
Em 1954, uma dupla de agentes federais investiga o desaparecimento de uma assassina que estava hospitalizada. Ao viajarem para Shutter Island - ilha localizada em Massachusetts - para cuidar do caso, eles enfrentam desde uma rebelião de presos a um furacão, ficando presos no local e emaranhados numa rede de intrigas.
A cada filme que vejo de Martin Scorsese percebo a capacidade do diretor em criar histórias, com fatos e argumentos, que levam o espectador a refletir sobre as mais diversas realidades em que os seres humanos se enquadram. E esse “ A ilha do Medo” não foge desta linha de pensamento. O filme relata a ação doentia da mente humana, retratando os distúrbios psíquicos que podem moldar a personalidade das pessoas, influenciando da mesma forma, o modo de vida das pessoas à volta. Scorsese deve levar o espectador à momentos de insanidade, aflições e até mesmo desespero com tudo o que acontece na ilha e a seus prisioneiros (pacientes). O diretor cria um filme de suspense bastante soturno, um thriller psicológico assombroso e psicótico. Ainda que possua diversos elementos em comum com alguns de seus maiores clássicos, Scorsese arrisca-se em um território relativamente inédito para o seu cinema, ousando flertar de forma mais direta com o estilo de Alfred Hitchcock e a lampejos de Kubrick, na atmosfera sombria e agonizante de “O Iluminado”. Em “ A Ilha do Medo”, Scorsese mostra que é capaz de realizar grandes obras em quaisquer gênero que se engaje. A trilha, os enquadramentos, o tratamento dado à fotografia e os diálogos do roteiro são todos muito bem utilizados para criar a atmosfera de um clássico filme de estilo suspense.
A trama apresenta reviravoltas absurdas, labirintos psicológicos, ritmo acelerado, uma mescla constante de delírio e realidade e, ao fim, claro: uma revelação derradeira, chocante, que dá novo sentido e dinâmica para toda a história, sendo assim, a trama tem como principal virtude a capacidade de envolver inteiramente o espectador até o último minuto. Ainda que pese um teor mais comercial em Ilha do Medo, engana-se quem pensa que Scorsese cai numa simples gratuidade de gênero. Pelo contrário: a trama serve de pano de fundo para uma reflexão muito mais profunda e abrangente do que inicialmente pode se supor.
Destaque para a atuação de Leonardo DiCaprio, que nas mãos de Scorsese tornou-se um ator excepcional e demonstra sua competência e eficiência a cada novo longa. Seu personagem em “ A Ilha do Medo” é doentio e psicótico, com surtos de insanidade e rodeado por pesadelos que mostram-se extremamente reais e impactantes. Com essa técnica, Scorsese aproveita para entregar ao espectador cenas lúdicas com a dose certa de surrealismo e efeitos visuais, tornando o longa ainda mais sombrio.
São poucas as pistas soltas sobre o mistério que envolve a Ilha Shutter e seus habitantes, o que fará muita gente ficar impaciente por uma resolução dos fatos, já que por boa parte da projeção o roteiro parece não querer que o espectador entenda muita coisa do que está vendo. Mas uma cena crucial elucida o caso, bem ao modo hitchcockiano de encerrar filmes, com cada detalhe (excessivamente) explicado.
Se o longa entrará para o hall dos clássicos de terror, só o tempo dirá. Mas uma coisa é certa: Scorsese é um mestre, um gênio que demonstra perspicácia e maturidade suficiente para tratar qualquer aspécto humano com maestria e perfeição. “A ilha do medo” certamente vai lhe deixar tenso e horrorizado, um triller psicológico de arrepiar e com um final surpreendente e doentio. Um dos melhores suspenses que vi em minha vida. Imperdível, nota dez!

Oi Guga!!
ResponderExcluirQue prazer postar um comentário no seu blog! :) hehe..
Assisti ontem ao filme e adorei!! Leonardo Di Caprio está perfeito no papel de atormentado, papel este que ele sempre desempenha muito bem! rsrs...
Palmas para o desempenho do ator e para o diretor tb! Martin Scorsese, como sempre, foi incrível!
É isso, Gu!
Bjinhos e até mais! :)
Com carinho,
Larissa
FALA GUSTAVO...BLZ??
ResponderExcluirA RESPEITO DO FILME, GOSTEI MUITO PRINCIPALMENTE DO FINAL, POIS SURPREENDE PELO CAMINHO QUE LEVA A ESTÓRIA, VALE A PENA ASSISTIR.