sábado, 18 de dezembro de 2010

E os melhores de 2010 são....

Com o fim de ano chegando e com a oportunidade de ter assistido a alguns filmes, aproveito pra postar aqui, na minha visão, a lista dos melhores de 2010:

1-A Origem (Inception)
Cristopher Nolan nos deixa mais uma obra prima, trabalhando com maestria em sua temática predileta: A mente humana e o subconsciente. Uma história complexa, um roteiro profundo, uma direção impecável. Atuações brilhantes, com Leonardo di Caprio inspiradíssimo, e efeitos especiais espetaculares. “A origem” é, na minha opinião, o melhor filme do ano.
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2-A Rede Social (The Social Network)
David Fincher é um diretor genial (vide Seven, Clube da Luta e Zodíaco). Em seu mais novo projeto, Fincher expõe de maneira crítica a vida de Mark Zuckerberg, tratando-o como um “gênio do mal” não só pela forma como criou um dos maiores sites de relacionamento do mundo (Facebook), mas também como o conduziu. A Rede Social conta com atuações brilhantes, diálogos afiados e uma direção impecável de Fincher.
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3-Tropa de Elite 2 – O inimigo agora é outro (Idem)
José Padilha havia mostrado todo seu talento ao dirigir Tropa de Elite, através de seu segundo filme, pudemos perceber claramente porque está sendo cogitado para dirigir longas em Hollwoody. Através de uma direção certeira, Padilha “cutuca” a ferida de todas as classes de nossa sociedade, onde todo o sistema é revelado como “podre” e corruptível. O melhor filme brasileiro já produzido, uma pena não ter sido o indicado para representar o Brasil no Oscar.
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4- A Ilha do Medo (Shutter Island)
Martin Scorsese nos mostra o lado obscuro da personalidade humana através de uma obra prima doentia, psicótica e cruel. Um filme que se utiliza do terror psicológico como forma de despertar uma emoção primária no telespectador: O medo. Ao construir um ambiente “pesado”, através de uma narrativa complexa, Scorsese mostra que é um gênio, um ícone no mundo Hollywodiano.
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5- Toy Story 3 (Idem)
Impressionante o que a Pixar é capaz de proporcionar aos seus espectadores. A cada novo longa, esta empresa nos mostra que uma animação pode ser dirigida não somente às crianças, que por trás do “engraçadinho”, há mensagens fortes e intensas na qual devemos nos apoiar e assim refletir. Toy Story 3 é o melhor filme de animação já produzido: engraçado e ao mesmo tempo sério e cativante. É da pixar, portanto, sem mais.
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6- Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 ( Harry Potter and the Deathly Hallows: Part I)
David Yates assumiu a direção dos filmes da franquia em “A ordem da Fênix” e não decepcionou. Fez um excelente trabalho em “Enigma do Príncipe” e um trabalho excepcional em “As Relíquias da Morte”. Uma direção tranqüila de Yates, com uma história de grande fidelidade ao livro, aliando momentos de ação e cunho dramático na medida certa. Preparou em grande estilo o terreno para o Gran Finale (parte 2).

PS: Há outros filmes que estão sendo vistos de forma muito positiva e incluídos em listas de melhores do ano, mas como não tive oportunidade de vê-los, fico com a lista acima mencionada. Entre os mais falados estão: Kick Ass-Quebrando Tudo, Scott Pilgrin contra o Mundo, O Cisne Negro, O Vencedor e o Discurso do Rei. Fiquem a vontade para comentar, sugerir ou ainda criticar, e fiquem a vontade também para elaborar suas listas dos melhores de 2010!! Obrigado!!

Tron - O Legado ( Tron - Legacy)


