sábado, 28 de agosto de 2010

Karate Kid (Idem)


A superação, o “chegar lá”, vencer após uma jornada cheia de obstáculos são elementos fundamentais para a sociedade como um todo, sendo esta visão ainda mais importante e clara nos dias atuais diante das barbáries e sofrimentos que nos acometem. Não dá para pensar na cultura mundial sem passar por um sistema político-econômico que vende a idéia de mundo “possível” para todos os cidadãos, basta “apenas” lutar e confrontar todas as barreiras que impedem nosso crescimento e desenvolvimento como pessoas. Baseado nesta premissa, eis que surge o novo “Karate Kid”, remake do sucesso “Karate Kid – A hora da verdade” (de Jonh G. Avildsen, de 1984). Sai o Karate e entra o Kung Fu, então por que “Karate Kid”? Sinceramente não entendi o porquê do título ter se mantido. Não havia necessidade de se manter tal fidelidade, pois isto é obtido com precisão ao longo do filme.
A história base é a mesma do longa oitentista. Garoto se muda com a mãe para uma nova cidade e é ameaçado por valentões locais. Para ajudá-lo, surge um improvável instrutor de artes marciais que lhe ensina não só a lutar, mas também a ter respeito próprio e aos outros. Mas os desafios encarados pelo pequeno Dre (Smith) e seu mestre, Sr. Han (Jackie Chan), são bem mais complicados que as dificuldades enfrentadas por Daniel-san e Sr. Miyagi no original.
Nesta nova versão, Dre e sua mãe se mudam de Detroit para a China, tendo de lidar com o choque cultural e com um idioma bem diferente do seu. A ambientação atualizada também trouxe uma mudança óbvia na arte marcial praticada pelos personagens, agora sendo o Kung-Fu.
O roteiro do remake (de Christopher Murphey) é bem amarrado, equilibrando momentos que homenageiam o original e outros que dão a este filme sua própria identidade, sendo, pra mim, mais inteligente do que o original, tendo a capacidade de aprisionar o espectador em todas as situações emotivas. Por exemplo: quando o personagem Dre (Jaden Smith) finalmente aprende alguns golpes, “Karatê Kid” usa e abusa de um planejamento impecável referente à relação mestre-aprendiz-cenários e trilha sonora, sendo tal relação incapaz de nos deixar indiferente ao longo da trama, onde o sentimento de emoção é garantido em vários momentos. Problemas existem, assim como existiram no filme original, há alguns clichês um tanto inúteis na história, como o fato do romance entre Dre e Meiying (Wenwen Han) ser proibido pelo pai da donzela em dado momento, sendo este romance deveras prolongado, “roubando” momentos que poderiam dedicar-se mais às lutas ou treinamentos de Dre. Mesmo assim, na minha visão, este aspécto não atrapalha o andamento e preciosidade do filme.
O fato de Dre ser bem mais jovem que o protagonista do original nos ajuda a deixar Daniel-San de lado. No personagem, o pequeno Dre ( Jaden Smith) realmente age como uma criança, algo raro em produções norte-americanas. Smith traz carisma e vivacidade e transmite bem toda a inquietação e os problemas que Dre atravessa, mas sem perder o espírito infantil, agindo como um garoto de verdade, seja no seu tratamento com a mãe, com o seu mestre ou mesmo em seu jeito inocente e um tanto quanto inconsequente. Tais “defeitos” tornam fácil a identificação com o personagem, é uma atuação convincente e satisfatória que merece ser lembrada.
O pequeno segura o filme de maneira incontestável, além de ter uma ótima química com Han (Jackie Chan). O astro asiático, por sua vez, jamais tenta emular o amado Sr. Miyagi, transformando Han em uma pessoa de verdade, não em uma caricatura (algo que o próprio Miyagi havia se tornado no último filme da franquia). Chan, mais sisudo que de costume, não apenas passa a credibilidade necessária para o papel, mostrando as suas habilidades em uma curta, porém impactante cena de luta, como também convence nos momentos dramáticos, com seu personagem passando por um ótimo arco narrativo no filme, a atuação de Chan, pra mim, foi a de maior destaque no filme, conseguindo superar até a brilhante atuação de Smith.
As damas do elenco, a indicada ao Oscar Taraji P. Henson e a novata Wenwen Han, pouco têm a fazer, mas surgem bem no filme, sendo os grandes apoios e motivações de Dre. Destaco principalmente Henson, extremamente divertida e carinhosa em cena. Os antagonistas, o jovem arruaceiro Cheng (Zhenwei Wang) e o Mestre Li (Rongguang Yu), são estereotipados ao máximo, mas tal característica cai como uma luva para as intenções da história sendo contada, principalmente honrando o espírito dos “vilões” dos longas dos anos 1980. O elenco como um todo teve grande destaque e por isso coloquei a equipe de atores e atrizes como prioridade.
A produção é super caprichada. O diretor Harold Zwart faz um ótimo trabalho, determinando boas e interessantes transições entre as cenas (vide o corte entre a cena na quadra de basquete e a do apartamento), o diretor ainda utiliza muito bem a câmera de mão em dados momentos, imprimindo urgência em dadas sequências. Sim, existem eventuais exageros, como alguns momentos em câmera lenta, como a surra que Dre leva de Cheng e seus colegas, que simplesmente não funcionam, mas o cineasta acerta muito mais do que erra, também explorando com eficácia as locações em ícones que determinam cartões-postais chineses, como a Grande Muralha e a Cidade Proibida.
É importante ressaltar a fotografia do filme (de Roger Pratt), que acertadamente investe em cores quentes e em uma fotografia mais iluminada, contribuindo para o clima alegre do filme. A montagem é espetacular, conseguindo fazer com que os 140 minutos de projeção “passem voando”, imprimindo um ritmo perfeito à narrativa.
A trilha sonora da fita também é muito bacana, incluindo Lady Gaga e Red Hot Chilli Peppers. Não digo que todas as músicas da película são perfeitas, pois esta acaba com um dueto entre Jaden Smith e Justin Bieber, algo que, ainda bem, só acontece nos créditos. Por falar nos créditos, vale a pena aguentar o showzinho da dupla da escola só para ver as fotos da produção, uma tradição dos anos oitenta, que é honrada aqui.
Com uma história divertida, cativante e emocionante, além de contar com lutas bem coreografadas e atuações excelentes, “Karate Kid” é uma das surpresas do ano e irá agradar tanto aos fãs do original, quanto à nova geração. Confesso que àlgum tempo eu não tinha a sensação de me emocionar tanto no cinema como o fiz no remake de “Karate Kid”, foi difícil conter as lágrimas em pelo menos 3 momentos do filme, que é claro não vou citar aqui, rs. Além disso, após o fim da projeção, a sessão que estava lotada foi aplaudida pelos espectadores, algo que a muito tempo não vejo em salas de cinema, e isso mostra que o longa não só foi bem produzido e dirigido, mas também deve ser unanimidade por parte do público!
Nota 10!!!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A epidemia (The crazies)


