sábado, 28 de agosto de 2010

Karate Kid (Idem)


A superação, o “chegar lá”, vencer após uma jornada cheia de obstáculos são elementos fundamentais para a sociedade como um todo, sendo esta visão ainda mais importante e clara nos dias atuais diante das barbáries e sofrimentos que nos acometem. Não dá para pensar na cultura mundial sem passar por um sistema político-econômico que vende a idéia de mundo “possível” para todos os cidadãos, basta “apenas” lutar e confrontar todas as barreiras que impedem nosso crescimento e desenvolvimento como pessoas. Baseado nesta premissa, eis que surge o novo “Karate Kid”, remake do sucesso “Karate Kid – A hora da verdade” (de Jonh G. Avildsen, de 1984). Sai o Karate e entra o Kung Fu, então por que “Karate Kid”? Sinceramente não entendi o porquê do título ter se mantido. Não havia necessidade de se manter tal fidelidade, pois isto é obtido com precisão ao longo do filme.
A história base é a mesma do longa oitentista. Garoto se muda com a mãe para uma nova cidade e é ameaçado por valentões locais. Para ajudá-lo, surge um improvável instrutor de artes marciais que lhe ensina não só a lutar, mas também a ter respeito próprio e aos outros. Mas os desafios encarados pelo pequeno Dre (Smith) e seu mestre, Sr. Han (Jackie Chan), são bem mais complicados que as dificuldades enfrentadas por Daniel-san e Sr. Miyagi no original.
Nesta nova versão, Dre e sua mãe se mudam de Detroit para a China, tendo de lidar com o choque cultural e com um idioma bem diferente do seu. A ambientação atualizada também trouxe uma mudança óbvia na arte marcial praticada pelos personagens, agora sendo o Kung-Fu.
O roteiro do remake (de Christopher Murphey) é bem amarrado, equilibrando momentos que homenageiam o original e outros que dão a este filme sua própria identidade, sendo, pra mim, mais inteligente do que o original, tendo a capacidade de aprisionar o espectador em todas as situações emotivas. Por exemplo: quando o personagem Dre (Jaden Smith) finalmente aprende alguns golpes, “Karatê Kid” usa e abusa de um planejamento impecável referente à relação mestre-aprendiz-cenários e trilha sonora, sendo tal relação incapaz de nos deixar indiferente ao longo da trama, onde o sentimento de emoção é garantido em vários momentos. Problemas existem, assim como existiram no filme original, há alguns clichês um tanto inúteis na história, como o fato do romance entre Dre e Meiying (Wenwen Han) ser proibido pelo pai da donzela em dado momento, sendo este romance deveras prolongado, “roubando” momentos que poderiam dedicar-se mais às lutas ou treinamentos de Dre. Mesmo assim, na minha visão, este aspécto não atrapalha o andamento e preciosidade do filme.
O fato de Dre ser bem mais jovem que o protagonista do original nos ajuda a deixar Daniel-San de lado. No personagem, o pequeno Dre ( Jaden Smith) realmente age como uma criança, algo raro em produções norte-americanas. Smith traz carisma e vivacidade e transmite bem toda a inquietação e os problemas que Dre atravessa, mas sem perder o espírito infantil, agindo como um garoto de verdade, seja no seu tratamento com a mãe, com o seu mestre ou mesmo em seu jeito inocente e um tanto quanto inconsequente. Tais “defeitos” tornam fácil a identificação com o personagem, é uma atuação convincente e satisfatória que merece ser lembrada.
O pequeno segura o filme de maneira incontestável, além de ter uma ótima química com Han (Jackie Chan). O astro asiático, por sua vez, jamais tenta emular o amado Sr. Miyagi, transformando Han em uma pessoa de verdade, não em uma caricatura (algo que o próprio Miyagi havia se tornado no último filme da franquia). Chan, mais sisudo que de costume, não apenas passa a credibilidade necessária para o papel, mostrando as suas habilidades em uma curta, porém impactante cena de luta, como também convence nos momentos dramáticos, com seu personagem passando por um ótimo arco narrativo no filme, a atuação de Chan, pra mim, foi a de maior destaque no filme, conseguindo superar até a brilhante atuação de Smith.
As damas do elenco, a indicada ao Oscar Taraji P. Henson e a novata Wenwen Han, pouco têm a fazer, mas surgem bem no filme, sendo os grandes apoios e motivações de Dre. Destaco principalmente Henson, extremamente divertida e carinhosa em cena. Os antagonistas, o jovem arruaceiro Cheng (Zhenwei Wang) e o Mestre Li (Rongguang Yu), são estereotipados ao máximo, mas tal característica cai como uma luva para as intenções da história sendo contada, principalmente honrando o espírito dos “vilões” dos longas dos anos 1980. O elenco como um todo teve grande destaque e por isso coloquei a equipe de atores e atrizes como prioridade.
A produção é super caprichada. O diretor Harold Zwart faz um ótimo trabalho, determinando boas e interessantes transições entre as cenas (vide o corte entre a cena na quadra de basquete e a do apartamento), o diretor ainda utiliza muito bem a câmera de mão em dados momentos, imprimindo urgência em dadas sequências. Sim, existem eventuais exageros, como alguns momentos em câmera lenta, como a surra que Dre leva de Cheng e seus colegas, que simplesmente não funcionam, mas o cineasta acerta muito mais do que erra, também explorando com eficácia as locações em ícones que determinam cartões-postais chineses, como a Grande Muralha e a Cidade Proibida.
É importante ressaltar a fotografia do filme (de Roger Pratt), que acertadamente investe em cores quentes e em uma fotografia mais iluminada, contribuindo para o clima alegre do filme. A montagem é espetacular, conseguindo fazer com que os 140 minutos de projeção “passem voando”, imprimindo um ritmo perfeito à narrativa.
A trilha sonora da fita também é muito bacana, incluindo Lady Gaga e Red Hot Chilli Peppers. Não digo que todas as músicas da película são perfeitas, pois esta acaba com um dueto entre Jaden Smith e Justin Bieber, algo que, ainda bem, só acontece nos créditos. Por falar nos créditos, vale a pena aguentar o showzinho da dupla da escola só para ver as fotos da produção, uma tradição dos anos oitenta, que é honrada aqui.
Com uma história divertida, cativante e emocionante, além de contar com lutas bem coreografadas e atuações excelentes, “Karate Kid” é uma das surpresas do ano e irá agradar tanto aos fãs do original, quanto à nova geração. Confesso que àlgum tempo eu não tinha a sensação de me emocionar tanto no cinema como o fiz no remake de “Karate Kid”, foi difícil conter as lágrimas em pelo menos 3 momentos do filme, que é claro não vou citar aqui, rs. Além disso, após o fim da projeção, a sessão que estava lotada foi aplaudida pelos espectadores, algo que a muito tempo não vejo em salas de cinema, e isso mostra que o longa não só foi bem produzido e dirigido, mas também deve ser unanimidade por parte do público!
Nota 10!!!

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