PS: Não tive a oportunidade de ver o filme de 1982: “Tron-Uma Odisséia Eletrônica”, porém, a fim de enriquecer minha crítica e comentário sobre “Tron-O Legado”, procurei ver trailers e ler diversos artigos e comentários sobre o primeiro filme.
Em “Tron-O Legado”, Sam Flynn (Garret Hedlund), especialista em tecnologia, filho de Kevin Flynn (Jeff Bridges), investiga o desaparecimento do pai e se vê preso no mesmo mundo povoado por programas ferozes e jogos fatais onde seu pai vive há 25 anos. Junto com sua fiel confidente Quorra (Olivia Wilde), pai e filho embarcam em uma jornada de vida e morte por um universo cibernético.
Filmes são fruto de um tempo, da época em que foram produzidos e lançados. Nada muito diferente, na verdade, do que qualquer outro produto cultural (álbuns, novelas, livros, histórias em quadrinhos, etc), que reflete anseios, dúvidas, atitudes, moda ou seja lá o que for que esteja em voga durante seu lançamento. Alguns sobrevivem ao tempo; outros se perdem na poeira da História.
Dito isso, “Tron-Uma Odisséia Eletrônica” envelheceu muito mal. Lançado em 1982, o filme marcou época ao fazer uso de efeitos especiais inovadores e que abriram caminho para o futuro da imagem digital. Antes de “Tron”, os filmes usavam trucagens visuais. Depois de seu lançamento, os efeitos digitais viraram coqueluche e regra. A trama da produção, entretanto, era boba; as atuações dignas de peça infantil e a direção de Steven Lisberger beirava o amadorismo. O resultado é um longa sem ritmo ou coerência e que coloca o visual acima de tudo, inclusive de qualquer lógica narrativa.
Nesse sentido, “Tron-O Legado” não se difere muito de seu antecessor e privilegia a plasticidade das imagens em detrimento do conteúdo, apesar de ser bem melhor dirigido e despertar um interesse maior pela trama, contada com mais empenho e lucidez. Claro que visualmente o filme deve dar um banho nos efeitos especiais apresentados pelo longa de 1982. O visual retro e quadrado que pude ver em alguns trailers do filme de 82 e que remete claramente a videogames como o Atari, ficou na década de 1980, e “Tron-O Legado” segue outro caminho, mais moderno e arrojado, ainda que o neon azul e vermelho prevaleçam e reforcem o maniqueísmo da luta entre o bem e o mal.
O clichê da história (homens versus máquinas) é uma mera desculpa para o desfile do que de melhor as imagens digitais podem nos oferecer. O filme é quase um remake do primeiro, na verdade. A maior diferença é que, se no primeiro, o vilão era um humano, e as máquinas apenas refletiam seus desejos; na continuação, o mal é representado pela máquina que se rebela contra o homem.
É aqui que reside um dos maiores problemas de “Tron-O Legado”, uma questão que o primeiro até enfrentou, mas com quase 30 anos a menos de referências cinematográficas. O embate entre homens e máquinas não é nenhuma novidade e a temática já foi usada e desgastada por uma leva de filmes, todos bem melhores: de “Blade Runner”, passando por “O Exterminador do Futuro” e chegando, claro, a “Matrix”, a referência mais óbvia aqui, sendo a dicotomia entre o mundo real e o virtual a base de todo o longa.
Assistindo à produção, fica claro que o tempo passa, o tempo voa, mas a gente continua sempre a ver as mesmas histórias. Isso até não seria um problema se o filme apresentasse novidades, o que não é o caso. A embalagem aqui pode ser mais neon e iluminada, mas falta a “Tron-O Legado” o vigor e a ação desenfreada de uma produção de James Cameron (“O Exterminador do Futuro”) ou a aura enigmática e filosófica de um longa dos irmãos Wachowski (“Matrix”).
Tron-O Legado foi filmado pelo diretor estreante Joseph Kosinski, e de uma coisa este merece elogio: a parte técnica é simplesmente espetacular, capaz de deixar qualquer espectador boquiaberto. O filme traz cenas de ação de qualidade, cheio daqueles clichês que todos adoram, como muito slow motion (tipicamente “Matrix”), profundidades de 3D bem trabalhadas e um quesito que pode se dizer ser o mais interessante de todos: a brutalidade da morte suavizada em forma de cubos. Outro ponto mais que positivo, sendo uma evolução que faz jus ao nome Tron, é a qualidade digital de Clu, personagem vilão que é uma cópia exata de Jeff Bridges nos anos oitenta. Seu realismo é incrível e talvez até confunda os mais desavisados. Os efeitos especiais e visuais, aliado à trilha sonora do Daft Punk compõe uma química perfeita, nos reservando um espetáculo de encher os olhos e digno de aplausos. Tron-O Legado é, literalmente, um colírio para os olhos (e ouvidos).
Um outro elogio que deve ser feito à Kosinski se refere à manutenção de uma série de elementos do primeiro filme, inclusive alguns atores (Jeff Bridges e Bruce Boxleitner reprisam seus papéis), e dar continuidade à história, mesmo que quase 30 anos depois, prestando homenagem a um filme que marcou uma geração e hoje estava praticamente esquecido. O clima futurista também é bem vindo, mas, como dito anteriormente, parte do mérito disso vai para a eficiente (e brilhante) trilha musical do Daft Punk.
No final das contas, “Tron-O Legado” é entretenimento bastante eficaz. Um desses blockbusters que faz uso de toda a tecnologia à mão para proporcionar uma experiência sensorial ágil e em alto e bom som, um espetáculo digno de ser acompanhado 1, 2, 3 vezes, porém, apesar de visualmente encantador, ao contrário do longa de 82, não deixará marca alguma na história do cinema. Em suma, uma temática batida, com uma enormidade de clichês, mas com efeitos sensacionais e muito bem utilizados. Vale sim conferir, principalmente pelo terceiro aspécto.
Nota 8

