quinta-feira, 9 de junho de 2011

X-Men: Primeira Classe (X-Men: First Class)


Mutação é a chave para a evolução (esse tema é bacana, kkkk). O problema é que nem todas as mutações são benignas, as variações genéticas dos organismos podem promover adaptações destes ao ambiente em que encontram ou levá-los à extinção. O viés desta introdução não é porque sou fascinado no assunto, mas simplesmente porque tem tudo a ver com a temática da franquia X-Men. Quando a franquia “X-Men” migrou para os cinemas, o talentoso cineasta Bryan Singer entregou aos fãs e ao público em geral dois ótimos filmes. O terceiro capítulo foi dirigido por Brett Ratner (o mesmo de “A Hora do Rush”) e não foi um longa ruim, mas focou demais em entregar coisas que apenas os fãs desejavam ver. Em seguida veio “X-Men Origens-Wolverine” e o clima sério que permeava as películas anteriores ficou em segundo plano e o resultado foi um pouco aquém do esperado, com qualidade inferior aos capítulos iniciais.
Chega agora às telas este “X-Men-Primeira Classe”, com Singer assumindo a posição de produtor e com o também talentoso Matthew Vaughn (do excelente“Kick-Ass - Quebrando Tudo”) na cadeira de diretor e co-roteirista. Respeitando (ao menos parcialmente) o que foi mostrado na trilogia original e basicamente jogando no limbo a fita-solo do Wolverine, esta nova produção recoloca, de modo surpreendente, os mutantes na linha.
Misturando ficção e fatos históricos, a trama nos conta como, em meio à crise dos mísseis em Cuba em 1962, Charles Xavier (James McAvoy) e Erik Lensherr (Michael Fassbender) vieram a se tornar os rivais Professor X e Magneto. Enquanto o jovem Lensherr não conheceu nada em sua infância além de horrores nas mãos dos nazistas, crescendo com nada além de vingança contra seus algozes em sua mente, Xavier foi criado em um ambiente abastado, podendo explorar seus dons e, a despeito de compreender o preconceito, abraça uma doutrina pacifista.
As jornadas dos dois acabam se cruzando de maneira explosiva enquanto caçam, por motivos distintos, um aristocrata chamado Sebastian Shaw (Kevin Bacon), que deseja começar a Terceira Guerra Mundial com a ajuda de seu “Clube do Inferno”. Contando com um auxílio instável vindo da CIA, Charles e Erik começam a reunir (e em conseguinte recrutar) outros mutantes ao redor do mundo com o objetivo de deter Shaw. No entanto, o modo de pensar dos dois amigos poderá colocá-los em uma rota de colisão.
James McAvoy faz um trabalho excepcional em afastar Xavier da aura de santo que o personagem tinha quando vivido por Patrick Stewart, mostrando-o como um jovem excepcionalmente inteligente e compassivo, mas também muito humano, gostando de se divertir e paquerar, em uma nova e interessante visão do Professor X.
No entanto, o filme é realmente de Michael Fassbender, que transforma o seu Erik na figura mais fascinante da franquia, respeitando o trabalho de Ian McKellen, mas acrescentando um rancor e uma ira que comovem a platéia, nos compadecendo com o sofrimento que este experimenta e tornando compreensível o ódio no coração do futuro Magneto. Impossível não notar o paralelo entre as ações de Erik no começo do filme com as dos Bastardos Inglórios de Quentin Tarantino, principalmente em uma cena em um bar na Argentina (é Tarantino fazendo história, aliás, essa cena do bar é mto bacana).
Mesmo com o destaque dado aos dois principais jogadores da saga, os demais personagens não estão em cena como mero enfeite, cada um exercendo seu papel dentro da narrativa. A indicada ao Oscar Jennifer Lawrence hipnotiza o público com sua Raven, com seu desejo de aceitação sendo algo palpável para o público e sua vontade de se relacionar com alguém que a compreenda sendo fundamental para a mensagem do filme.
O arco de Raven bate de frente com o do jovem Hank McCoy, vivido com intensidade por Nicholas Hoult. Hank nos é apresentado como um jovem brilhante, mas que não se vê como um indivíduo realizado justamente por conta de sua mutação, que lhe passa uma imagem animalesca. O fruto do desejo de normalidade do rapaz não deixa de ser tragicamente irônico.
Outro destaque no elenco é Rose Byrne, como uma intrépida e visionária agente da CIA que age como contato de Charles e Erik com a agência. O ótimo Oliver Platt também participa do longa como um dos aliados de Charles, sendo uma pena que apareça tão pouco haja visto seu talento diante das câmeras.
Do outro lado da cerca, os destaques são obviamente o Sebastian Shaw (de Kevin Bacon) e sua Rainha Branca, Emma Frost (January Jones). Bacon vive Shaw como um perfeito vilão de James Bond, megalomaníaco, audaz e com uma presença forte. O ator nos dá uma interpretação energética como Shaw, nos mostrando exatamente o sadismo e a loucura do vilão.
Apesar de não ser um filme desprovido de senso de humor, em nenhum momento a fita tende para piadinhas ou situações irônicas, Vaughn leva seus personagens a sério, conseguindo criar um clima de tensão constante, mostrando na tela o drama daquelas pessoas especiais (se aliar aos humanos ou enfrentá-los? É bom ou não sermos “diferentes”? essa minha mutação deturpa minha identidade como ser humano? minha mutação é ou não benéfica a mim e ao próximo?), sem esquecer de entregar cenas de ação fantásticas, com destaque para a invasão de Erik a uma casamata Soviética e o ataque do Clube do Inferno a uma instalação do governo americano. Todo esse contexto culmina num desfecho plenamente satisfatório e emocionante.
É importante salientar também que há duas pontas no filme referentes à personagens dos filmes anteriores que farão com que os fãs soltem um: óóóóóóó!!! Quando estas cenas apareceram à tela, ouviu-se um murmurinho na sala (que estava lotada por sinal).
Inteligente, divertido e empolgante, “X-Men-Primeira Classe” é um recomeço arrebatador para a franquia, com essa mutação se mostrando uma bela evolução para a série. Na minha visão, o melhor filme da franquia.
Nota 10!!!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Enrolados (Tangled)


