sexta-feira, 30 de julho de 2010

Salt (Idem)


Confesso que a partir do momento que tomei conhecimento sobre “Salt”, no que diz respeito a elenco, equipe de produção, sinopse e bastidores, fiquei curioso e comecei a acompanhar os momentos que guiavam a elaboração da trama, desde sua pré-produção, passando pela edição das cenas e diálogos e finalizando com sua pós-produção, ou seja, fiquei extremamente tentado com o que este filme poderia nos oferecer e digo isso, principalmente, por dois motivos: primeiro, Phillip Noyce é um diretor de ponta e conhecido, tendo feito belos trabalhos, como em “Geração Roubada”, “ O Americano tranqüilo” e “Terror a Bordo”; segundo, o papel de “Salt” seria inicialmente de Tom Cruise, mas este decidiu abandonar o papel por causa do outro filme em que trabalhava e gravava, “Encontro Explosivo”, sendo assim, eis que surge o nome de Angelina Jolie para substituir Cruise, e neste momento é que minha curiosidade tornou-se ainda mais aguçada, pois apesar de ter potencial (sempre acreditei nisso), acho que Jolie foi “mal aproveitada” ao longo de sua carreira, com exceção do excelente “ A troca” (de Clint Eastwood), sendo assim, pensei: Quem sabe nas mãos de Noyce, Jolie não poderia ter um papel tão bom quanto teve em " A troca"?. Ou seja, resumindo o porquê de minha ansiedade por esta estréia: um filme de espionagem, no contexto da Guerra Fria, com Noyce na direção e Jolie no papel de protagonista!!! Felizmente, toda essa minha ansiedade e espera pelo filme, VALEU A PENA!
Na trama, temos que Evelyn Salt (Jolie) antes de se tornar agente da CIA, prestou juramento de servir e honrar seu país. Ela colocará seu juramento em prática, quando um desertor russo a acusa de ser uma espiã russa. Neste contexto, Salt tenta fugir de seus perseguidores e provar sua inocência.
A primeira menção altamente positiva que deve ser feita sobre o filme já está no próprio cartaz de apresentação do longa, que diz: Quem é Salt? Uma pergunta simples, porém extremamente feliz e que resume basicamente o filme. Ao longo da trama, nunca sabemos se Salt é a vilã ou mocinha, o filme é repleto de reviravoltas e a atenção detalhada aos flashbacks são essenciais a fim de que se haja um perfeito entendimento e compreensão da história. A pergunta sobre quem é Salt será respondida, fiquem tranqüilos, mas o simples levantamento desta questão e sua inserção no contexto da obra, e a forma como é explicada, já confere ao filme um conceito profundo, onde nem sempre uma pessoa é o que parece ser. Ponto para Noyce e sua equipe de produção, que conseguem envolver o telespectador durante os 100 minutos de filme.
Outro ponto altamente positivo foram as cenas de ação, muito bem feitas, trabalhadas e orquestradas por Noyce e sua equipe de produção. O filme é “elétrico”, em poucos momentos conseguimos “parar para respirar”, os diálogos são poucos, mas isso não atrapalha no entendimento da história, até porque a presença dos flashbacks compensam essa questão da “pouco” diálogo. Diferentemente de muitos filmes de ação, em “Salt”, o excesso de ação em detrimento aos poucos textos não comprometeram o andamento e desfecho da trama.
Agora vou falar um pouco do elenco, que também foi muito bem escolhido por Noyce, com destaques principalmente para Jolie, que está completamente a vontade no papel protagonista de “Salt”, onde exalando sensualidade, sua personagem não hesita em usar este atributo a seu favor, transformando o mero gesto de obstruir a lente de uma câmera de segurança em algo capaz de elevar a pressão do público masculino (ela emprega a calcinha na tarefa), com uma expressão sempre fria e determinada e exibindo um vigor físico invejável, a atriz converte Evelyn Salt numa heroína praticamente indestrutível, fria e cruel. Fechando o elenco, Liev Schreiber e Chiwetel Ejiofor surgem corretos como os principais perseguidores de Salt, ao passo que Andre Braugher parece estar fazendo um favor pessoal a Noyce ao aceitar surgir numa aparição inexplicável, já que entra mudo e sai calado do filme.
Merecendo créditos também pela encenação de uma morte que envolve um par de algemas e surpreende pela brutalidade, Salt é ágil o bastante para divertir e curto o suficiente para não entediar. A temática central do filme compõe um clichê, sendo exposta várias e várias vezes já em Hollywood (Guerra Fria e seus desdobramentos), no entanto, Noyce expõe essa temática de forma vibrante e repleta de reviravoltas, e isso torna o filme instigante, tenso e nem um pouco cansativo. Mais um ponto para Noyce e sua equipe.
Valeu esperar, valeu ficar ansioso, valeu acompanhar todo o andamento do trabalho de “Salt”, valeu pelo grande trabalho de Jolie e Noyce. Na minha opinião, um dos melhores filmes de ação do ano, adoreiii e recomendo... quero assistir mais uma vez, hehe!
Nota 10!!