Zumbis são sempre divertidos. Essa é uma premissa infalível para qualquer gênero de cinema ou época de produção. Seja enquanto rasgam um pescoço a dentadas, nos filmes de horror, ou quando aparecem com um naco de braço pendurado entre os dentes, nas comédias escrachadas; os mortos-vivos ganharam variações técnicas, físicas e intelectuais e tornaram-se garantia de um bom e fiel público.
Partindo de George A. Romero, maior expoente do gênero, os zumbis ganharam popularidade e caíram no gosto comum. Seu “A Noite dos Mortos-Vivos”, de 1961, entrou para a seleta lista de filmes trash cultuados pelo público, e suas características ainda influenciam produções recentes. Prova disso é “A Epidemia”, refilmagem do clássico “O Exército do Extermínio” (1976), quarto filme de Romero. Com roteiro semelhante ao original e exibindo um caráter técnico um tanto antiquado, essa nova versão é fiel ao seu antecessor e, justamente por isso, igualmente divertida
Em “A epidemia”, observamos a tentativa de fuga de quatro moradores de uma cidade do interior dos Estados Unidos. O xerife do local (Timothy Olyphant), sua esposa (Radha Mitchell), um policial (Joe Anderson) e uma adolescente (Danielle Panabaker) tentam escapar de um vírus espalhado pelo sistema de abastecimento de água da cidade. Ao mesmo tempo, precisam fugir dos seus vizinhos, transmutados em zumbis sádicos após a ingestão da água, e de um exército policial enviado pelo Governo para deter a proliferação do vírus para além dos limites da cidade.
Particularmente sou fã de filmes que envolvem zumbis e por isso fui assistir a “A epidemia”, esperando um filme repleto de clichês e situações comuns em filmes que envolvem mortos-vivos, pois bem, o filme é sim repleto de clichês e peca pela falta de inovação, porém, me surpreendeu pela forma em que a abordagem foi discutida e principalmente pela maneira em que a história se decorreu, culminando com um desfecho amplamente satisfatório. “A epidemia” ganha pontos pelas sequências eletrizantes e sustos bem distribuídos e posicionados na trama.
O filme já começa em grande estilo ao retratar em sua primeira cena a ação de um “homem” (pseudo-zumbi) invadindo um jogo de beisebol com uma espingarda, ameaçando as pessoas que ali estavam....não falo mais nada sobre a cena pra não estragar a surpresa que sucede-se. Eu citei esse trecho do longa para mostrar que já de cara, no início da projeção, o diretor Breck Eisner explora a temática “vírus-zumbis” de forma inesperada, através de uma situação que gera tensão e ansiedade no público, e isso continua a acontecer ao longo do filme, com momentos perturbadores e impactantes, através de um jogo de câmeras que em certos momentos apresenta-se de forma desfocada, proporcionando maior realidade à trama, com momentos sufocantes e bastante tensos.
O roteiro é enxuto, sem espaço para ramificações e narrativas paralelas. Vez por outra algum novo personagem ainda não infectado acompanha o grupo do xerife, mas sua participação é sempre limitada a poucos minutos de duração. E se a trama gira em torno de uma história simples e exaustivamente utilizada por outras produções, o que resta ao diretor Breck Eisner é apostar em cenas bem elaboradas de tortura e litros de sangue que escorrem como água, e é neste ínterim que “A epidemia” se destaca, através da criatividade e realismo do jogo e focagem de câmeras em praticamente todas as cenas do filme, principalmente àquelas mais tensas que envolvem fugas, mortes e ataques. É neste momento que Eisner e sua equipe de produção acertam em cheio, caracterizando um projeto que deve agradar aos fãs do cinema de horror.
As opções de enquadramento e ângulos de câmera remetem ao filme original de Romero, com suas sequências tremidas e imagens explícitas dos momentos de morte. Eisner soube conciliar o tradicionalismo técnico que já foi “testado” por Romero, com a atualidade do estilo que consagrou filmes como os da franquia “Jogos Mortais” e “O Albergue”. Por utilizar o que há de melhor nas duas épocas, o hibridismo técnico de Eisner funciona e garante dinamismo durante toda a projeção.
Destaco também a trilha sonora do filme, com a representativa música folk de Johnny Cash em seus minutos iniciais, e os acordes inquietantes elaborados para as sequências de tensão, dão o tom certo para a pacata cidade “caipira” vítima da barbárie de seus próprios moradores. A música também “embala” as fugas e o desespero dos personagens, carentes de uma boa interpretação por parte de alguns atores.
O protagonista Timothy Olyphant (David Dutton) não consegue escapar do amadorismo que permeia algumas atuações do cinema de horror. Embora seu personagem, o xerife da cidade, desperte simpatia imediata no público, sua interpretação não consegue atingir o equilíbrio exigido pela narrativa. Então, o que vemos é um excesso de expressões exageradas e caras retorcidas, que destoam até mesmo do clima naturalmente descomedido da produção, mesmo assim a atuação de Olyphant não chega a comprometer o longa.
O destaque vai para o trabalho seguro de Radha Mitchell (Judy Dutton) e Joe Anderson (Russel Clank). Os dois mostraram versatilidade para assumir papéis importantes em gêneros opostos. Ela já havia conseguido oferecer ao público atuações convincentes na comédia dramática “Melinda e Melinda” e no horror “Terror em Silent Hill”. Anderson, menos conhecido do grande público, participou do recente “Amélia” (filme que não assisti, mas na qual li comentários excelentes sobre a atuação do ator), e agora comprova seu talento em um gênero diferente.
“A epidemia” é uma grande surpresa do gênero, e apesar de mostrar uma temática já batida, oferece meios de intrigar o público através da sucessão de fatos e pela forma como são caracterizados e discutidos. Como um bom filme de zumbis, seu mérito está na caracterização dos mortos-vivos, nas sequências de fuga e nos inúmeros sustos bem espalhados por toda a narrativa, um filme tenso, que assusta, com cenas e mortes criativas, momentos de perversão e violência, situações de desespero e momentos aflitivos.
Um filme que certamente merece ser apreciado pelos fãs do gênero e que compõe uma grata e satisfatória surpresa! Altamente recomendado. Nota 9!