Os estúdios Disney chegaram bem ao seu 50º filme de animação, “Enrolados”. Assumindo os traços de uma megacorporação do entretenimento, a empresa parece cada vez mais sintonizada com as demandas do seu público, variado e inconstante após a sucessão de gerações. O desafio mais urgente, talvez, seja o resgate da parcela de audiência fisgada pelo sucesso de estúdios concorrentes (em especial, a Pixar). Colocar tal responsabilidade nas mãos de uma princesa de cabeleira avantajada é opção de risco quando os sucessos dos últimos anos priorizaram temáticas atuais. Na contramão de todas as suposições pessimistas, a Disney acertou em sua escolha.
“Enrolados” representa o primeiro passo da Disney no sentido de reunir seu público disperso e monopolizar um prestígio atualmente dividido entre concorrentes de peso. Neste início de década, a história de uma princesa clássica trabalhada sob moldes modernos e com o auxílio do cinema 3D parece dotada de simbologia suficiente para representar a atual empreitada da empresa.
O filme segue o argumento clássico do conto de fadas dos Irmãos Grimm, mas modifica algumas situações e insere novos traços para tornar o roteiro mais ágil e contemporâneo. Rapunzel foi levada para uma torre secreta por uma senhora que ambicionava a juventude eterna, o que só seria conseguido com o auxílio do cabelo da princesa. Com a ajuda de um ladrão fugitivo e aproveitando a ausência da madrasta, a garota arrasta sua cabeleira de 22 metros para fora da torre e vai conhecer o reino que imaginou.
Ao contrário do original alemão, e para atrair a parcela masculina do público, o conto da Disney preferiu fugir da figura do príncipe convencional, criando em seu lugar um anti-herói com aparência de mocinho. Flynn Ryder divide com Rapunzel o protagonismo da história e sua importância não se resume ao papel de par romântico. É ele o narrador da trama, responsável pela apresentação da história e dos personagens nos primeiros minutos do filme. Sua narração malandra foge do convencionalismo de animações clássicas como “Branca de Neve e os Sete Anões”, “Cinderela” e “A Bela e a Fera”.
Algumas sequências também parecem feitas para a diversão do público masculino. Se Rapunzel aproveita seu tempo livre tricotando roupas, cozinhando bolinhos e pintando estrelas, atividades presentes no imaginário criado para princesas, também é capaz de tocar guitarra e desafiar beberrões em um bar de quinta categoria com a mesma desenvoltura.
Como forma de não abandonar todas as características responsáveis pelo êxito familiar da empresa, a trama de “Enrolados” também é permeada de boas lições. O alvo das recomendações morais, agora, é a parcela adolescente da audiência e, por consequência, seus próprios pais. O maior conflito da primeira metade do filme diz respeito ao sonho de Rapunzel de sair da torre e os conselhos da madrasta sobre o perigo do mundo externo. Assumindo o papel de voz da sabedoria presente nas histórias de moral, Ryder explica que os filhos precisam romper o cerco de superproteção materna em algum momento. Aos dezoito anos, chegou a hora da princesa.
A dúvida sobre a eficácia da animação digital para contar a história clássica de uma princesa tem fim ainda nos primeiros minutos de exibição. “Enrolados” parece o resultado de um trabalho minucioso de criação, em que todos os detalhes receberam tratamento cuidadoso e atenção redobrada. Os personagens surpreendem pelas texturas bem trabalhadas e expressões faciais que beiram a perfeição. O cabelo de Rapunzel demonstra ser resultado de uma dedicação exaustiva da equipe de criação, assim como o realismo dos ambientes externos e o nível de detalhamento das paisagens e planos mais abertos. As sequências de dança bávara no interior do reino e as lanternas voadoras, ao fim do filme, são momentos exitosos e merecem destaque entre os mais recentes lançamentos de animação digital.
Se o casal de protagonistas consegue obter nossa empatia imediata, os personagens secundários também desempenham papel importante na trama. A iguana de estimação da princesa (simplesmente fantástica), o cavalo real (espetacular) e a trupe de bêbados do povoado, além de resultados de um excelente trabalho artístico, são engraçados e responsáveis por várias tiradas de humor.
Um filme destinado a todo tipo de público, que deve agradar adultos e principalmente as crianças, uma história engraçada e ao mesmo tempo tocante. Excelente e recomendado, nota dez!

sábado, 18 de dezembro de 2010

E os melhores de 2010 são....