sábado, 24 de julho de 2010

Predadores (2010) - Predators (2010)


Ano de 1987: eis que o diretor Jonh McTiernan cria uma das criaturas mais assustadoras do cinema, emblemática pela maneira de caçar, perseguir, expor suas artimanhas, sentir a temperatura do corpo humano e principalmente, predar. O Predador (1987) foi o primeiro filme que me causou medo, lá pelos meus 12-13 anos e marcou minha vida. Tenho “O Predador” como um dos meus filmes favoritos não só pela maneira como o vilão (protagonista) nos foi apresentado, mas também como se desenvolveu a trama, seu contexto, o ambiente em que foi criado e principalmente pelo grupo alvo do predador.
Eis que após 23 anos, Robert Rodriguez (Um drink no Inferno) fã de carteirinha da série dos filmes “Predador” decide bancar uma nova trama, e com a parceria de Nimród Antal (Temos vagas) consegue, na minha opinião, dar uma dinâmica boa ao filme e proporcionar ótimos momentos de ação, através de uma história simples, porém bem formulada e explicada. Na trama, um grupo de guerreiros de elite descobre estar em um planeta alienígena. Com a exceção de um físico, todos são, de alguma forma, assassinos - mercenários, condenados, membros do esquadrão da morte e da Yakuza - predadores humanos que agora são caçados por uma raça desconhecida, em uma espécie de jogo de gato e rato.
Em primeiro lugar, gostaria de destacar como ponto altamente positivo, o ambiente físico do filme: um lugar profundamente inóspito e obscuro, revelando a imprevisibilidade da geografia alienígena, onde nesta inclui-se vários terrenos diferentes que se justapõe, como por exemplo, matas fechadas aliadas à terrenos rochosos e ainda florestas mais abertas com plantações de eucalipto. Toda essa justaposição ambiental (rara em qualquer ambiente do mundo) já é capaz de nos mostrar que o ambiente na qual “nosso esquadrão” de combatentes está exposto, é algo, digamos, “suspeito”.
Outro destaque do filme se dá na quesito elenco, onde Antal e Rodriguez nos apresenta personagens multiétnicos e com caricaturas bem destacadas, temos o japonês da Yakuza que, sempre calado, tira os sapatos para sentir misticamente a lama e que, claro, é um mestre com espadas (Changchien); o mexicano durão que trabalha como capanga de um cartel do narcotráfico (Trejo); o fracote que atua como alívio cômico (Grace); o negro gigantesco que aparentemente acredita no sobrenatural (Ali); o russo que quer voltar para os filhos (Taktarov); e o serial killer com cara de Joe Pantoliano (Goggins).
Ainda com relação ao elenco, vale destacar a ótima “química” envolvendo Adrien Brody e Alicia Braga, onde o primeiro estabelece uma dinâmica curiosa com a atriz, parecendo enojá-la e atraí-la ao mesmo tempo, num jogo de sedução/rejeição salientado pelas brigas constantes, mas também pelos insistentes planos nos quais aparecem colados um ao outro enquanto observam algo à distância. A brasileira Alicia Braga, por sinal, é uma personagem complexa na trama, é a personagem que reconhece seus erros e suas limitações, sendo a única que “enxerga” uma possibilidade de redenção, lamentando ao longo da trama, sua vida errante.
A crítica negativa que deixo é que faltou um pouco de originalidade na trama, na maneira de expor a personalidade dos predadores e a forma na qual agiam diante de suas vítimas, ou seja, não houve nada de muito diferente do que foi abordado em “ Predador” (1987). Assim, mesmo com a tecnologia vigente e o “dedo” de Robert Rodriguez, a história original continua sendo insuperável e altamente superior aos outros filmes da série, inclusive a este.
A temática central do filme compõe um clichê, onde sob o pretexto de que fazem parte de um experimento comportamental e munidos de toneladas de frases de efeito, o grupo precisará unir as informações sobre a vida e a personalidade de cada um para desvendar o mistério e encontrar uma saída da sufocante ilha, deixando assim, de serem caçados pelos habitantes locais. Apesar da temática pouco inventiva e já batida, o roteiro não deixar de ser dinâmico e a questão multiétnica dos personagens associada ao caricaturismo de cada representante, produz um contexto intrigante e satisfatório para o andamento do longa.
Gostei do filme, que mesmo sendo inferior ao original, consegue chamar a atenção e prender o espectador durante os 115 minutos de projeção. Os predadores estão de volta e deu pra se matar um pouquinho das saudades do filme original, que com certeza, é insubstituível e marcante!
Nota 8