sábado, 21 de agosto de 2010

Os Mercenários (The Expendables)


É uma alegria e satisfação imensa ter vindo de uma sessão onde astros de filmes de ação dos anos 80 estão reunidos, eu simplesmente pirei, dividindo a mesma telinha estão: Sylvester Stallone, Mickey Rourke, Jason Stathan, Jet Li, Dolph Lundgren, e com participações especiais de Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis e por aí vai, uma constelação de astros que certamente nos marcou em alguma época de nossas vidas com seus de filmes de ação, recheados de explosões, tiros e batalhas. Que fã de filmes de ação não gostaria de ver tantas estrelas de filmes deste gênero reunidos em um só? Espetacular e apesar de alguns problemas, “Os mercenários” me emocionou ao me fazer lembrar dos filmes de duas décadas atrás envolvendo tais atores como protagonistas, filmes estes que marcaram minha vida e fizeram com que o gênero ação fosse um dos meus prediletos.
A sinopse é simples, “Os mercenários” conta a história de um grupo de guerreiros (mercenários), com o objetivo de se infiltrarem em um país da América do Sul e lutarem contra um cruel ditador, provocando sua queda, e assim libertando a população local.
Uma coisa que achei muito bacana em “Os mercenários” é o enfoque surpreendente, mas nem tanto, que Stallone dá ao filme: a questão da humanidade. É estranho que alguém faça uma fita de ação tão barulhenta que se preocupa de verdade com o íntimo de seus personagens. Não é estranho, por outro lado, que Stallone seja o diretor e co-roteirista dessa mistura aparentemente incompatível. Os filmes de seu personagem mais célebre, “Rambo”, são exatamente sobre o uso e desprezo de homens transformados em máquinas de guerra, ou seja, “descartáveis”, uma das traduções de “Expendables”.
Aqui, eles não tentam sair dessa vida, evitando apenas perder completamente a sensibilidade perante as atrocidades que acompanham seu ganha pão. O mais interessante arco dramático é o de Christmas (Statham), que culmina em uma cena que é boa não pela sacada bacanuda da bola de basquete, mas porque mostra que resta algo humano dentro do assassino. Mais impressionante ainda é a passagem em que o amigo dos mercenários, Tool (Mickey Rourke), relembra um evento de quando ainda aceitava missões. O monólogo traz uma angústia inimaginável graças à importância que o diretor dá ao instante e à sinceridade dilacerante do ator.
É também pelo senso de humor que os homens tentam provar que não são apenas “monstros”, como se vê nas reivindicações de Ying (Li). Ele não consegue, obviamente, já que quer mais dinheiro por motivos um tanto hilários e, por isso, precisa continuar sendo um mercenário. Poucos conseguem se afastar desse círculo vicioso de violência, e se Stallone realmente se preocupa com os que tentam, também não dá nada para Hale, Toll e Ying além de brutalidade, piadas espirituosas e camaradagem de bar.
Vale um importante destaque e menção às cenas de ação: lutas, tiros e principalmente explosões. São cenas muito bem produzidas e reais, vale mencionar aqui a cena do avião em que primeiro Christmas (Stathan) metralha do alto seus inimigos, e depois, com gasolina e fogo, acabam por dizimar os membros inimigos envolvidos na cena. Algumas cenas são violentas e até nos fazem lembrar do último filme de Stallone “Rambo IV”, mas isso não tira os méritos do filme, até porque a violência não é a prioridade ímpar do longa, pelo contrário, a ação violenta, divertida e ensurdecedora dá espaço para questionamentos muito bem inseridos e interessantes. As pausas são perceptíveis, especialmente na cena de Toll (Rourke) e no clímax, e não dá pra dizer outra coisa menos piegas: o filme prova ter um coração. É uma grata surpresa que uma constatação tão “sentimental” possa ser feita sobre a maior explosão de testosterona e adrenalina do ano.
Apesar de alguns problemas serem observados: As reviravoltas no roteiro são previsíveis, as cenas de ação um pouco aceleradas e “escuras”, os conflitos dos personagens são clichês... não podemos tirar os méritos de “Os mercenários”, até porque problemas como estes estão presentes frequentemente em filmes do gênero e mesmo assim estes filmes nunca deixaram de nos divertir e nos empolgar pela forma como são conduzidos e pelos desfechos, onde um herói derrota seu inimigo e torna-se o “rei” de um povo... isso tudo é clichê? Sim, e daí? Ao longo dos anos fomos crescendo, vendo e nos acostumando a filmes com essa premissa, e eu, pelo menos não tenho preconceito e não tenho do que reclamar, porque é um gênero que gosto muito.
É importante destacar também as cenas de humor, onde Stallone insere momentos engraçados, com declarações cômicas e brincadeiras que fazem o espectador gargalhar. As cenas de diálogos envolvendo Jet Li são quase todas hilárias, e o encontro entre Willis, Schwarzenegger e Stallone é marcante, uma cena séria e ao mesmo tempo provocadora de risos, encerrando-se com um ato (dizer) brilhante. Parabéns a Stallone, que além de explorar muito bem o lado humanitário do filme, nos garantiu também momentos de diversão. Stallone mostrou que filmes do gênero não precisam envolver somente violência, sangue, explosões e morte, uma pitada de humanidade aliado ao senso de humor, trazem grandiosidade maior à produção.
Um filme que recomendo, principalmente às pessoas que gostam do gênero ação. Não tem como perder um filme que envolve todos os astros de ação da década de 80, astros estes que fizeram parte de produções que marcaram nossa adolescência e nosso crescimento. Muuuito boom, é um encontro de heróis, onde a premissa “Um por todos, todos por um” é levada a sério, excelente!
Nota 9!!

sábado, 7 de agosto de 2010

"A origem" ( Inception)