Com o fim de ano chegando e com a oportunidade de ter assistido a alguns filmes, aproveito pra postar aqui, na minha visão, a lista dos melhores de 2010:

1-A Origem (Inception)
Cristopher Nolan nos deixa mais uma obra prima, trabalhando com maestria em sua temática predileta: A mente humana e o subconsciente. Uma história complexa, um roteiro profundo, uma direção impecável. Atuações brilhantes, com Leonardo di Caprio inspiradíssimo, e efeitos especiais espetaculares. “A origem” é, na minha opinião, o melhor filme do ano.
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2-A Rede Social (The Social Network)
David Fincher é um diretor genial (vide Seven, Clube da Luta e Zodíaco). Em seu mais novo projeto, Fincher expõe de maneira crítica a vida de Mark Zuckerberg, tratando-o como um “gênio do mal” não só pela forma como criou um dos maiores sites de relacionamento do mundo (Facebook), mas também como o conduziu. A Rede Social conta com atuações brilhantes, diálogos afiados e uma direção impecável de Fincher.
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3-Tropa de Elite 2 – O inimigo agora é outro (Idem)
José Padilha havia mostrado todo seu talento ao dirigir Tropa de Elite, através de seu segundo filme, pudemos perceber claramente porque está sendo cogitado para dirigir longas em Hollwoody. Através de uma direção certeira, Padilha “cutuca” a ferida de todas as classes de nossa sociedade, onde todo o sistema é revelado como “podre” e corruptível. O melhor filme brasileiro já produzido, uma pena não ter sido o indicado para representar o Brasil no Oscar.
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4- A Ilha do Medo (Shutter Island)
Martin Scorsese nos mostra o lado obscuro da personalidade humana através de uma obra prima doentia, psicótica e cruel. Um filme que se utiliza do terror psicológico como forma de despertar uma emoção primária no telespectador: O medo. Ao construir um ambiente “pesado”, através de uma narrativa complexa, Scorsese mostra que é um gênio, um ícone no mundo Hollywodiano.
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5- Toy Story 3 (Idem)
Impressionante o que a Pixar é capaz de proporcionar aos seus espectadores. A cada novo longa, esta empresa nos mostra que uma animação pode ser dirigida não somente às crianças, que por trás do “engraçadinho”, há mensagens fortes e intensas na qual devemos nos apoiar e assim refletir. Toy Story 3 é o melhor filme de animação já produzido: engraçado e ao mesmo tempo sério e cativante. É da pixar, portanto, sem mais.
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6- Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 ( Harry Potter and the Deathly Hallows: Part I)
David Yates assumiu a direção dos filmes da franquia em “A ordem da Fênix” e não decepcionou. Fez um excelente trabalho em “Enigma do Príncipe” e um trabalho excepcional em “As Relíquias da Morte”. Uma direção tranqüila de Yates, com uma história de grande fidelidade ao livro, aliando momentos de ação e cunho dramático na medida certa. Preparou em grande estilo o terreno para o Gran Finale (parte 2).

PS: Há outros filmes que estão sendo vistos de forma muito positiva e incluídos em listas de melhores do ano, mas como não tive oportunidade de vê-los, fico com a lista acima mencionada. Entre os mais falados estão: Kick Ass-Quebrando Tudo, Scott Pilgrin contra o Mundo, O Cisne Negro, O Vencedor e o Discurso do Rei. Fiquem a vontade para comentar, sugerir ou ainda criticar, e fiquem a vontade também para elaborar suas listas dos melhores de 2010!! Obrigado!!

Tron - O Legado ( Tron - Legacy)