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Toy Story 3 (idem)


Quando assisti “Procurando Nemo”, confesso que fiquei curioso para conhecer melhor o universo que produziu este longa devido à qualidade no quesito história e animação. A partir daí, a Pixar tornou-se, pra mim, o maior estúdio cinematográfico de animação já existente. Depois fiquei sabendo que Toy Story 1 e 2; Carros; Os incríveis, também faziam parte deste estúdio. Após assistir a Procurando Nemo, pensei: não vai haver filme com tamanha perfeição como este, me enganei. Eis que surge Wall-e e eu disse a mesma coisa: Wall-e é completo em todos os sentidos, o maior e melhor filme de animação de todos os tempos, me enganei (2). Veio Up e meu vislumbramento com o filme se tornou ainda maior, a Pixar produziu uma obra prima, esse sim ninguém supera, me enganei (3). Acabei de ver Toy-Story 3 e digo que, o novo longa da Pixar, consegue ser ainda melhor do que os citados anteriormente.
Toy Story 3 traz Woody, Buzz e toda a turma de brinquedos de volta às telonas quando Andy se prepara para ir para a faculdade e seus leais brinquedos vão parar numa creche! Mas esses bravos baixinhos e “guerreiros” não estão para brincadeira, então, serão todos por um e um por todos, enquanto implementam seu plano da grande fuga da creche. Embarcam com eles nesta aventura, muitos rostos novos, alguns de plástico, outros de pelúcia, incluindo o famoso solteiro e festeiro acompanhante da Barbie, Ken; o ator e ouriço de jardineira, Espeto e um ursinho de pelúcia rosa com cheiro de morango, chamado Lotso Ursinho Fofo.
É incrível como a Pixar consegue dar vida e sensibilidade a seus personagens de forma que a cada ato do filme, nos sentimos ainda mais apegados aos bonecos e brinquedos da trama, as histórias de Andy que são mostradas ao longo do filme, remetendo ao passado e sua relação com os brinquedos são tocantes e emocionantes, Andy está com seus 17 anos e à beira de entrar na universidade, mas sua relação do passado com os “toys” é mostrada durante a projeção e é de uma sensibilidade incrível, não tem como não se emocionar.
Toy Story 3 inicia-se da mesma maneira que o segundo, com os brinquedos passando por uma grande aventura que, obviamente, não passa de mais uma brincadeira do dono. Depois disso, nada de piadas repetidas ou situações clichês. O que espera o público é um monte de personagens novos ótimos, como o Ken e o urso Lotso, e a graça renovada dos antigos brinquedos, como o hilário casal Cabeça de Batata, Slinky, os chaveirinhos do Pizza Planet, a cowgirl Jessie, o cavalinho Bala no Alvo e o inocente dinossauro Rex.
Como se não bastasse apenas resgatar os brinquedos, os roteiristas Michael Arndt e John Lasseter (gênio) tratam com excelência questões como o autoritarismo, confrontado com a liderança participativa; a união; o pré-julgamento pela aparência; a lealdade e até a questão da superexposição pelas câmeras, como mostram as cenas do macaco que vigia as dezenas de câmeras da creche: ele é o chamado “olho que tudo vê”.
Ainda assim, num filme em que as aparências enganam, o que predomina é o que interessa: a diversão. Sequências espetaculares e ação bem amarrada ditam o ritmo acelerado, fazendo rir e às vezes até chorar, numa obra grandiosa e de qualidade inquestionável.
No meu caso, a imersão na história foi tão grande que, sinceramente, nem reparei nos efeitos 3D. Na verdade, eles são, pela primeira vez, fator secundário.
O tempo dirá qual das três partes é a melhor da trilogia dos brinquedos, mas Toy Story 3 compete em pé de igualdade e agrega qualidades suficientes para ocupar o primeiro posto.
É importante ressaltar que a Pixar tem a competência de tratar suas animações de forma séria, de modo que suas histórias encantam e divertem o público infantil e ao mesmo tempo insere lições de moral para que nós adultos saibamos interpretá-las e ao mesmo tempo adotá-las em nosso dia a dia, eis o ponto chave da grandeza das obras (primas) deste estúdio!!!
Toy Story 3 é maravilhosamente encantador, tocante, emocionante, belo e especial, um filme que merece ser visto e revisto por todos os tipos de público. A franquia Toy Story certamente tornou-se um clássico das animações, uma série de filmes antológicos para se emocionar e encantar, onde as crianças se identificam e os adultos também, e isso torna Andy, Woody e Buzz peças fundamentais do mundo cinematográfico como personagens inesquecíveis. SENSACIONAL, NOTA 10!!!!!
PS: Toy Story 3 é o maior e melhor filme de animação de todos os tempos, não existirá outro que bata de frente, me enganei (4) de novo, será??? Rsrs, em se tratando de Pixar, certamente irei me enganar pela quarta fez, rsrsrsrs!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

O Príncipe da Pérsia e as Areias do Tempo ( Prince of Persia, the Sands of time, 2010 )