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A Rede Social (The Social Network)


Em uma noite do outono de 2003, o universitário de Harvard e programador genial Mark Zuckerberg senta-se em seu computador e começa, inspirado, a trabalhar em uma nova idéia. O que tem início em seu dormitório se transforma em uma rede social global que vai revolucionar a comunicação mundial.
Filmes sobre gênios que acabam despontando em suas faculdades e criam grandes empreendimentos sempre os apresentam como pessoas deslocadas e que vivem escondidas pela própria genialidade. Este é o caso de Mark Zuckerberg, o criador do Facebook, que é o tema do filme “A Rede Social” do diretor David Fincher. Acertadamente, Fincher abre a sua narrativa com um diálogo espetacular entre Mark e a sua namorada Erica Albright. Nesta cena, o diretor e o roteirista do filme deixam claro como é a personalidade de Mark e como a maneira péssima que esta conversa termina acaba sendo o ponto de partida para a sua criação do Facebook e para a sua popularidade dentro da Universidade de Harvard.
Para os calouros que entram em universidades americanas o que eles mais querem é também entrar nas chamadas fraternidades, nos grupos secretos que outros estudantes famosos e competentes também fizeram parte. Mark queria ser um desses caras. No anexo em que ele morava com outros colegas, incluindo o seu melhor amigo Eduardo Saverin, todos queriam ser aceitos para fazerem parte das festas privativas e viverem de forma popular. Porém, o término do namoro entre Mark e Erica é o seu momento de fraqueza e a partir dali ele (com o auxílio de Saverin) cria, completamente bêbado, um site chamado FaceMash em que os estudantes de Harvard votam nas mulheres mais bonitas (e gostosas). Apenas durante uma madrugada em que ficou no ar, o site teve um total de 22 mil acessos e derrubou a rede de internet de uma das maiores Universidades dos Estados Unidos e do mundo.
Mark achou que, com isso, atrairia popularidade e seria reconhecido pela invenção que teve. Mas ao perceber que os estudantes não reagiram muito bem à sua criação, Mark passa a ser mal visto dentro dos corredores da universidade. É assim que ele aceita a idéia dos irmãos Winklevoss, que pretendiam realizar um site cujos estudantes de Harvard poderiam se registrar e criar perfis próprios. Mark viu um potencial muito maior para a idéia dos irmãos e fez com que ela não ficasse apenas no campus da universidade em que eles estudavam, mas fosse expandido para outras regiões. É aí que entra a importância do brasileiro Eduardo Saverin, responsável por injetar o primeiro capital que dava aluguel de servidores e estabilidade de conexão para os visitantes que começaram a se cadastrar no site.
O livro escrito por Ben Mezrich (na qual o filme se baseia), a partir do que foi relatado pelo próprio Eduardo Saverin, ilustra e entra na questão se Mark Zuckerberg havia roubado a idéia dos irmãos Winklevoss e questiona a originalidade do Facebook. Mark era um gênio e disso ninguém duvida, mas o próprio roteiro de Aaron Sorkin tenta se manter imparcial neste sentido, não o julgando como vilão, mas o apresentando como um jovem que se tornou bilionário a partir da criação de um site que vem crescendo ano após ano e expandindo as suas atividades para outros países. O roteiro de Aaron Sorkin, extremamente inteligente por sinal, constrói o filme entre o julgamento de Mark Zuckerberg em ações que são movidas por Eduardo Saverin e pelos irmãos Winklevoss, além de percorrer os momentos mais importantes e tensos da criação até o sucesso.