Gosto de fazer minhas críticas logo após ver aos filmes, até porque consigo ter a idéia mais clara em mente para debater as nuâncias que cada história nos oferece. Porém, neste “A origem”, preferi relaxar, descansar e principalmente pensar, pensar muito, deixando assim, a crítica para o dia seguinte, a fim de que eu pudesse raciocinar, refletir e ir “digerindo” aos poucos a complexidade da trama.
Não é a toa que Cristopher Nolan é hoje, na minha opinião, o melhor e mais polêmico diretor de Hollywood, melhor porque em sua lista de filmes, 7 no total, 3 estão entre os maiores de todos os tempos (segundo lista do IMDb), polêmico porque suas temáticas são sempre muito detalhistas, profundas e principalmente “malucas”, são visões e pontos de vista capazes de gerar aquele tipo de sentimento 8 ou 80 no espectador, ou seja, ame ou odeie, os filmes de Nolan não tem o “meio termo”.
“A origem”, novo longa do diretor, é um filme que segue a premissa acima, mas acredito que a maioria do público vai amá-lo. É um filme não recomendado àquelas pessoas que buscam somente entretenimento, até porque a história é complexa e envolve extrema atenção a todos os detalhes, a ponto de que uma pequena distração pode nos levar a ter problemas de interpretação e entendimento. Sendo assim, recomendo extrema atenção ao filme, em cada detalhe e reviravolta.
E por que “A origem” é um filme difícil? Justamente porque é nele que Nolan expõe sua temática predileta de forma intensa, profunda e complexa: A temática da mente humana. Em outros filmes do diretor (Amnésia, Insônia e O Cavaleiro das Trevas) essa temática já havia sido explorada, porém, de maneira superficial. Em “A origem”, Nolan “esmiúça”, detalha e aprofunda a temática da mente humana e do inconsciente, inserindo o espectador em um universo completamente desconhecido e alternativo, uma viagem ao profundo do pensamento humano, a uma realidade subjetiva do protagonista da trama, ao mundo dos sonhos, ou ainda mais, ao sonho dentro de um outro sonho, como se fosse um reflexo de espelhos.
A sinopse é mais ou menos a seguinte: Cobb (Di Caprio) é um ladrão incomum, pois rouba os sonhos de suas vítimas. Os sonhos não no sentido de anseios e desejos, mas desses que se têm quando as pessoas dormem, pensamentos que repousam no inconsciente. Por meio de um aparato tecnológico, ele é capaz de invadir as mentes e tomar posse das idéias mais íntimas das vítimas. O personagem é contratado por um grande empresário (interpretado por Ken Watanabe) para, no lugar de roubar, implantar uma idéia durante os sonhos de seu adversário, vivido pelo ator Cillian Murphy. Para essa empreitada, Cobb recruta uma equipe de alta competência no assunto, a fim de construir as realidades oníricas e fazer o que bem entender com a mente adormecida de sua vítima.
A partir daí galera, a palavra de ordem é manter-se atento ao que acontece na telona, não só para não perder os detalhes da história, mas também pela tremenda experiência visual proporcionada pelo filme. Experiência visual? Já que estamos falando dela, então aqui vai minha primeira crítica positiva ao novo filme de Nolan. Sabemos que no mundo dos sonhos tudo é possível, a realidade do inconsciente humano é capaz de criar situações ou ambientes inimagináveis, e Nolan explora muito bem esta premissa, através da criação de cenários surreais, impecáveis e vislumbrantes. O fantástico design de produção se encarrega de dar vida a ambientes que, mesmo trazendo uma aparência sólida de realidade, freqüentemente surpreendem ao revelar níveis de insuspeita complexidade, como a “escadaria infinita”, o limbo arquitetado por Cobb ou a luxuosa edificação que abre a narrativa. É uma experiência fascinante, onde nossos olhos “agradecem”.
Um dos aspectos mais fascinantes deste intrigante conceito de invasão de sonhos ou ainda viagem ao inconsciente humano reside na idéia, perfeitamente explicada pela neurologia, que a identifica como um mecanismo de proteção do sono, de que fatores externos à mente possam influenciar os eventos presentes no universo onírico. Assim, sons, cheiros e movimentos detectados pela pessoa em repouso podem ser traduzidos em detalhes dos sonhos exatamente como o toque de um despertador muitas vezes é absorvido e transformado num som “reconfigurado” pela mente adormecida, algo que Nolan emprega ativamente no filme, por exemplo, ao trazer uma chuva torrencial como conseqüência da vontade do “sonhador” de ir ao banheiro ou, num dos melhores momentos da trama, ao enfocar um hotel que deixa de respeitar as leis da gravidade em função da situação caótica na qual se encontram as pessoas em cujos sonhos aquele prédio se encontra. E eis que neste ínterim, é válido novamente destacar a grandiosidade dos efeitos visuais do filme.