PS: Não tive a oportunidade de ver o filme de 1982: “Tron-Uma Odisséia Eletrônica”, porém, a fim de enriquecer minha crítica e comentário sobre “Tron-O Legado”, procurei ver trailers e ler diversos artigos e comentários sobre o primeiro filme.
Em “Tron-O Legado”, Sam Flynn (Garret Hedlund), especialista em tecnologia, filho de Kevin Flynn (Jeff Bridges), investiga o desaparecimento do pai e se vê preso no mesmo mundo povoado por programas ferozes e jogos fatais onde seu pai vive há 25 anos. Junto com sua fiel confidente Quorra (Olivia Wilde), pai e filho embarcam em uma jornada de vida e morte por um universo cibernético.
Filmes são fruto de um tempo, da época em que foram produzidos e lançados. Nada muito diferente, na verdade, do que qualquer outro produto cultural (álbuns, novelas, livros, histórias em quadrinhos, etc), que reflete anseios, dúvidas, atitudes, moda ou seja lá o que for que esteja em voga durante seu lançamento. Alguns sobrevivem ao tempo; outros se perdem na poeira da História.
Dito isso, “Tron-Uma Odisséia Eletrônica” envelheceu muito mal. Lançado em 1982, o filme marcou época ao fazer uso de efeitos especiais inovadores e que abriram caminho para o futuro da imagem digital. Antes de “Tron”, os filmes usavam trucagens visuais. Depois de seu lançamento, os efeitos digitais viraram coqueluche e regra. A trama da produção, entretanto, era boba; as atuações dignas de peça infantil e a direção de Steven Lisberger beirava o amadorismo. O resultado é um longa sem ritmo ou coerência e que coloca o visual acima de tudo, inclusive de qualquer lógica narrativa.
Nesse sentido, “Tron-O Legado” não se difere muito de seu antecessor e privilegia a plasticidade das imagens em detrimento do conteúdo, apesar de ser bem melhor dirigido e despertar um interesse maior pela trama, contada com mais empenho e lucidez. Claro que visualmente o filme deve dar um banho nos efeitos especiais apresentados pelo longa de 1982. O visual retro e quadrado que pude ver em alguns trailers do filme de 82 e que remete claramente a videogames como o Atari, ficou na década de 1980, e “Tron-O Legado” segue outro caminho, mais moderno e arrojado, ainda que o neon azul e vermelho prevaleçam e reforcem o maniqueísmo da luta entre o bem e o mal.
O clichê da história (homens versus máquinas) é uma mera desculpa para o desfile do que de melhor as imagens digitais podem nos oferecer. O filme é quase um remake do primeiro, na verdade. A maior diferença é que, se no primeiro, o vilão era um humano, e as máquinas apenas refletiam seus desejos; na continuação, o mal é representado pela máquina que se rebela contra o homem.
É aqui que reside um dos maiores problemas de “Tron-O Legado”, uma questão que o primeiro até enfrentou, mas com quase 30 anos a menos de referências cinematográficas. O embate entre homens e máquinas não é nenhuma novidade e a temática já foi usada e desgastada por uma leva de filmes, todos bem melhores: de “Blade Runner”, passando por “O Exterminador do Futuro” e chegando, claro, a “Matrix”, a referência mais óbvia aqui, sendo a dicotomia entre o mundo real e o virtual a base de todo o longa.
Assistindo à produção, fica claro que o tempo passa, o tempo voa, mas a gente continua sempre a ver as mesmas histórias. Isso até não seria um problema se o filme apresentasse novidades, o que não é o caso. A embalagem aqui pode ser mais neon e iluminada, mas falta a “Tron-O Legado” o vigor e a ação desenfreada de uma produção de James Cameron (“O Exterminador do Futuro”) ou a aura enigmática e filosófica de um longa dos irmãos Wachowski (“Matrix”).
Tron-O Legado foi filmado pelo diretor estreante Joseph Kosinski, e de uma coisa este merece elogio: a parte técnica é simplesmente espetacular, capaz de deixar qualquer espectador boquiaberto. O filme traz cenas de ação de qualidade, cheio daqueles clichês que todos adoram, como muito slow motion (tipicamente “Matrix”), profundidades de 3D bem trabalhadas e um quesito que pode se dizer ser o mais interessante de todos: a brutalidade da morte suavizada em forma de cubos. Outro ponto mais que positivo, sendo uma evolução que faz jus ao nome Tron, é a qualidade digital de Clu, personagem vilão que é uma cópia exata de Jeff Bridges nos anos oitenta. Seu realismo é incrível e talvez até confunda os mais desavisados. Os efeitos especiais e visuais, aliado à trilha sonora do Daft Punk compõe uma química perfeita, nos reservando um espetáculo de encher os olhos e digno de aplausos. Tron-O Legado é, literalmente, um colírio para os olhos (e ouvidos).
Um outro elogio que deve ser feito à Kosinski se refere à manutenção de uma série de elementos do primeiro filme, inclusive alguns atores (Jeff Bridges e Bruce Boxleitner reprisam seus papéis), e dar continuidade à história, mesmo que quase 30 anos depois, prestando homenagem a um filme que marcou uma geração e hoje estava praticamente esquecido. O clima futurista também é bem vindo, mas, como dito anteriormente, parte do mérito disso vai para a eficiente (e brilhante) trilha musical do Daft Punk.
No final das contas, “Tron-O Legado” é entretenimento bastante eficaz. Um desses blockbusters que faz uso de toda a tecnologia à mão para proporcionar uma experiência sensorial ágil e em alto e bom som, um espetáculo digno de ser acompanhado 1, 2, 3 vezes, porém, apesar de visualmente encantador, ao contrário do longa de 82, não deixará marca alguma na história do cinema. Em suma, uma temática batida, com uma enormidade de clichês, mas com efeitos sensacionais e muito bem utilizados. Vale sim conferir, principalmente pelo terceiro aspécto.
Nota 8