O Príncipe da Pérsia: As areias do tempo, novo longa do diretor Mike Newell (Quatro casamentos e um funeral, Donnie Brasco), conta a história de um príncipe guerreiro que une forças com uma misteriosa princesa e, juntos, lutam contra forças obscuras para salvaguardar uma antiga adaga capaz de libertar as Areias do Tempo - um dom dos deuses que dá à pessoa que o possui o poder de controlar o mundo.
Podemos considerar que a empreitada de Newel em adaptações de games para a telona foi bem sucedida, a história do Príncipe, desde sua origem, associada ao misticismo da lendária areia do tempo e seu poder de garantia de domínio do mundo por parte de seu detentor, tornaram a aventura bastante sólida, com muitos momentos de ação e até pitadas de humor. Impecáveis as cenas de luta, perseguições, os efeitos especiais no movimento da areia do tempo proporcionando as mudanças temporais ao longo da trama, o cenário, montagem e figurinos!! Vale destacar também a fidelidade de Newell ao game, adotando cenários extremamente idênticos aos do jogo. Igualmente fiéis são os saltos característicos do príncipe, uma espécie de jumper persa divertido, encarnado com um “quê” de Aladin, e a adaga, cujo poder é ativado pelo botãozinho mágico, cuja função soa superficial e excessivamente incrível no filme!!! Parabéns a Newell, até porque fidelidade em adaptações é algo importante, principalmente para os fãs!!!
As atuações foram boas, gostei principalmente da dupla composta por Alfred Molina e Steve Toussaint que, como o sheik Amar e seu braço-direito Seso, criam uma dupla carismática e com ótima química, merecendo assim ser destacada. A atuação de Gyllenhaal como príncipe foi boa, mas não merece o destaque que um protagonista de um grande projeto deveria merecer.
Diferentemente das histórias em quadrinhos (hq), os games não precisam de excelentes e rebuscadas histórias para funcionarem, ou seja, basta um pretexto e... vamos à ação, isso significa que o roteiro do filme não é impecável, pelo contrário, contem seus furos e falhas, porém, o longa funciona bem no que se propôs a mostrar e nesse caso, este aspécto é o que deve ser considerado!!
Gostei sim do filme e recomendo, é um excelente passatempo e diversão que deve agradar a todas as faixas etárias. Mistura de Piratas do Caribe com Aladin e umas pitadas de filmes-aventura-em-busca-de-tesouros-perdidos da década de 1980, Príncipe da Pérsia deve ganhar o posto de melhor adaptação de games para as telonas, mas isso definitivamente não é algo do que se vangloriar.
Recomendo: nota 8

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A Hora do Pesadelo (2010) - Nightmare on Elm Street (2010)



Freddy Krueger sempre foi um vilão que me assustou. O surgimento deste lendário ícone do terror se deu em 1984 (A Hora do Pesadelo, de Wes Craven, o melhor filme da série), de lá pra cá foram mais 6 filmes e apesar de inferiores ao original, todos continuam a assustar, revelando o lado cruel de um assassino e sua personalidade macabra e fria.