Outro grande mérito de “A origem” está no fato de não simplificar sua narrativa para o espectador, fazendo com que este conecte os fatos e fique atento aos detalhes. O longa envolve níveis diferentes de sonhos-dentro-de-sonhos (algo que fica claro na seqüência que abre o filme), também descobrimos que o tempo tem duração diferente dependendo da profundidade na qual os personagens se encontram. É uma obra complexa, porque além de manter a ação num ritmo constante e frenético, enfoca ações paralelas que se passam em ambientes com regras próprias quanto à duração dos eventos que abrigam. Mesmo assim, Nolan e sua equipe de produção esmiuçaram cada situação e detalhe, fazendo com que apesar de complexa, a narrativa se tornasse clara à medida que os eventos sucediam-se. Aliado à magnitude e grandeza do roteiro e efeitos, é importante destacar também a trilha sonora do filme, que confere uma atmosfera sinistra e sombria à trama, desde suas cenas inicias.
Contando com um elenco admirável, Nolan extrai de seus atores os atributos necessários para que cada personagem desempenhe um papel preciso e importante na história: DiCaprio (brilhante), surge tenso e gradualmente mais angustiado e inseguro à medida em que a projeção avança, ao passo que Joseph Gordon-Levitt, como Arthur, exibe uma firmeza de ação que mantém o público sempre convencido de sua competência e de sua importância para os planos do parceiro. Marion Cotillard, por sua vez, encarna, uma femme fatale que poderia ter saído diretamente de um noir, enquanto Ellen Page, como uma jovem que ganha a oportunidade de realizar o sonho de qualquer arquiteto (literalmente, neste caso), evita se tornar apenas a personagem “novata” que, como tal, é usada exclusivamente como recurso expositivo para esclarecer conceitos para o espectador; em vez disso, ela se torna peça importante ao fazer jus ao nome e auxiliar os demais em suas trajetórias dentro dos sonhos.
Outro fato curioso a se ressaltar é que Nolan faz inúmeras referências que precisam ser pensadas cuidadosamente. Um exemplo é o nome da personagem de Ellen Page, Ariadne, que é a responsável pela arquitetura dos sonhos. Na mitologia grega, Ariadne ajuda Perseu a vencer o Minotauro, auxiliando-o a se localizar em um labirinto. Ou seja, há uma agregação entre o mundo real, o mundo dos sonhos e o mundo das fábulas, tornando o universo do filme ainda mais complexo e intrigante.
Respeitando o espectador ao não insistir em interromper a narrativa periodicamente para mastigar os acontecimentos, Christopher Nolan mantém esta confiança até o instante final da projeção, evitando um desfecho auto-explicativo que simplifique e resolva tudo para o público que, assim, sairá do cinema discutindo ativamente o significado do que acabou de testemunhar (incluindo, claro, a cena final). Isto não quer dizer, porém, que “A Origem” não se resolva; a diferença é que, graças à complexidade de sua narrativa, o filme permite múltiplas conclusões igualmente satisfatórias.
A Origem junta-se ao seleto grupo dos filmes que exploraram com primor a mente e/ou universos paralelos e realidades alternativas, como “Matrix” e “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”. É um filme cheio de conceitos e passível de inúmeras leituras. É bem verdade que muitas dúvidas foram plantadas na minha cabeça depois de assistir ao filme, mas não tem problema, irei assistí-lo novamente para sanar estas questões (eis uma desculpa esfarrapada para ver mais uma vez esta obra-prima, este filme grandioso em todos os sentidos). O melhor filme do ano, um dos melhores que assisti em minha vida, um cult. “A origem” já entrou para a história como um dos maiores filmes de todos os tempos!
Nota mil? Como essa notação não existe, então dou dez! Brilhante, simplesmente: sensacional!

