
“Harry Potter e as Relíquias da Morte” é um excelente filme de guerra. Isso mesmo. Filme de guerra. Inúmeras serão as críticas e artigos que avisarão que este é o longa mais sombrio da série. Os jornalistas não estão enganados, porém não podiam ser mais óbvios. O adjetivo “sombrio” é usado para descrever a série desde “O Prisioneiro de Azkaban”. À medida que Harry foi crescendo, os perigos e as perdas que enfrentou também foram se tornando maiores. Voldemort, o vilão eterno, ganhou força e, nesse sétimo capítulo, se tornou um mal mais do que ameaçador.
Claro, os filmes da saga foram se tornando cada vez mais sombrios. Nada, entretanto, se compara a esse. Nessa aventura, Harry, Ron e Hermione se tornam heróis plenos, responsáveis não apenas por salvar a escola de magia e bruxaria de Hogwarts, mas por salvar o mundo.
O grande mérito, não apenas de J.K. Rowling, que construiu a história até esse ponto, mas também de todos os cineastas responsáveis por levar os livros à tela, é fazer com que os espectadores acompanhem os sete anos da vida desses pequenos bruxos. Vimos Harry sofrer vivendo com os tios, descobrir a magia dentro de si, fazer amigos, aprender feitiços, se apaixonar, perder entes queridos… Foram sete episódios com muita história que prepararam leitores e audiência para o grande final. A apresentação dos personagens e o desenrolar de suas vidas é essencial para emocionar nessa primeira parte do encerramento da série.
Em seu último ano em Hogwarts, Harry decide não voltar à escola, mas partir para encontrar as sete horcruxes, pedaços de alma de Voldemort. É sua função encontrar todos os objetos que ainda faltam (quatro) e destruí-los. Só assim o lorde das trevas será derrotado. Claro que Harry não vai sozinho. Ron e Hermione são parte fundamental da aventura (e de sua vida). O cenário para a jornada do trio não poderia ser pior. Nenhum dos três tem idéia de por onde começar e, enquanto isso, família e amigos correm riscos.
As primeiras cenas desse longa metragem mostram Hermione apagando a memória dos pais. Para garantir que eles sobreviverão à guerra, a feiticeira apaga seu rosto em cada uma das fotos de sua casa. Emma Watson faz a cena brilhantemente. Se antes a atriz abusava das caretas, nesse filme ela está fantástica. Sua atuação é sutil e, nos pequenos gestos no decorrer do filme, ela demonstra o pesar de quem abandonou a família e não sabe ao certo se terá um futuro com Ron. A cena de “Mione” apagando a memória dos pais já é capaz de emocionar, preparando terreno para muitas outras cenas que também geram este sentimento.
O romance entre Rony e Hermione, aliás, é algo que finalmente transparece. Nos filmes anteriores, Harry, por ser o herói da saga, sempre ganhava a atenção de Hermione. Aqui é visível o interesse dela em Ron, assim como o ciúme dele por Harry, um mérito de Rupert Grint. Grint, aliás, é, na minha opinião, o grande destaque do filme. Um personagem que, de forma convincente, é por um lado o grande trunfo de Harry em sua busca pelas horcruxes, mas por outro um íntimo “inimigo” vamos dizer assim, quando se remete ao triângulo que o envolve com o mesmo Harry e Hermione.
Todos os três astros de “Harry Potter e as Relíquias da Morte” amadureceram. É impressionante vê-los carregando toda essa dor ao longo do filme. Uma dor que, com certeza, foi acumulada após cada uma das perdas narradas no decorrer da aventura. A grande atuação dos três, entretanto, ganha ainda mais peso com o elenco de apoio. Além dos já conhecidos personagens que voltam para proporcionar alívio cômico e dar ainda mais vida à realidade mágica, conhecemos outras figuras, como Mundungus Fletcher (excelente). Se o mundo mágico tivesse jogo do bicho, Mundungus seria bicheiro. As correntes de ouro, a careca mal cuidada, a vaidade cafona. O personagem transparece a charlatanice até no jeito de falar.
Xenófilo Lovegood, pai de Luna, é outro achado. Tão perdido quanto a filha, o personagem, interpretado muito bem por Rhys Ifans, mistura a comédia e o drama em uma única cena. É irresistível assistir à construção da cena e do personagem. Há tantos momentos fantásticos de atuação que é difícil comentar cada um deles. Jason Isaacs como Lúcio Malfoy, James e Oliver Phelps como os irmãos gêmeos de Ron e Julie Walters como Molly Weasley são alguns dos nomes que com certeza arrancarão soluços. Se não nessa primeira parte de “Relíquias da Morte”, com certeza na segunda.
Os dramas e interações entre os personagens são tão bem construídos que não dá para esquecer por um minuto o que aqueles momentos significam. Há tensão ali. A tensão de uma guerra iminente. As cenas de ação fazem jus à atmosfera construída. O texto, convenhamos, não era lá dos mais ricos nesse aspécto. No livro, Harry, Ron e Hermione ficam mais tempo acampados e decidindo o que fazer do que com a mão na massa de fato. A falta de ação na história fez com que os fãs ganhassem ainda mais com a divisão da trama em dois filmes. Essa é, com toda a certeza, a mais fiel das adaptações. Com mais tempo, roteirista e diretor puderam trabalhar em cada um dos detalhes da trama.
