sábado, 24 de julho de 2010

Predadores (2010) - Predators (2010)


Ano de 1987: eis que o diretor Jonh McTiernan cria uma das criaturas mais assustadoras do cinema, emblemática pela maneira de caçar, perseguir, expor suas artimanhas, sentir a temperatura do corpo humano e principalmente, predar. O Predador (1987) foi o primeiro filme que me causou medo, lá pelos meus 12-13 anos e marcou minha vida. Tenho “O Predador” como um dos meus filmes favoritos não só pela maneira como o vilão (protagonista) nos foi apresentado, mas também como se desenvolveu a trama, seu contexto, o ambiente em que foi criado e principalmente pelo grupo alvo do predador.
Eis que após 23 anos, Robert Rodriguez (Um drink no Inferno) fã de carteirinha da série dos filmes “Predador” decide bancar uma nova trama, e com a parceria de Nimród Antal (Temos vagas) consegue, na minha opinião, dar uma dinâmica boa ao filme e proporcionar ótimos momentos de ação, através de uma história simples, porém bem formulada e explicada. Na trama, um grupo de guerreiros de elite descobre estar em um planeta alienígena. Com a exceção de um físico, todos são, de alguma forma, assassinos - mercenários, condenados, membros do esquadrão da morte e da Yakuza - predadores humanos que agora são caçados por uma raça desconhecida, em uma espécie de jogo de gato e rato.
Em primeiro lugar, gostaria de destacar como ponto altamente positivo, o ambiente físico do filme: um lugar profundamente inóspito e obscuro, revelando a imprevisibilidade da geografia alienígena, onde nesta inclui-se vários terrenos diferentes que se justapõe, como por exemplo, matas fechadas aliadas à terrenos rochosos e ainda florestas mais abertas com plantações de eucalipto. Toda essa justaposição ambiental (rara em qualquer ambiente do mundo) já é capaz de nos mostrar que o ambiente na qual “nosso esquadrão” de combatentes está exposto, é algo, digamos, “suspeito”.
Outro destaque do filme se dá na quesito elenco, onde Antal e Rodriguez nos apresenta personagens multiétnicos e com caricaturas bem destacadas, temos o japonês da Yakuza que, sempre calado, tira os sapatos para sentir misticamente a lama e que, claro, é um mestre com espadas (Changchien); o mexicano durão que trabalha como capanga de um cartel do narcotráfico (Trejo); o fracote que atua como alívio cômico (Grace); o negro gigantesco que aparentemente acredita no sobrenatural (Ali); o russo que quer voltar para os filhos (Taktarov); e o serial killer com cara de Joe Pantoliano (Goggins).
Ainda com relação ao elenco, vale destacar a ótima “química” envolvendo Adrien Brody e Alicia Braga, onde o primeiro estabelece uma dinâmica curiosa com a atriz, parecendo enojá-la e atraí-la ao mesmo tempo, num jogo de sedução/rejeição salientado pelas brigas constantes, mas também pelos insistentes planos nos quais aparecem colados um ao outro enquanto observam algo à distância. A brasileira Alicia Braga, por sinal, é uma personagem complexa na trama, é a personagem que reconhece seus erros e suas limitações, sendo a única que “enxerga” uma possibilidade de redenção, lamentando ao longo da trama, sua vida errante.
A crítica negativa que deixo é que faltou um pouco de originalidade na trama, na maneira de expor a personalidade dos predadores e a forma na qual agiam diante de suas vítimas, ou seja, não houve nada de muito diferente do que foi abordado em “ Predador” (1987). Assim, mesmo com a tecnologia vigente e o “dedo” de Robert Rodriguez, a história original continua sendo insuperável e altamente superior aos outros filmes da série, inclusive a este.
A temática central do filme compõe um clichê, onde sob o pretexto de que fazem parte de um experimento comportamental e munidos de toneladas de frases de efeito, o grupo precisará unir as informações sobre a vida e a personalidade de cada um para desvendar o mistério e encontrar uma saída da sufocante ilha, deixando assim, de serem caçados pelos habitantes locais. Apesar da temática pouco inventiva e já batida, o roteiro não deixar de ser dinâmico e a questão multiétnica dos personagens associada ao caricaturismo de cada representante, produz um contexto intrigante e satisfatório para o andamento do longa.
Gostei do filme, que mesmo sendo inferior ao original, consegue chamar a atenção e prender o espectador durante os 115 minutos de projeção. Os predadores estão de volta e deu pra se matar um pouquinho das saudades do filme original, que com certeza, é insubstituível e marcante!
Nota 8

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