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Salt (Idem)


Confesso que a partir do momento que tomei conhecimento sobre “Salt”, no que diz respeito a elenco, equipe de produção, sinopse e bastidores, fiquei curioso e comecei a acompanhar os momentos que guiavam a elaboração da trama, desde sua pré-produção, passando pela edição das cenas e diálogos e finalizando com sua pós-produção, ou seja, fiquei extremamente tentado com o que este filme poderia nos oferecer e digo isso, principalmente, por dois motivos: primeiro, Phillip Noyce é um diretor de ponta e conhecido, tendo feito belos trabalhos, como em “Geração Roubada”, “ O Americano tranqüilo” e “Terror a Bordo”; segundo, o papel de “Salt” seria inicialmente de Tom Cruise, mas este decidiu abandonar o papel por causa do outro filme em que trabalhava e gravava, “Encontro Explosivo”, sendo assim, eis que surge o nome de Angelina Jolie para substituir Cruise, e neste momento é que minha curiosidade tornou-se ainda mais aguçada, pois apesar de ter potencial (sempre acreditei nisso), acho que Jolie foi “mal aproveitada” ao longo de sua carreira, com exceção do excelente “ A troca” (de Clint Eastwood), sendo assim, pensei: Quem sabe nas mãos de Noyce, Jolie não poderia ter um papel tão bom quanto teve em " A troca"?. Ou seja, resumindo o porquê de minha ansiedade por esta estréia: um filme de espionagem, no contexto da Guerra Fria, com Noyce na direção e Jolie no papel de protagonista!!! Felizmente, toda essa minha ansiedade e espera pelo filme, VALEU A PENA!
Na trama, temos que Evelyn Salt (Jolie) antes de se tornar agente da CIA, prestou juramento de servir e honrar seu país. Ela colocará seu juramento em prática, quando um desertor russo a acusa de ser uma espiã russa. Neste contexto, Salt tenta fugir de seus perseguidores e provar sua inocência.
A primeira menção altamente positiva que deve ser feita sobre o filme já está no próprio cartaz de apresentação do longa, que diz: Quem é Salt? Uma pergunta simples, porém extremamente feliz e que resume basicamente o filme. Ao longo da trama, nunca sabemos se Salt é a vilã ou mocinha, o filme é repleto de reviravoltas e a atenção detalhada aos flashbacks são essenciais a fim de que se haja um perfeito entendimento e compreensão da história. A pergunta sobre quem é Salt será respondida, fiquem tranqüilos, mas o simples levantamento desta questão e sua inserção no contexto da obra, e a forma como é explicada, já confere ao filme um conceito profundo, onde nem sempre uma pessoa é o que parece ser. Ponto para Noyce e sua equipe de produção, que conseguem envolver o telespectador durante os 100 minutos de filme.
Outro ponto altamente positivo foram as cenas de ação, muito bem feitas, trabalhadas e orquestradas por Noyce e sua equipe de produção. O filme é “elétrico”, em poucos momentos conseguimos “parar para respirar”, os diálogos são poucos, mas isso não atrapalha no entendimento da história, até porque a presença dos flashbacks compensam essa questão da “pouco” diálogo. Diferentemente de muitos filmes de ação, em “Salt”, o excesso de ação em detrimento aos poucos textos não comprometeram o andamento e desfecho da trama.
Agora vou falar um pouco do elenco, que também foi muito bem escolhido por Noyce, com destaques principalmente para Jolie, que está completamente a vontade no papel protagonista de “Salt”, onde exalando sensualidade, sua personagem não hesita em usar este atributo a seu favor, transformando o mero gesto de obstruir a lente de uma câmera de segurança em algo capaz de elevar a pressão do público masculino (ela emprega a calcinha na tarefa), com uma expressão sempre fria e determinada e exibindo um vigor físico invejável, a atriz converte Evelyn Salt numa heroína praticamente indestrutível, fria e cruel. Fechando o elenco, Liev Schreiber e Chiwetel Ejiofor surgem corretos como os principais perseguidores de Salt, ao passo que Andre Braugher parece estar fazendo um favor pessoal a Noyce ao aceitar surgir numa aparição inexplicável, já que entra mudo e sai calado do filme.
Merecendo créditos também pela encenação de uma morte que envolve um par de algemas e surpreende pela brutalidade, Salt é ágil o bastante para divertir e curto o suficiente para não entediar. A temática central do filme compõe um clichê, sendo exposta várias e várias vezes já em Hollywood (Guerra Fria e seus desdobramentos), no entanto, Noyce expõe essa temática de forma vibrante e repleta de reviravoltas, e isso torna o filme instigante, tenso e nem um pouco cansativo. Mais um ponto para Noyce e sua equipe.
Valeu esperar, valeu ficar ansioso, valeu acompanhar todo o andamento do trabalho de “Salt”, valeu pelo grande trabalho de Jolie e Noyce. Na minha opinião, um dos melhores filmes de ação do ano, adoreiii e recomendo... quero assistir mais uma vez, hehe!
Nota 10!!