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A Rede Social (The Social Network)


Em uma noite do outono de 2003, o universitário de Harvard e programador genial Mark Zuckerberg senta-se em seu computador e começa, inspirado, a trabalhar em uma nova idéia. O que tem início em seu dormitório se transforma em uma rede social global que vai revolucionar a comunicação mundial.
Filmes sobre gênios que acabam despontando em suas faculdades e criam grandes empreendimentos sempre os apresentam como pessoas deslocadas e que vivem escondidas pela própria genialidade. Este é o caso de Mark Zuckerberg, o criador do Facebook, que é o tema do filme “A Rede Social” do diretor David Fincher. Acertadamente, Fincher abre a sua narrativa com um diálogo espetacular entre Mark e a sua namorada Erica Albright. Nesta cena, o diretor e o roteirista do filme deixam claro como é a personalidade de Mark e como a maneira péssima que esta conversa termina acaba sendo o ponto de partida para a sua criação do Facebook e para a sua popularidade dentro da Universidade de Harvard.
Para os calouros que entram em universidades americanas o que eles mais querem é também entrar nas chamadas fraternidades, nos grupos secretos que outros estudantes famosos e competentes também fizeram parte. Mark queria ser um desses caras. No anexo em que ele morava com outros colegas, incluindo o seu melhor amigo Eduardo Saverin, todos queriam ser aceitos para fazerem parte das festas privativas e viverem de forma popular. Porém, o término do namoro entre Mark e Erica é o seu momento de fraqueza e a partir dali ele (com o auxílio de Saverin) cria, completamente bêbado, um site chamado FaceMash em que os estudantes de Harvard votam nas mulheres mais bonitas (e gostosas). Apenas durante uma madrugada em que ficou no ar, o site teve um total de 22 mil acessos e derrubou a rede de internet de uma das maiores Universidades dos Estados Unidos e do mundo.
Mark achou que, com isso, atrairia popularidade e seria reconhecido pela invenção que teve. Mas ao perceber que os estudantes não reagiram muito bem à sua criação, Mark passa a ser mal visto dentro dos corredores da universidade. É assim que ele aceita a idéia dos irmãos Winklevoss, que pretendiam realizar um site cujos estudantes de Harvard poderiam se registrar e criar perfis próprios. Mark viu um potencial muito maior para a idéia dos irmãos e fez com que ela não ficasse apenas no campus da universidade em que eles estudavam, mas fosse expandido para outras regiões. É aí que entra a importância do brasileiro Eduardo Saverin, responsável por injetar o primeiro capital que dava aluguel de servidores e estabilidade de conexão para os visitantes que começaram a se cadastrar no site.
O livro escrito por Ben Mezrich (na qual o filme se baseia), a partir do que foi relatado pelo próprio Eduardo Saverin, ilustra e entra na questão se Mark Zuckerberg havia roubado a idéia dos irmãos Winklevoss e questiona a originalidade do Facebook. Mark era um gênio e disso ninguém duvida, mas o próprio roteiro de Aaron Sorkin tenta se manter imparcial neste sentido, não o julgando como vilão, mas o apresentando como um jovem que se tornou bilionário a partir da criação de um site que vem crescendo ano após ano e expandindo as suas atividades para outros países. O roteiro de Aaron Sorkin, extremamente inteligente por sinal, constrói o filme entre o julgamento de Mark Zuckerberg em ações que são movidas por Eduardo Saverin e pelos irmãos Winklevoss, além de percorrer os momentos mais importantes e tensos da criação até o sucesso.
A tensão realmente começa quando Eduardo passa a procurar por anunciantes para o site com o objetivo de torná-lo também uma máquina de dinheiro e lucro. Mark, no entanto, entra com uma nova idéia ao marcar uma reunião com Sean Parker, o criador do Napster e também o responsável por ter mudado a indústria fonográfica para sempre. É bem verdade que o programa desenvolvido por ele durou pouco tempo e ele logo declarou falência, mas a relevância que o Napster teve se deu por ele ser o principal responsável pelo fechamento de algumas gravadoras e o agravamento da crise sentida por outras, já que os usuários não queriam mais comprar CDs porque encontra estas músicas em mesma qualidade por meio do Napster. Eduardo Saverin e Sean Parker não se dão bem e isso acaba sendo um dos fatores para que a amizade entre Mark e Eduardo fique estremecida e completamente abalada.
“A Rede Social” é um filme sobre a criação do Facebook, mas vai muito além disso. A história acaba sendo também sobre as relações cada vez mais vazias que começaram a ser criadas a partir da internet e das suas redes sociais. Em um determinado momento do filme, Sorkin apresenta a expressão “me adicione no facebook” como um bordão que havia se tornado sucesso entre os estudantes de Harvard e de outras Universidades. A própria namorada de Eduardo Saverin se comporta de uma maneira completamente psicótica quando ele muda o “status do seu relacionamento” para solteiro no Facebook. As pessoas passaram a dar mais importância a conhecer outras pessoas e a se conectarem a elas, não mais pelo convívio pessoal, mas sim em estarem ligadas na internet. Dentro do Facebook,(ou mesmo do Orkut), você pode ter 300, 400, 500 amigos. Mas quantos deles são realmente próximos a você? Quantos deles você realmente pode chamar de amigo?
Por esta razão é emocionante a cena em que Eduardo Saverin, já movendo uma ação contra Mark Zuckerberg quando o brasileiro vê as suas ações sendo diluídas de 33% para 0.03%, pergunta a Mark por que ele havia feito aquilo com o único amigo que ele tinha. Eles eram amigos, por mais que Eduardo não conseguisse chamar a sua atenção e que Mark estivesse concentrado nos planos de expansão de Sean Parker. E a mesma emoção sentida nesta cena pode também ser sentida em outro momento, quando uma das advogadas de defesa diz a Mark que ele não é um babaca como as pessoas comentam ou falam, mas que ele vive se esforçando para se tornar um e deixar esta impressão nos outros. É por isso que “A Rede Social” vai muito além do que apenas relatar a trajetória destes jovens que, com uma criação deste tamanho, conseguem se ver envoltas em muito dinheiro e se tornarem bilionárias de uma hora para a outra.
As atuações como um todo estão muito seguras, com interpretações de impacto, em especial a de Zuckerberg (Eisenberg), que taxado como nerd, tem a fama de não conseguir se relacionar com outras pessoas. Neste sentido, a atuação de Jesse Eisenberg é excepcional, porque ele mantém a sua personagem com um olhar sempre perdido e também preso em suas próprias limitações de não conseguir socializar com outras pessoas. Quando o seu relacionamento com Erica termina, a pessoa mais próxima que ele conseguiu se relacionar verdadeiramente, parece que a sua vida perdeu sentido e ele parte em busca de encontrar um novo significado e acaba achando isso na criação do Facebook.
É por isto que a cena que encerra a narrativa de “A Rede Social” é tão emblemática e impressionante, fechando um arco dramático que foi conduzido com a inteligência do roteiro de Aaron Sorkin e a agilidade e competência da direção de David Fincher. O longa não condena Mark. Pelo contrário: o filme faz com o seu espectador até sinta compaixão pela personagem pelo carisma que Jesse Eisenberg transmite.
Apesar de um pouco difícil, “A rede social” é um longa altamente recomendável, com roteiro e direção espetaculares, diálogos afiados e atuações brilhantes. Posso dizer que “A rede social” está, na minha visão, entre os 5 melhores filmes do ano.
Nota 10