Eis que 26 anos se passaram e o diretor iniciante Samuel Bayer (em parceria com Michael Bay) decidiu refilmar a história do assassino lendário que marcou época nos anos 90, tornando-se conhecido como o “assassino da rua Elm”.
Em “A Hora do Pesadelo (2010)”, um grupo de adolescentes suburbanos compartilha um vínculo: todos estão sendo perseguidos por Freddy Krueger, um assassino horrivelmente desfigurado que os caça durante seus sonhos. Quando acordados, eles protegem uns aos outros mas quando estão dormindo, não há escapatória. Exibindo o chapéu que é a marca registrada de Freddy, um casaco de listras vermelhas e verdes e luvas com quatro lâminas está o indicado ao Oscar Jackie Earle Haley (Pecados Íntimos, Watchmen).
A história do filme e a forma como foi contada tornou-o dinâmico e interessante. Gostei muito da forma como foi contada a origem do assassino, abordando sua verdadeira personalidade e a forma como agia perante às crianças da rua Elm. O tempo passou e quando adultos, os personagens conhecem a verdadeira história de Freddy, suas nuancias e o porquê de sua ação. Os efeitos especiais modernos, a qual Wes Craven não teve acesso, torna o filme mais real, com cenas e mortes ainda mais brutais e impactantes. Agora o grande problema do filme está justamente em seu protagonista, o “novo Freddy Krueger” (Earle Haley). Pra mim, o personagem de Robert Englund ( A Hora do pesadelo, 1984 ) tornou-se marcante pela forma com que se expressava, sua ironia, dissimulação e sarcamos, tudo na “pitada” certa a ponto de deixar o telespectador perplexo com seus atos e personalidade. Neste “A Hora do Pesadelo” (2010), vemos um personagem que parece que não se sentiu a vontade no papel do assassino da Rua Elm, faltou expressividade, e principalmente sarcasmo e ironia (marcas essenciais dos filmes de Krueger ), Earle Haley é um assassino frio, mas pouco criativo e sem expressão, ou seja, Freddy Krueger esteve literalmente “desfigurado” neste novo longa e isso acaba pesando, pois se trata do protagonista da trama!
Bacana é reviver cenas marcantes dos filmes anteriores: “a música do Fred... (1...2.... Freddy vai te pegar.... arrepiaaantee deeemaaais), as cenas de corpos arrastados no teto, lâminas afiadas que rasgam a tudo e a todos....etc.
No conjunto da obra temos uma história bacana e muito bem contada, mas com um personagem protagonista tendo pouco destaque. Mesmo assim, para os fãs da série e de Freddy Krueger, certamente é um filme recomendado e que deve ser visto! Recomendo... nota 8!!!!
PS: Geralmente a classificação etária dos filmes não é respeitada aqui no Brasil, mas recomendo a não ida ao filme de crianças-adolescentes menores de 16 anos. As mortes na trama não são nada agradáveis!