sábado, 24 de julho de 2010

Predadores (2010) - Predators (2010)


Ano de 1987: eis que o diretor Jonh McTiernan cria uma das criaturas mais assustadoras do cinema, emblemática pela maneira de caçar, perseguir, expor suas artimanhas, sentir a temperatura do corpo humano e principalmente, predar. O Predador (1987) foi o primeiro filme que me causou medo, lá pelos meus 12-13 anos e marcou minha vida. Tenho “O Predador” como um dos meus filmes favoritos não só pela maneira como o vilão (protagonista) nos foi apresentado, mas também como se desenvolveu a trama, seu contexto, o ambiente em que foi criado e principalmente pelo grupo alvo do predador.
Eis que após 23 anos, Robert Rodriguez (Um drink no Inferno) fã de carteirinha da série dos filmes “Predador” decide bancar uma nova trama, e com a parceria de Nimród Antal (Temos vagas) consegue, na minha opinião, dar uma dinâmica boa ao filme e proporcionar ótimos momentos de ação, através de uma história simples, porém bem formulada e explicada. Na trama, um grupo de guerreiros de elite descobre estar em um planeta alienígena. Com a exceção de um físico, todos são, de alguma forma, assassinos - mercenários, condenados, membros do esquadrão da morte e da Yakuza - predadores humanos que agora são caçados por uma raça desconhecida, em uma espécie de jogo de gato e rato.
Em primeiro lugar, gostaria de destacar como ponto altamente positivo, o ambiente físico do filme: um lugar profundamente inóspito e obscuro, revelando a imprevisibilidade da geografia alienígena, onde nesta inclui-se vários terrenos diferentes que se justapõe, como por exemplo, matas fechadas aliadas à terrenos rochosos e ainda florestas mais abertas com plantações de eucalipto. Toda essa justaposição ambiental (rara em qualquer ambiente do mundo) já é capaz de nos mostrar que o ambiente na qual “nosso esquadrão” de combatentes está exposto, é algo, digamos, “suspeito”.
Outro destaque do filme se dá na quesito elenco, onde Antal e Rodriguez nos apresenta personagens multiétnicos e com caricaturas bem destacadas, temos o japonês da Yakuza que, sempre calado, tira os sapatos para sentir misticamente a lama e que, claro, é um mestre com espadas (Changchien); o mexicano durão que trabalha como capanga de um cartel do narcotráfico (Trejo); o fracote que atua como alívio cômico (Grace); o negro gigantesco que aparentemente acredita no sobrenatural (Ali); o russo que quer voltar para os filhos (Taktarov); e o serial killer com cara de Joe Pantoliano (Goggins).
Ainda com relação ao elenco, vale destacar a ótima “química” envolvendo Adrien Brody e Alicia Braga, onde o primeiro estabelece uma dinâmica curiosa com a atriz, parecendo enojá-la e atraí-la ao mesmo tempo, num jogo de sedução/rejeição salientado pelas brigas constantes, mas também pelos insistentes planos nos quais aparecem colados um ao outro enquanto observam algo à distância. A brasileira Alicia Braga, por sinal, é uma personagem complexa na trama, é a personagem que reconhece seus erros e suas limitações, sendo a única que “enxerga” uma possibilidade de redenção, lamentando ao longo da trama, sua vida errante.
A crítica negativa que deixo é que faltou um pouco de originalidade na trama, na maneira de expor a personalidade dos predadores e a forma na qual agiam diante de suas vítimas, ou seja, não houve nada de muito diferente do que foi abordado em “ Predador” (1987). Assim, mesmo com a tecnologia vigente e o “dedo” de Robert Rodriguez, a história original continua sendo insuperável e altamente superior aos outros filmes da série, inclusive a este.
A temática central do filme compõe um clichê, onde sob o pretexto de que fazem parte de um experimento comportamental e munidos de toneladas de frases de efeito, o grupo precisará unir as informações sobre a vida e a personalidade de cada um para desvendar o mistério e encontrar uma saída da sufocante ilha, deixando assim, de serem caçados pelos habitantes locais. Apesar da temática pouco inventiva e já batida, o roteiro não deixar de ser dinâmico e a questão multiétnica dos personagens associada ao caricaturismo de cada representante, produz um contexto intrigante e satisfatório para o andamento do longa.
Gostei do filme, que mesmo sendo inferior ao original, consegue chamar a atenção e prender o espectador durante os 115 minutos de projeção. Os predadores estão de volta e deu pra se matar um pouquinho das saudades do filme original, que com certeza, é insubstituível e marcante!
Nota 8

