muita expectativa, até porque o primeiro filme foi uma surpresa pra lá de agradável, com uma história original, muito bem articulada e construída. Apesar de “REC” ser muito bem feito, a origem de todos os eventos era apenas intuída, e não explicada, e imaginei que iria ficar por isso mesmo, porém, para minha surpresa, fui deliciosamente enganado. “REC 2” se não é melhor que o primeiro, é tão bom quanto e o melhor: explica várias pontas abertas do primeiro filme.
“REC 2” acompanha a entrada de uma equipe da força policial no prédio cenário do filme anterior, alguns minutos após sua famosa última cena. Na tentativa de solucionar o mistério que envolve o prédio e deter a proliferação do vírus para as ruas de Barcelona, a polícia tenta, sob os comandos de um padre pouco ortodoxo, capturar amostras de sangue daquela que seria a primeira infectada do lugar. E então entendemos que a agressividade dos mortos-vivos não é resultado de experimentos falhos, mas sim da possessão demoníaca de uma das moradoras do local.
O filme tem alguns furos no roteiro e isso pode atrapalhar um pouco o andamento da trama. Por exemplo: É colocado que a possessão é transmitida via sangue ou outros fluídos, através de um vírus. Como poderíamos imaginar que uma pessoa poderia “transmitir o demônio” à outra via contato sanguíneo através de um vírus? Apesar de ser um pouco incoerente de se imaginar tal ponto de vista, é importante destacar que o desfecho da trama dá uma explicação plausível para o que acontece dentro da casa e o furo citado anteriormente não é algo que derruba ou atrapalha totalmente o filme.
Os mesmos Jaume Balagueró e Paco Plaza, diretores do anterior, trazem mais uma vez o formato de filmagem em primeira pessoa e dão uma boa explicação sobre como, na história, esse formato se sustenta. Mas a sensacional sacada é justamente a origem das criaturas. Sem estragar a surpresa, pode-se dizer que é algo totalmente original e que essa revelação não compromete em nada a integridade do roteiro da primeira parte. Pelo contrário, complementa-o.
A tensão chega a reinar absoluta, com atores que esbanjam naturalidade e convencem que estão realmente aterrorizados. Os efeitos especiais permanecem em nível ótimo e a equipe técnica fez um trabalho sem igual de edição para comportar várias câmeras filmando ao mesmo tempo (sim, agora teremos mais de uma câmera) e sempre na cronologia exata dos acontecimentos, tudo muito bem articulado e explicado. Alguns ângulos utilizados pelo cinegrafista, sobretudo nos momentos em que a câmera é lançada ao chão por algum zumbi raivoso, são memoráveis pela originalidade e por acentuar o clima de medo. Em uma das sequências, entre as melhores do filme, acompanhamos o ataque de um zumbi pelas sombras projetadas em uma porta. Ponto positivo para a equipe dos diretores Jaume Balagueró e Paco Plaza. Além disso “REC 2” utilizou recursos, presentes também no primeiro filme, que acentuam a morbidez de algumas sequências: ausência de músicas, o silêncio e a captação de ruídos. Tais aspéctos são determinantes na propagação dos sustos e medos recorrentes.
Agora o grande mérito de “REC 2” é de ter conseguido dar continuidade ao argumento do primeiro filme, e o melhor: complementá-lo. É certo que “REC” é por natureza um filme de entretenimento, onde o grande objetivo é proporcionar ao espectador um leque de emoções fortes, capazes de levar a pessoa mais impressionável a abandonar a sala. No entanto, onde o primeiro se destacava, mais que o entretenimento visual gráfico, violento e extremamente “gore”, era na capacidade de envolvência do argumento. Neste segundo filme, esse setor específico e preponderante, é mais uma vez um triunfo. Balagueró e Plaza conseguem criar uma porção de novos personagens, que tal como no seu antecessor, possuem o dom divinal da ironia, sarcasmo, construindo um humor negro equilibrado com o medo psicológico e com a violência. Portanto, ao contrário de outros filmes do gênero, aqui nada é gratuito. A continuidade dada à história não repete a fórmula do original. “REC 2” transforma de forma inteligente as suspeitas que tínhamos do vírus do primeiro filme, em algo concreto. A ambiguidade sobre o que seria o vírus na primeira parte, oscilava entre o científico e o religioso, tal como muitas das dúvidas que o ser humano tem sobre variados temas ou acontecimentos da vida real. Jaume Balagueró e Paco Plaza metaforizam essa ambiguidade em “REC”, e proporcionam uma resposta igualmente ambígua em “REC 2” , mas ao mesmo tempo objetiva. Como? Misturando a ciência e a religião, transformando-a num elemento simbiótico. Do gênero: e se a ciência e a religião conseguirem ser um só? Eis mais um ponto positivo para Balagueró e Plaza.
“REC 2” não poupa nem as crianças dessa maldição e presenteia o espectador com um espetáculo de 85 minutos de horror, sangue, tripas, sustos, medo, tensão, correria e, o que é melhor, uma excelente história. Eu não esperava que seria tão bom quanto o original e sai do cinema satisfeito, pois trata-se de uma agradável surpresa. Aos fãs do gênero, altamente recomendável!
Nota: 9,5

sábado, 18 de setembro de 2010

Resident Evil 4 - Recomeço ( Resident Evil 4 - Afterlife)