sábado, 20 de novembro de 2010

Harry Potter e as Relíquias da Morte : Parte 1 ( Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 1)


“Harry Potter e as Relíquias da Morte” é um excelente filme de guerra. Isso mesmo. Filme de guerra. Inúmeras serão as críticas e artigos que avisarão que este é o longa mais sombrio da série. Os jornalistas não estão enganados, porém não podiam ser mais óbvios. O adjetivo “sombrio” é usado para descrever a série desde “O Prisioneiro de Azkaban”. À medida que Harry foi crescendo, os perigos e as perdas que enfrentou também foram se tornando maiores. Voldemort, o vilão eterno, ganhou força e, nesse sétimo capítulo, se tornou um mal mais do que ameaçador.
Claro, os filmes da saga foram se tornando cada vez mais sombrios. Nada, entretanto, se compara a esse. Nessa aventura, Harry, Ron e Hermione se tornam heróis plenos, responsáveis não apenas por salvar a escola de magia e bruxaria de Hogwarts, mas por salvar o mundo.
O grande mérito, não apenas de J.K. Rowling, que construiu a história até esse ponto, mas também de todos os cineastas responsáveis por levar os livros à tela, é fazer com que os espectadores acompanhem os sete anos da vida desses pequenos bruxos. Vimos Harry sofrer vivendo com os tios, descobrir a magia dentro de si, fazer amigos, aprender feitiços, se apaixonar, perder entes queridos… Foram sete episódios com muita história que prepararam leitores e audiência para o grande final. A apresentação dos personagens e o desenrolar de suas vidas é essencial para emocionar nessa primeira parte do encerramento da série.
Em seu último ano em Hogwarts, Harry decide não voltar à escola, mas partir para encontrar as sete horcruxes, pedaços de alma de Voldemort. É sua função encontrar todos os objetos que ainda faltam (quatro) e destruí-los. Só assim o lorde das trevas será derrotado. Claro que Harry não vai sozinho. Ron e Hermione são parte fundamental da aventura (e de sua vida). O cenário para a jornada do trio não poderia ser pior. Nenhum dos três tem idéia de por onde começar e, enquanto isso, família e amigos correm riscos.
As primeiras cenas desse longa metragem mostram Hermione apagando a memória dos pais. Para garantir que eles sobreviverão à guerra, a feiticeira apaga seu rosto em cada uma das fotos de sua casa. Emma Watson faz a cena brilhantemente. Se antes a atriz abusava das caretas, nesse filme ela está fantástica. Sua atuação é sutil e, nos pequenos gestos no decorrer do filme, ela demonstra o pesar de quem abandonou a família e não sabe ao certo se terá um futuro com Ron. A cena de “Mione” apagando a memória dos pais já é capaz de emocionar, preparando terreno para muitas outras cenas que também geram este sentimento.
O romance entre Rony e Hermione, aliás, é algo que finalmente transparece. Nos filmes anteriores, Harry, por ser o herói da saga, sempre ganhava a atenção de Hermione. Aqui é visível o interesse dela em Ron, assim como o ciúme dele por Harry, um mérito de Rupert Grint. Grint, aliás, é, na minha opinião, o grande destaque do filme. Um personagem que, de forma convincente, é por um lado o grande trunfo de Harry em sua busca pelas horcruxes, mas por outro um íntimo “inimigo” vamos dizer assim, quando se remete ao triângulo que o envolve com o mesmo Harry e Hermione.
Todos os três astros de “Harry Potter e as Relíquias da Morte” amadureceram. É impressionante vê-los carregando toda essa dor ao longo do filme. Uma dor que, com certeza, foi acumulada após cada uma das perdas narradas no decorrer da aventura. A grande atuação dos três, entretanto, ganha ainda mais peso com o elenco de apoio. Além dos já conhecidos personagens que voltam para proporcionar alívio cômico e dar ainda mais vida à realidade mágica, conhecemos outras figuras, como Mundungus Fletcher (excelente). Se o mundo mágico tivesse jogo do bicho, Mundungus seria bicheiro. As correntes de ouro, a careca mal cuidada, a vaidade cafona. O personagem transparece a charlatanice até no jeito de falar.