sábado, 13 de março de 2010

A Ilha do Medo (Shutter Island)


Em 1954, uma dupla de agentes federais investiga o desaparecimento de uma assassina que estava hospitalizada. Ao viajarem para Shutter Island - ilha localizada em Massachusetts - para cuidar do caso, eles enfrentam desde uma rebelião de presos a um furacão, ficando presos no local e emaranhados numa rede de intrigas.
A cada filme que vejo de Martin Scorsese percebo a capacidade do diretor em criar histórias, com fatos e argumentos, que levam o espectador a refletir sobre as mais diversas realidades em que os seres humanos se enquadram. E esse “ A ilha do Medo” não foge desta linha de pensamento. O filme relata a ação doentia da mente humana, retratando os distúrbios psíquicos que podem moldar a personalidade das pessoas, influenciando da mesma forma, o modo de vida das pessoas à volta. Scorsese deve levar o espectador à momentos de insanidade, aflições e até mesmo desespero com tudo o que acontece na ilha e a seus prisioneiros (pacientes). O diretor cria um filme de suspense bastante soturno, um thriller psicológico assombroso e psicótico. Ainda que possua diversos elementos em comum com alguns de seus maiores clássicos, Scorsese arrisca-se em um território relativamente inédito para o seu cinema, ousando flertar de forma mais direta com o estilo de Alfred Hitchcock e a lampejos de Kubrick, na atmosfera sombria e agonizante de “O Iluminado”. Em “ A Ilha do Medo”, Scorsese mostra que é capaz de realizar grandes obras em quaisquer gênero que se engaje. A trilha, os enquadramentos, o tratamento dado à fotografia e os diálogos do roteiro são todos muito bem utilizados para criar a atmosfera de um clássico filme de estilo suspense.
A trama apresenta reviravoltas absurdas, labirintos psicológicos, ritmo acelerado, uma mescla constante de delírio e realidade e, ao fim, claro: uma revelação derradeira, chocante, que dá novo sentido e dinâmica para toda a história, sendo assim, a trama tem como principal virtude a capacidade de envolver inteiramente o espectador até o último minuto. Ainda que pese um teor mais comercial em Ilha do Medo, engana-se quem pensa que Scorsese cai numa simples gratuidade de gênero. Pelo contrário: a trama serve de pano de fundo para uma reflexão muito mais profunda e abrangente do que inicialmente pode se supor.
Destaque para a atuação de Leonardo DiCaprio, que nas mãos de Scorsese tornou-se um ator excepcional e demonstra sua competência e eficiência a cada novo longa. Seu personagem em “ A Ilha do Medo” é doentio e psicótico, com surtos de insanidade e rodeado por pesadelos que mostram-se extremamente reais e impactantes. Com essa técnica, Scorsese aproveita para entregar ao espectador cenas lúdicas com a dose certa de surrealismo e efeitos visuais, tornando o longa ainda mais sombrio.
São poucas as pistas soltas sobre o mistério que envolve a Ilha Shutter e seus habitantes, o que fará muita gente ficar impaciente por uma resolução dos fatos, já que por boa parte da projeção o roteiro parece não querer que o espectador entenda muita coisa do que está vendo. Mas uma cena crucial elucida o caso, bem ao modo hitchcockiano de encerrar filmes, com cada detalhe (excessivamente) explicado.
Se o longa entrará para o hall dos clássicos de terror, só o tempo dirá. Mas uma coisa é certa: Scorsese é um mestre, um gênio que demonstra perspicácia e maturidade suficiente para tratar qualquer aspécto humano com maestria e perfeição. “A ilha do medo” certamente vai lhe deixar tenso e horrorizado, um triller psicológico de arrepiar e com um final surpreendente e doentio. Um dos melhores suspenses que vi em minha vida. Imperdível, nota dez!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

