segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Jogos Mortais - O Final (Saw 3D)


Em 2004, o serial killer Jigsaw (Tobin Bell) surgiu nos cinemas criando armadilhas mortais para pessoas que “mereciam” estar nelas. A idéia era testar a vontade de viver das vítimas por meio de escapes mirabolantes. O que mais encantava em Jigsaw era a inteligência de seus jogos e o fato de que, mesmo sendo um assassino, ele era acessível ao público e, de certa forma, simpático (hoje temos algo parecido em “Dexter”, apesar das diferenças). Nos quatro primeiros exemplares, foi possível presenciar diversos tipos de abordagem que os roteiristas ofereciam ao público. O inesquecível segundo filme, uma espécie de reality show forjado, talvez seja o melhor da série justamente por dar a sensação de que Jigsaw e seus jogos estão à frente até do próprio espectador.
Até o quarto filme, foi possível ver algo substancial na franquia. As armadilhas de Jigsaw realmente transformavam quem conseguia se livrar delas. É tanto que Amanda (Shawnee Smith) foi uma fiel seguidora, porém seu descontrole fugiu dos princípios de seu mestre: as armadilhas que ela criava eram praticamente impossíveis de escapar. Então, até por um princípio lógico do argumento da série, ela não seria a pessoa mais adequada para substituir Jigsaw após sua morte. Então apareceu Hoffman, um policial violento que entra no comando dos jogos mortais. A falta de carisma o transformou em um assassino sem muito atrativos. O que podemos ver neste sétimo filme é que ele, assim como Amanda, não é uma pessoa adequada para orgulhar Jigsaw, já que ele é apenas mais um assassino que não vê problemas em matar.
Hoffman monta os jogos baseado nos princípios de Jigsaw, mas ainda assim mata aleatoriamente. Talvez isso tenha prejudicado essa tão desgastada franquia que, em “Jogos Mortais 7”, prova que não tem mais para onde ir (apesar de que bilheteria alta sempre faz surgir mais um novo filme). Em Jogos Mortais 7, Hoffman se vê ameaçado por Jill (Betsy Russell), que o denuncia para a polícia. Em paralelo, ele monta um jogo sequencial, assim como utilizado anteriormente, para Bobby Dagen (Sean Patrick Flanery), que atingiu fama e fortuna após lançar um livro mentiroso sobre ter sobrevivido aos jogos de Jigsaw. É possível destacar que mesmo tendo uma franquia já desgastada, podemos notar que certos aspectos ainda tornam a franquia atrativa, as armadilhas são as mais violentas e inteligentes da série, a sacada de colocar no jogo um falsário e mentiroso que quis ganhar a vida em nome de Jigsaw também foi eficaz, e o final do filme nos garante uma surpresa, um personagem “esquecido” nos longas anteriores e que volta de maneira inesperada, proporcionando um final com gostinho de satisfação. Um outro destaque da trama é a adaptação para o formato 3D, onde obviamente temos sangue e pedaços de corpos jorrando na cara do espectador, e, apesar de pouco utilizado, o resultado de sua utilização foi bastante eficaz. Aqui é interessante ressaltar que vemos um bom trabalho na criação das perspectivas dos cenários e dos efeitos visuais de determinadas cenas, ainda que a tecnologia não tenha sido muito explorada no longa.
É notável também que o diretor Kevin Greutert está mais familiarizado com o cargo, apesar de ainda não ter momentos muito inspirados e que possa dar um novo fôlego à franquia. As atuações, como sempre, são expressivas apenas por exigir dos atores um pouco de pânico quando estes forem vítimas de uma armadilha. Tobin Bell (Jigsaw) faz uma ponta até interessante, mas não causa, assim como nos últimos filmes, aquela sensação de nostalgia e competência que demonstrou nos primeiros filmes e neste aspecto acho que o filme falhou, pois seu principal protagonista teve uma atuação rasa e pouco significativa.
Ao final deste final, que talvez não seja o final mesmo, o que nos resta é lamentar que não haja mais fôlego para a franquia. O público “vouyer” que gosta de ver armadilhas bizarras e muitos miolos na tela é o que impulsiona a boa bilheteria que, de qualquer forma, a série acaba arrecadando. Entretanto as grandes surpresas e reviravoltas mirabolantes já não existem mais. Resta apenas aos fãs de Jigsaw a melancolia de que um dia já foi muito bom assistir “Jogos Mortais”. Hoje a franquia busca fôlego somente na bilheteria do longa, pois aquele “boom” ou surpresa inicial já não existem.
Em suma, Jogos Mortais 7 pode ser considerado um bom filme se visto isoladamente, pois ainda assim nos oferece alguma surpresa ao longo da projeção, porém, se visto na visão da franquia como um todo e consequentemente uma continuação, podemos considerá-lo como inferior aos 3 primeiros. É até superior ao 4, 5 e 6, mas não mais impressiona pelas subtramas e seu desfecho, impressionando-nos somente pela criatividade no quesito armadilhas. Mesmo assim, vale uma conferida. Eu gostei, pra quem é fã da franquia, viu os filmes anteriores e tem estômago forte, é recomendável sim.
Nota 8

Nenhum comentário:

Postar um comentário