Xenófilo Lovegood, pai de Luna, é outro achado. Tão perdido quanto a filha, o personagem, interpretado muito bem por Rhys Ifans, mistura a comédia e o drama em uma única cena. É irresistível assistir à construção da cena e do personagem. Há tantos momentos fantásticos de atuação que é difícil comentar cada um deles. Jason Isaacs como Lúcio Malfoy, James e Oliver Phelps como os irmãos gêmeos de Ron e Julie Walters como Molly Weasley são alguns dos nomes que com certeza arrancarão soluços. Se não nessa primeira parte de “Relíquias da Morte”, com certeza na segunda.
Os dramas e interações entre os personagens são tão bem construídos que não dá para esquecer por um minuto o que aqueles momentos significam. Há tensão ali. A tensão de uma guerra iminente. As cenas de ação fazem jus à atmosfera construída. O texto, convenhamos, não era lá dos mais ricos nesse aspécto. No livro, Harry, Ron e Hermione ficam mais tempo acampados e decidindo o que fazer do que com a mão na massa de fato. A falta de ação na história fez com que os fãs ganhassem ainda mais com a divisão da trama em dois filmes. Essa é, com toda a certeza, a mais fiel das adaptações. Com mais tempo, roteirista e diretor puderam trabalhar em cada um dos detalhes da trama.
“As Relíquias da Morte” foi feito também para emocionar. Algumas cenas já são marcantes e entrarão para a história do cinema. Aquela citada anteriormente envolvendo Hermione e seus pais tem um tom de melancolia que chega a “asfixiar”, outra cena tocante é aquela em que Harry está se despedindo de sua antiga moradia observando o sótão onde viveu durante anos e parece que neste instante pensava: Eu era feliz e não sabia...isso baseado no que ele iria enfrentar de ali em diante, é até incoerente pensar em tal situação, mas a expressão de Harry demonstra que este personagem preferiria passar tudo o que passou de sofrimento até ali, do que enfrentar o que viria pela frente, um momento marcante da trama e também cativante. A cena da morte de Dobby não tem como não se emocionar, dava pra se escutar os murmurinhos do público. São situações que preparam terreno para muita emoção que ainda virá e um grande finale que promete mexer com a sensibilidade de todo público.
O diretor David Yates fez um trabalho fantástico. Ele foi responsável pelo amadurecimento não apenas dos atores, mas também da trama. Compare o primeiro filme da série, dirigido por Cris Columbus, e esse último. São completamente diferentes. Uma obra que vai da ingenuidade ao pesar. Pesar combina mais com a história triste de Harry Potter. Desde que assumiu a saga, Yates tem conduzido o drama com qualidade. A cada filme o diretor colocava Harry Potter um passo a frente para alcançar os grandes épicos.
A prova do desafio enfrentado por Yates foi dividir a última parte da saga em dois. O diretor conseguiu incluir, no ponto de corte, drama e ação. O final dessa primeira parte não é nada brusco. Faz sentido e nos deixa com vontade de mais.
Não tenho dúvidas de que “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, partes 1 e 2, estarão entre os filmes mais marcantes da história do cinema, seja pela contribuição de Harry Potter na formação da cultura pop, pela qualidade dramática do longa metragem ou pelas excitantes cenas de ação. Assistimos ao desenrolar dessa guerra, que ainda não terminou e que, com certeza, renderá momentos ainda mais marcantes em sua segunda parte. Um filme tenso, sombrio, com uma temática “fria e pesada” destacada pela fotografia e obscuridade das cenas, um grande elenco (em número e qualidade) e uma direção primorosa de Yates garantem a Harry Potter – As Relíquas da Morte, primeira parte, o melhor filme da franquia, nos deixando com um gostinho de “quero mais” e a seguinte sensação: preparem-se, o final (segunda parte) será épico, emocionante e cativante! E pra concluir tudo isso: Uma sessão lotada, que termina com aplausos calorosos, resume o que o público achou deste “início do fim”!
Filmaço, sem dúvidas, nota 10

sábado, 13 de novembro de 2010

RED - Aposentados e Perigosos (RED)