“As Relíquias da Morte” foi feito também para emocionar. Algumas cenas já são marcantes e entrarão para a história do cinema. Aquela citada anteriormente envolvendo Hermione e seus pais tem um tom de melancolia que chega a “asfixiar”, outra cena tocante é aquela em que Harry está se despedindo de sua antiga moradia observando o sótão onde viveu durante anos e parece que neste instante pensava: Eu era feliz e não sabia...isso baseado no que ele iria enfrentar de ali em diante, é até incoerente pensar em tal situação, mas a expressão de Harry demonstra que este personagem preferiria passar tudo o que passou de sofrimento até ali, do que enfrentar o que viria pela frente, um momento marcante da trama e também cativante. A cena da morte de Dobby não tem como não se emocionar, dava pra se escutar os murmurinhos do público. São situações que preparam terreno para muita emoção que ainda virá e um grande finale que promete mexer com a sensibilidade de todo público.
O diretor David Yates fez um trabalho fantástico. Ele foi responsável pelo amadurecimento não apenas dos atores, mas também da trama. Compare o primeiro filme da série, dirigido por Cris Columbus, e esse último. São completamente diferentes. Uma obra que vai da ingenuidade ao pesar. Pesar combina mais com a história triste de Harry Potter. Desde que assumiu a saga, Yates tem conduzido o drama com qualidade. A cada filme o diretor colocava Harry Potter um passo a frente para alcançar os grandes épicos.
A prova do desafio enfrentado por Yates foi dividir a última parte da saga em dois. O diretor conseguiu incluir, no ponto de corte, drama e ação. O final dessa primeira parte não é nada brusco. Faz sentido e nos deixa com vontade de mais.
Não tenho dúvidas de que “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, partes 1 e 2, estarão entre os filmes mais marcantes da história do cinema, seja pela contribuição de Harry Potter na formação da cultura pop, pela qualidade dramática do longa metragem ou pelas excitantes cenas de ação. Assistimos ao desenrolar dessa guerra, que ainda não terminou e que, com certeza, renderá momentos ainda mais marcantes em sua segunda parte. Um filme tenso, sombrio, com uma temática “fria e pesada” destacada pela fotografia e obscuridade das cenas, um grande elenco (em número e qualidade) e uma direção primorosa de Yates garantem a Harry Potter – As Relíquas da Morte, primeira parte, o melhor filme da franquia, nos deixando com um gostinho de “quero mais” e a seguinte sensação: preparem-se, o final (segunda parte) será épico, emocionante e cativante! E pra concluir tudo isso: Uma sessão lotada, que termina com aplausos calorosos, resume o que o público achou deste “início do fim”!
Filmaço, sem dúvidas, nota 10

Oi Gú!! adorei a sua crítica!! a melhor parte foi 'mundungo bicheiro' hahahahah não tinha parado para pensar nisso, mas faz todo sentido! fiquei mais empolgada para ver o filme...se a primeira parte foi tão boa assim, imagina a segunda com invasao de gringotes??!!é uma pena que não apareça o St Mungus...
ResponderExcluirBjão
Vanessa
O filme é muito bom, gostei de como foi fiel ao livro em vários detalhes importantes. Sem sombra de dúvidas vou assistir novamente. Saudade de ler HP hehe...
ResponderExcluirAe Gu, o blog está show de bola!
Abraços
Oi Gu!como vc pediu aqui esta meu comentário pós filme!rsrs
ResponderExcluirEu gostei muito, realmente é a melhor adaptaçao do livro em relaçao aos outros! eu só achei que o efeito especial dos patronos era muito melhor na ordem da fenix! eles eram mais definidos...e na minha imaginaçao...e isso vem desde o enigma do principe, a Toca não fica no meio de um pantâno!!! hahahaha o que é toda aquela agua em volta? no livro fala q eles tem um jardim bonito ( cheio de gnomos) com a grama meio alta...mas não um matagal! Outro detalhe é que as visões do Harry são muito boas...mas ele acorda como se não tivesse sido nada demais!acho que faltou um pouco de emoção! ng que "sonha" com pessoas sendo torturadas e mortas acorda tão tranquilo como ele!!rsrs
Uma outra coisa que me chamou atenção, mas foi uma falha do filme anterior, é que o Harry está totalmente perdido em relaçao as horcruxes! não que no livro não estivesse...mas ao menos eles sabia q algumas delas eram ligadas aos fundadores de Hogwarts....assim como o medalhão de siltherin, deveria ter algo da Helga hufflepuff e dos demais!e o Dumbledore havia mostrado as lembranças...falando que uma possivel horcrux seria a taça...O Harry pode não saber onde está...mas ao menos sabe o que pode ser! não sei se vc consegue me entender!rsrs minha amiga não achou tão importante mas para mim faz uma pequena diferença!!rsr
Apesar de tudo eu realmente adorei o filme!!rsrs amei a cena em que a Hermione dança com o Harry...ficou tão leve! mostrou bem a amizade deles..e que ele só estava tentando animá-la, como um amigo de verdade, sem outras intençoes!! Gostei tb do Dobby com o Monstro...poderia ter mostrado um pouco mais...e apesar de saber o q aconteceria com ele...eu chorei !! rsrs aliás, ate qdo a Edwirges foi atacada eu chorei!! o que para mim foi muito mais emocionante e digno dela do que foi descrito no livro....essa parte realmente foi uma adaptaçao excelente!
Só mais uma coisinha...rsrs eu achei que eles focaram tanto na ação do filme que a parte mais sentimental foi deixada de lado...achei que faltou sentimentos em relação aos personagens , com exceção ao Rony e a Hermione..todos parecem aceitar muito bem que terá uma guerra e q podem morrer!o que não é bem assim se a gente conhece o livro!
Ufa! acho que era isso!rsrs
bjos
vanessa
Muito bom o filme!
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