sábado, 18 de dezembro de 2010

Tron - O Legado ( Tron - Legacy)


PS: Não tive a oportunidade de ver o filme de 1982: “Tron-Uma Odisséia Eletrônica”, porém, a fim de enriquecer minha crítica e comentário sobre “Tron-O Legado”, procurei ver trailers e ler diversos artigos e comentários sobre o primeiro filme.
Em “Tron-O Legado”, Sam Flynn (Garret Hedlund), especialista em tecnologia, filho de Kevin Flynn (Jeff Bridges), investiga o desaparecimento do pai e se vê preso no mesmo mundo povoado por programas ferozes e jogos fatais onde seu pai vive há 25 anos. Junto com sua fiel confidente Quorra (Olivia Wilde), pai e filho embarcam em uma jornada de vida e morte por um universo cibernético.
Filmes são fruto de um tempo, da época em que foram produzidos e lançados. Nada muito diferente, na verdade, do que qualquer outro produto cultural (álbuns, novelas, livros, histórias em quadrinhos, etc), que reflete anseios, dúvidas, atitudes, moda ou seja lá o que for que esteja em voga durante seu lançamento. Alguns sobrevivem ao tempo; outros se perdem na poeira da História.
Dito isso, “Tron-Uma Odisséia Eletrônica” envelheceu muito mal. Lançado em 1982, o filme marcou época ao fazer uso de efeitos especiais inovadores e que abriram caminho para o futuro da imagem digital. Antes de “Tron”, os filmes usavam trucagens visuais. Depois de seu lançamento, os efeitos digitais viraram coqueluche e regra. A trama da produção, entretanto, era boba; as atuações dignas de peça infantil e a direção de Steven Lisberger beirava o amadorismo. O resultado é um longa sem ritmo ou coerência e que coloca o visual acima de tudo, inclusive de qualquer lógica narrativa.
Nesse sentido, “Tron-O Legado” não se difere muito de seu antecessor e privilegia a plasticidade das imagens em detrimento do conteúdo, apesar de ser bem melhor dirigido e despertar um interesse maior pela trama, contada com mais empenho e lucidez. Claro que visualmente o filme deve dar um banho nos efeitos especiais apresentados pelo longa de 1982. O visual retro e quadrado que pude ver em alguns trailers do filme de 82 e que remete claramente a videogames como o Atari, ficou na década de 1980, e “Tron-O Legado” segue outro caminho, mais moderno e arrojado, ainda que o neon azul e vermelho prevaleçam e reforcem o maniqueísmo da luta entre o bem e o mal.
O clichê da história (homens versus máquinas) é uma mera desculpa para o desfile do que de melhor as imagens digitais podem nos oferecer. O filme é quase um remake do primeiro, na verdade. A maior diferença é que, se no primeiro, o vilão era um humano, e as máquinas apenas refletiam seus desejos; na continuação, o mal é representado pela máquina que se rebela contra o homem.
É aqui que reside um dos maiores problemas de “Tron-O Legado”, uma questão que o primeiro até enfrentou, mas com quase 30 anos a menos de referências cinematográficas. O embate entre homens e máquinas não é nenhuma novidade e a temática já foi usada e desgastada por uma leva de filmes, todos bem melhores: de “Blade Runner”, passando por “O Exterminador do Futuro” e chegando, claro, a “Matrix”, a referência mais óbvia aqui, sendo a dicotomia entre o mundo real e o virtual a base de todo o longa.
Assistindo à produção, fica claro que o tempo passa, o tempo voa, mas a gente continua sempre a ver as mesmas histórias. Isso até não seria um problema se o filme apresentasse novidades, o que não é o caso. A embalagem aqui pode ser mais neon e iluminada, mas falta a “Tron-O Legado” o vigor e a ação desenfreada de uma produção de James Cameron (“O Exterminador do Futuro”) ou a aura enigmática e filosófica de um longa dos irmãos Wachowski (“Matrix”).
Tron-O Legado foi filmado pelo diretor estreante Joseph Kosinski, e de uma coisa este merece elogio: a parte técnica é simplesmente espetacular, capaz de deixar qualquer espectador boquiaberto. O filme traz cenas de ação de qualidade, cheio daqueles clichês que todos adoram, como muito slow motion (tipicamente “Matrix”), profundidades de 3D bem trabalhadas e um quesito que pode se dizer ser o mais interessante de todos: a brutalidade da morte suavizada em forma de cubos. Outro ponto mais que positivo, sendo uma evolução que faz jus ao nome Tron, é a qualidade digital de Clu, personagem vilão que é uma cópia exata de Jeff Bridges nos anos oitenta. Seu realismo é incrível e talvez até confunda os mais desavisados. Os efeitos especiais e visuais, aliado à trilha sonora do Daft Punk compõe uma química perfeita, nos reservando um espetáculo de encher os olhos e digno de aplausos. Tron-O Legado é, literalmente, um colírio para os olhos (e ouvidos).
Um outro elogio que deve ser feito à Kosinski se refere à manutenção de uma série de elementos do primeiro filme, inclusive alguns atores (Jeff Bridges e Bruce Boxleitner reprisam seus papéis), e dar continuidade à história, mesmo que quase 30 anos depois, prestando homenagem a um filme que marcou uma geração e hoje estava praticamente esquecido. O clima futurista também é bem vindo, mas, como dito anteriormente, parte do mérito disso vai para a eficiente (e brilhante) trilha musical do Daft Punk.
No final das contas, “Tron-O Legado” é entretenimento bastante eficaz. Um desses blockbusters que faz uso de toda a tecnologia à mão para proporcionar uma experiência sensorial ágil e em alto e bom som, um espetáculo digno de ser acompanhado 1, 2, 3 vezes, porém, apesar de visualmente encantador, ao contrário do longa de 82, não deixará marca alguma na história do cinema. Em suma, uma temática batida, com uma enormidade de clichês, mas com efeitos sensacionais e muito bem utilizados. Vale sim conferir, principalmente pelo terceiro aspécto.
Nota 8

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