A tensão realmente começa quando Eduardo passa a procurar por anunciantes para o site com o objetivo de torná-lo também uma máquina de dinheiro e lucro. Mark, no entanto, entra com uma nova idéia ao marcar uma reunião com Sean Parker, o criador do Napster e também o responsável por ter mudado a indústria fonográfica para sempre. É bem verdade que o programa desenvolvido por ele durou pouco tempo e ele logo declarou falência, mas a relevância que o Napster teve se deu por ele ser o principal responsável pelo fechamento de algumas gravadoras e o agravamento da crise sentida por outras, já que os usuários não queriam mais comprar CDs porque encontra estas músicas em mesma qualidade por meio do Napster. Eduardo Saverin e Sean Parker não se dão bem e isso acaba sendo um dos fatores para que a amizade entre Mark e Eduardo fique estremecida e completamente abalada.
“A Rede Social” é um filme sobre a criação do Facebook, mas vai muito além disso. A história acaba sendo também sobre as relações cada vez mais vazias que começaram a ser criadas a partir da internet e das suas redes sociais. Em um determinado momento do filme, Sorkin apresenta a expressão “me adicione no facebook” como um bordão que havia se tornado sucesso entre os estudantes de Harvard e de outras Universidades. A própria namorada de Eduardo Saverin se comporta de uma maneira completamente psicótica quando ele muda o “status do seu relacionamento” para solteiro no Facebook. As pessoas passaram a dar mais importância a conhecer outras pessoas e a se conectarem a elas, não mais pelo convívio pessoal, mas sim em estarem ligadas na internet. Dentro do Facebook,(ou mesmo do Orkut), você pode ter 300, 400, 500 amigos. Mas quantos deles são realmente próximos a você? Quantos deles você realmente pode chamar de amigo?
Por esta razão é emocionante a cena em que Eduardo Saverin, já movendo uma ação contra Mark Zuckerberg quando o brasileiro vê as suas ações sendo diluídas de 33% para 0.03%, pergunta a Mark por que ele havia feito aquilo com o único amigo que ele tinha. Eles eram amigos, por mais que Eduardo não conseguisse chamar a sua atenção e que Mark estivesse concentrado nos planos de expansão de Sean Parker. E a mesma emoção sentida nesta cena pode também ser sentida em outro momento, quando uma das advogadas de defesa diz a Mark que ele não é um babaca como as pessoas comentam ou falam, mas que ele vive se esforçando para se tornar um e deixar esta impressão nos outros. É por isso que “A Rede Social” vai muito além do que apenas relatar a trajetória destes jovens que, com uma criação deste tamanho, conseguem se ver envoltas em muito dinheiro e se tornarem bilionárias de uma hora para a outra.
As atuações como um todo estão muito seguras, com interpretações de impacto, em especial a de Zuckerberg (Eisenberg), que taxado como nerd, tem a fama de não conseguir se relacionar com outras pessoas. Neste sentido, a atuação de Jesse Eisenberg é excepcional, porque ele mantém a sua personagem com um olhar sempre perdido e também preso em suas próprias limitações de não conseguir socializar com outras pessoas. Quando o seu relacionamento com Erica termina, a pessoa mais próxima que ele conseguiu se relacionar verdadeiramente, parece que a sua vida perdeu sentido e ele parte em busca de encontrar um novo significado e acaba achando isso na criação do Facebook.
É por isto que a cena que encerra a narrativa de “A Rede Social” é tão emblemática e impressionante, fechando um arco dramático que foi conduzido com a inteligência do roteiro de Aaron Sorkin e a agilidade e competência da direção de David Fincher. O longa não condena Mark. Pelo contrário: o filme faz com o seu espectador até sinta compaixão pela personagem pelo carisma que Jesse Eisenberg transmite.
Apesar de um pouco difícil, “A rede social” é um longa altamente recomendável, com roteiro e direção espetaculares, diálogos afiados e atuações brilhantes. Posso dizer que “A rede social” está, na minha visão, entre os 5 melhores filmes do ano.
Nota 10