2012 (2012)


2012 narra a história de um possível fim dos tempos descrito pelo calendário maia, que começa a se desenhar no ano de 2012. Este mesmo povo e calendário previra anteriormente importantes fatos históricos, como por exemplo a chegada de Hernan Cortez à cidade maia em 8 de novembro de 1519. O calendário maia prevê uma mudança radical para o solstício de inverno (verão no hemisfério sul) em 2012, sendo que em 21 de dezembro de 2012 acontecerá um grande acontecimento (ninguém sabe qual), um fato que mudará o nosso planeta da forma que o conhecemos.

Baseado nessa visão histórica apocalíptica, o personagem de Jonh Cusack corre contra o tempo para salvar os membros de sua família da possível destruição iminente que há de vir.

O filme não me empolgou, a não ser por seus efeitos especiais. A história é repleta de clichês: Um bom ator como protagonista, casal que acabou de se separar e ainda se ama, família que tenta superar seus problemas, um presidente americano do bem e outro político qualquer incorporando o lado mau da situação, a questão de ~ 95 por cento da população morrer e a família protagonista escapar por pouco, em muitas ocasiões, de todas as situações de fúria da natureza, e por aí vai. O roteiro do filme é um fiasco e a atuação de grande parte do elenco (exceto de Cusack e Glover) é fraca. A primeira uma hora de filme até que é um pouco interessante, onde um cientista indiano revela, em 2009, que a terra está com os dias contados e nesse ínterim acontece um detalhamento sobre as profecias maias. Quando chegamos finalmente em 2012 tudo começa a ir pelos ares. Com o alinhamento da terra com outros planetas, várias catástrofes começam a assolar o mundo: terremotos, explosões, tsunamis, avalanches... e assim, a terra fica praticamente inabitável, resultando em um número massivo de mortes de seres vivos por todo o planeta.

Neste cenário, o governo estadunidense (como sempre: eles), decidem construir arcas insubmergíveis para salvar uma parte da população, para depois reconstruir novamente a civilização. Este fato nos remete a construção da Arca de Noé, onde um casal de cada espécie foi “coletado” a fim de manter a espécie e em seguida perpetuá-la, porém, diferentemente desta arca arcaica construída por Noé e colaboradores, as arcas do filme são modernas, construídas pelos chineses - porque os americanos mesmo não põe a mão na massa. Sim, arcas made in China.

Os americanos podiam sacanear e mostrar as arcas partindo ao meio antes do fim da travessia, mas não, o objetivo do filme não é questionar a qualidade dos produtos chineses, mas fazer uma produção globalizada - e as espécies que vão sobreviver são escolhidas de acordo com a quantidade de grana que possuem em seus bolsos, mas tem sempre um pé rapado tentado furar a fila, no caso John Cusack & família, eis ai um “novo” clichê.

E nesta odisséia, enquanto o mundo vai pelos ares e os ricos tentam um lugar nas arcas, lá se vão 158 minutos da sua vida. Se vc quiser ver um filme sem compromisso algum, somente pra passar seu tempo e observar efeitos de primeira qualidade, 2012 é uma boa pedida!

Nota 6