Diversão à toda a prova, da primeira à última cena. Precisa mais? Se não precisar, a dica é “RED - Aposentados e Perigosos”, deliciosa comédia policial dirigida pelo alemão Robert Schwentke, o mesmo de “Plano de Vôo” e “Te amarei para sempre”. Divertido e saboroso, “RED” é um filme que merece ser visto e certamente irá agradar a todos.
A trama fala de um grupo de agentes aposentados da CIA que, sem motivo aparente, começa a ser mortalmente perseguido. E pior: quem está por trás deste processo de eliminação é a própria CIA. Queima de arquivo? Vingança? Alguma inexplicável teoria da conspiração? Quem sai em busca da explicação é o agente aposentado Frank Moses (Bruce Willis, em grande forma), que carrega a tiracolo um punhado de velhos colegas de espionagem e o seu mais recente amor, Sarah (Mary-Louise Parker), que nada tem a ver com a situação.
“RED” é um jogo de caça que faz um mix de comédia e ação para entreter. O filme brinca com a condição dos aposentados que ainda buscam uma solução para a transição da vida perigosa para a calmaria do lar sendo desajeitados no amor e na vida social, aliado a isso, temos o termo “perigosos” do título fazendo jus à cada personagem, com alguns requintes de crueldade e principalmente ironia próprios de agentes que trabalham nesta instituição (CIA). O roteiro, apesar de irregular, é ótimo e temos uma trama focando mais no humor durante a primeira parte, deixando a resolução do caso para o final, embora o desfecho não seja tão satisfatório quanto o resto do filme.
Agora o grande barato e diferencial do longa está mesmo no seu estrelado elenco. É um prazer para o público ver em cena nomes como Bruce Willis, Morgan Freeman, John Malkovich, a dama Helen Mirren (empunhando uma metralhadora, momento único em Hollywood, hehe) e Brian Cox, todos extremamente confortáveis em seus papéis e aparentando estarem se divertindo enquanto atuam juntos. Ainda temos a pequena participação de Richard Dreyfuss (que pecado, poderia ter sido explorado bem mais, talentoso). As estrelas ainda contam com a ajuda da hilária e adorável Mary-Louise Parker, conhecida por seu brilhante trabalho no seriado Weeds, além do sólido Karl Urban, o Bones de Star Trek. A muito tempo não presenciei uma atuação tão marcante de um elenco como um todo, é a famosa “química” perfeita, um elenco brilhante que faz jus à sua fama.
O resultado da trama é um agradável e nostálgico retorno à era dos “velhos espiões”, com ótimos e afiados diálogos, muito bom humor, produção das mais caprichadas e efeitos especiais de primeira linha. Tudo isso aliado ao elenco espetacular e sua ação brilhante, garante um filme pra lá de empolgante, com a sensação de “quero mais”, ou seja, de “vou ver novamente”.
Além do elenco, o grande ponto positivo de “RED” está em seu sarcasmo inteligente com o qual comanda a ação, com direito a irônicas referências à era da Guerra Fria. O título, por exemplo, num primeiro momento remete ao Comunismo (Red, vermelho, termo que na época designava os socialistas), porém uma mais que bem-vinda participação do veterano Ernest Borgnine esclarece que na verdade trata-se da sigla para Retired Extremely Dangerous, ou, Aposentado Extremamente Perigoso. Ou seja, o diretor Robert Schwentke “brinca” com a temática da Guerra Fria, proporcionando uma diferente visão do contexto deste evento simplesmente através do título da trama. Robert Schwentke, assim como seu elenco estelar, se mostra a vontade e através de sua direção “desleixada” e despreocupada, garante um resultado altamente satisfatório.
Vale salientar que “RED” é baseado na “graphic novel” de Warren Ellis e Cully Hamner, o filme é fiel à estética HQ, com cortes ágeis, enquadramentos elaborados e situações de ação no limite do impossível (eu não li o HQ, mas antes de expor minha crítica, procurei saber sobre sua produção e pelo que li sobre ele, o filme foi fielmente adaptado à história). Outro ponto positivo para Schwentke.
“RED” é um filme que não deve ser levado a sério, aquele filme feito para divertir, aquele filme produzido para todo tipo de público e que garante plena satisfação ao seu final. Um elenco estelar em nomes e em atuação, efeitos especiais espetaculares, e uma palavra pra definir e resumir o filme: correto!
Imperdível: nota 9,5