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Toy Story 3 (idem)


Quando assisti “Procurando Nemo”, confesso que fiquei curioso para conhecer melhor o universo que produziu este longa devido à qualidade no quesito história e animação. A partir daí, a Pixar tornou-se, pra mim, o maior estúdio cinematográfico de animação já existente. Depois fiquei sabendo que Toy Story 1 e 2; Carros; Os incríveis, também faziam parte deste estúdio. Após assistir a Procurando Nemo, pensei: não vai haver filme com tamanha perfeição como este, me enganei. Eis que surge Wall-e e eu disse a mesma coisa: Wall-e é completo em todos os sentidos, o maior e melhor filme de animação de todos os tempos, me enganei (2). Veio Up e meu vislumbramento com o filme se tornou ainda maior, a Pixar produziu uma obra prima, esse sim ninguém supera, me enganei (3). Acabei de ver Toy-Story 3 e digo que, o novo longa da Pixar, consegue ser ainda melhor do que os citados anteriormente.
Toy Story 3 traz Woody, Buzz e toda a turma de brinquedos de volta às telonas quando Andy se prepara para ir para a faculdade e seus leais brinquedos vão parar numa creche! Mas esses bravos baixinhos e “guerreiros” não estão para brincadeira, então, serão todos por um e um por todos, enquanto implementam seu plano da grande fuga da creche. Embarcam com eles nesta aventura, muitos rostos novos, alguns de plástico, outros de pelúcia, incluindo o famoso solteiro e festeiro acompanhante da Barbie, Ken; o ator e ouriço de jardineira, Espeto e um ursinho de pelúcia rosa com cheiro de morango, chamado Lotso Ursinho Fofo.
É incrível como a Pixar consegue dar vida e sensibilidade a seus personagens de forma que a cada ato do filme, nos sentimos ainda mais apegados aos bonecos e brinquedos da trama, as histórias de Andy que são mostradas ao longo do filme, remetendo ao passado e sua relação com os brinquedos são tocantes e emocionantes, Andy está com seus 17 anos e à beira de entrar na universidade, mas sua relação do passado com os “toys” é mostrada durante a projeção e é de uma sensibilidade incrível, não tem como não se emocionar.
Toy Story 3 inicia-se da mesma maneira que o segundo, com os brinquedos passando por uma grande aventura que, obviamente, não passa de mais uma brincadeira do dono. Depois disso, nada de piadas repetidas ou situações clichês. O que espera o público é um monte de personagens novos ótimos, como o Ken e o urso Lotso, e a graça renovada dos antigos brinquedos, como o hilário casal Cabeça de Batata, Slinky, os chaveirinhos do Pizza Planet, a cowgirl Jessie, o cavalinho Bala no Alvo e o inocente dinossauro Rex.
Como se não bastasse apenas resgatar os brinquedos, os roteiristas Michael Arndt e John Lasseter (gênio) tratam com excelência questões como o autoritarismo, confrontado com a liderança participativa; a união; o pré-julgamento pela aparência; a lealdade e até a questão da superexposição pelas câmeras, como mostram as cenas do macaco que vigia as dezenas de câmeras da creche: ele é o chamado “olho que tudo vê”.
Ainda assim, num filme em que as aparências enganam, o que predomina é o que interessa: a diversão. Sequências espetaculares e ação bem amarrada ditam o ritmo acelerado, fazendo rir e às vezes até chorar, numa obra grandiosa e de qualidade inquestionável.
No meu caso, a imersão na história foi tão grande que, sinceramente, nem reparei nos efeitos 3D. Na verdade, eles são, pela primeira vez, fator secundário.
O tempo dirá qual das três partes é a melhor da trilogia dos brinquedos, mas Toy Story 3 compete em pé de igualdade e agrega qualidades suficientes para ocupar o primeiro posto.
É importante ressaltar que a Pixar tem a competência de tratar suas animações de forma séria, de modo que suas histórias encantam e divertem o público infantil e ao mesmo tempo insere lições de moral para que nós adultos saibamos interpretá-las e ao mesmo tempo adotá-las em nosso dia a dia, eis o ponto chave da grandeza das obras (primas) deste estúdio!!!
Toy Story 3 é maravilhosamente encantador, tocante, emocionante, belo e especial, um filme que merece ser visto e revisto por todos os tipos de público. A franquia Toy Story certamente tornou-se um clássico das animações, uma série de filmes antológicos para se emocionar e encantar, onde as crianças se identificam e os adultos também, e isso torna Andy, Woody e Buzz peças fundamentais do mundo cinematográfico como personagens inesquecíveis. SENSACIONAL, NOTA 10!!!!!
PS: Toy Story 3 é o maior e melhor filme de animação de todos os tempos, não existirá outro que bata de frente, me enganei (4) de novo, será??? Rsrs, em se tratando de Pixar, certamente irei me enganar pela quarta fez, rsrsrsrs!