Nunca tive contato com o game “Resident Evil”, mas através de amigos sei que se trata de um jogo bastante divertido e de certo modo, “viciante”. Pois bem, como não tive acesso ao jogo e muito fãs dizem que o filme não tem muito a ver com a sinopse do game, fico um pouco com um pé atrás pra falar sobre os filmes da série, até porque acredito que os fãs ferrenhos do jogo não devam se empolgar tanto com as histórias dos filmes, e portanto, muitos podem não concordar com meus comentários sobre o longa, onde no todo, apesar das falhas, o considero como um resultado positivo.
A sinopse de “Resident Evil 4 - Recomeço” é a seguinte: temos o mundo devastado por um vírus mortal, e Alice continua sua jornada para encontrar e proteger os poucos sobreviventes que restaram. Lutando contra a Corporação Umbrella (a criadora do vírus), a guerra se torna mais violenta e ela recebe ajuda inesperada de uma velha amiga.
Uma das críticas dos fãs do game refere-se à não aceitação do fato da protagonista da franquia ser uma personagem criada apenas para os filmes, mesmo sabendo que os filmes se tratam de adaptações, o que permite a criação e inserção de personagens e elementos que não estavam na trama dos jogos. É compreensível a crítica dos fãs, até porque quem é aficcionado ao jogo certamente espera a maior fidelidade possível no filme, algo que praticamente não acontece.
O roteiro em “Residente Evil 4” é o grande problema da trama, até porque notamos uma queda na qualidade se comparado, principalmente, ao primeiro filme da série, onde teve-se um roteiro mais bem elaborado, com uma boa dose de suspense e algumas cenas de ação, tratava-se de um suspense com zumbis. Os personagens tinham suas motivações expostas, e cada um deles era trabalhado para que houvesse, ou não, identificação com o público. Ao evoluir da franquia, os produtores usaram o clichê “mais é melhor”, e trocaram o gênero suspense por ação, limitando-se a estacionar a trama e o desenvolvimento dos personagens, sendo este aspécto, na minha visão, algo que atrapalhou o desenvolvimento da história. O suspense ficou um pouco pra trás, a ação desenfreada dominou a história, e os personagens, excetuando-se Jovovich, não devem cativar o público em momento algum. Resumindo, o diretor Paul W. S. Anderson, ao tentar entreter os cinéfilos que vão ao cinema em busca de simplesmente uma experiência desenfreada de ação, escreveu um roteiro raso e ainda mais superficial comparado aos outros filmes, com poucos diálogos e muita “adrenalina à flor da pele”.
Analisando ‘Resident Evil’ como filme, nesta quarta edição, podemos perceber que a protagonista vivida por Milla Jovovich é um dos maiores acertos da produção. A atriz conseguiu evoluir a cada filme, e neste se torna um dos melhores pontos da produção. Jovovich está a cada filme da série mais segura no papel e dá um show em cada cena, independente se o momento necessita de um “timing” dramático ou de uma mulher poderosa acabando com 200 zumbis, a cada novo filme da série, Jovovich sente-se mais a vontade em seu papel e com um perfil que denota ao espectador o seguinte pensamento: ninguém exerceria um papel tão perfeito ao contexto da trama como Jovovich. Assim como Jack Sparrow (Jonh Depp) é sinônimo de sucesso em Piratas do Caribe, Alice (Milla Jovovich) é o que fará com que sempre lembremos de “Resident Evil”.
Agora o grande mérito de “Resident Evil 4” diz respeito ao espetáculo visual proporcionado pelo 3d em associação às cenas de ação. A cena inicial, toda protagonizada por Alice e seus clones, é incessante. Logo no começo, percebemos que a ação vai correr solta durante todo o resto da projeção. E a promessa é cumprida: cenas espetaculares para usar o 3D, seja nos diversos slow-motions (acredite no “diversos”), no sangue dos zumbis voando em seu rosto e na luta contra o gigante Axeman, uma das cenas mais legais. Nossa, são cenas impressionantes, que arrepiam e nos fazem pensar que a tecnologia 3d é algo que não somente vislumbra nossos sentidos, mas nos proporciona também um sentimento de satisfação e de querer mais... mais filmes deste estilo.
Apesar dos defeitos no roteiro, principalmente no que se refere à sua superficialidade, “Resident Evil 4” é uma ótima pedida, e posso dizer que foi o filme que melhor assisti no que se refere à utilização do 3-D. Este recurso foi muito bem explorado e certamente irá impressionar ao público. Só pela enorme eficiência na utilização deste recurso, o filme já vale a pena! Gostei, nota 8,5!!
PS: Após os créditos finais, há uma cena adicional.